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Irão vende armas em troca de cripto para contornar sanções do ocidente

O Ministério da Defesa do Irão está a negociar contratos militares que permitem o pagamento em criptomoedas. O objetivo é contornar as sanções impostas pelo ocidente, que têm tentado asfixiar a economia iraniana.

O Irão tem vindo a ser sancionado pelo ocidente devido à vontade de prosseguir com um programa nuclear.
O Irão tem vindo a ser sancionado pelo ocidente devido à vontade de prosseguir com um programa nuclear. AP Photo / Vahid Salemi
03 de Janeiro de 2026 às 17:00

As criptomoedas são cada vez mais uma solução utilizada por vários países para contornar as sanções impostas pelo ocidente. Depois de a Rússia ter popularizado a estratégia no seguimento da invasão à Ucrânia em 2022, agora é a vez do Irão de se juntar ao rol de governos que utilizam ativos digitais para sustentar parte do comércio internacional e fugirem (ou reduzirem) do impacto das sanções na economia. 

O Centro de Exportação do Ministério iraniano da Defesa, conhecido por Mindex, está a negociar contratos militares que permitam o pagamento em criptomoedas, de acordo com o jornal britânico Financial Times, que teve acesso a uma série de documentos e extratos de transações. A ideia terá sido introduzida no ano passado e abrange mísseis balísticos, drones e até mesmo sistemas de defesa aérea de curto alcance. 

O Mindex exporta para 35 países e, de acordo com dados mais recentes apresentados pelo Ministério da Defesa, as exportações militares do país atingiram mil milhões de dólares no ano terminado em março de 2023. De acordo com o site do Mindex, os compradores têm de aceitar certas condições para a forma como estas armas são utilizadas "durante uma guerra com outro país", embora admita que são negociáveis. 

Devido às sanções impostas, as empresas ou países que compram armas ao Irão através de financiamento convencional, como dólares, correm o risco de serem bloqueadas dos sistemas financeiros ocidentais. A utilização de cripto permite às duas partes contornarem estas restrições, mas os EUA têm estado atentos a este tipo de movimentos. 

Em setembro, o Tesouro norte-americano impôs sanções a indivíduos que acusou de estarem a facilitar uma rede "sombra", que utilizava moedas digitais para processar pagamentos em nome do Irão. Além de armas, esta rede também tem facilitado a venda e compra de petróleo por parte de Teerão. 

O Irão tem estado na mira do ocidente, principalmente dos EUA, devido ao programa nuclear existente no país. Apesar de Donald Trump, Presidente norte-americano, ter iniciado o seu segundo mandato com esperança de conseguir um acordo com o país do Médio Oriente, tendo chegado a descrever as negociações como "construtivas", o Irão acaba por rejeitar as exigências da Casa Branca - o que levou a uma série de ataques contra território iraniano por parte de Israel e dos EUA. 

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