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Bolsa da Roménia em queda livre após aumento de impostos à banca

O índice BET está a descer mais de 8% e os juros da dívida pública disparam acima dos 5%. A banca estrangeira presente no país é a mais penalizada com as medidas anunciadas pelo ministro das Finanças Eugen Teodorovici.

Viorica Dancila é a primeira-ministra e líder do partido de esquerda PSD Reuters
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 19 de Dezembro de 2018 às 12:19
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O Governo da Roménia anunciou um pacote de medidas de austeridade surpresa que está a causar uma queda abrupta na cotação dos activos do país, com a bolsa em queda livre e os juros das obrigações a disparar.

 

Para controlar o défice orçamental, o ministro das Finanças Eugen Teodorovici anunciou uma série de medidas para aumentar as receitas do Estado, que passam sobretudo pelo agravamento de impostos às empresas, com especial incidência na banca.

 

O objectivo passa por encaixar 10 mil milhões de leus (2,14 mil milhões de euros), sendo que entre as medidas consta uma taxa aplicada aos activos dos bancos detidos por estrangeiros e o agravamento de impostos às empresas dos sectores da energia e telecomunicações. Em perspectiva está também uma controversa reforma do sistema de pensões.

 

A banca romena é em grande parte detida por estrangeiros, que vão assim ser dos mais penalizados com esta medida que o próprio ministro das Finanças romeno apelidou de "comissão sobre a ganância". A taxa deverá gerar 3,6 mil milhões de leus (770 milhões de euros) e será implementada de forma a não penalizar os clientes, pois a taxa de juro que os bancos cobram terá um limite máximo de 1,5%.

 

"Não devemos ter vergonha de chamar esta taxa de comissão sobre a ganância. Trata-se de uma proposta para proteger os romenos", disse Teodorovici aos jornalistas, sem detalhar como este imposto vai ser aplicado.

 

O Erste Group, o Société Générale e o Unicredit são alguns dos bancos estrangeiros presentes na Roménia. O BCP saiu em 2014 depois de ter vendido o BMR por 39 milhões de euros.

 

A reacção dos mercados não se fez esperar e a bolsa romena está a ser penalizada por uma fuga de investidores. O índice BET desvaloriza 8,1%, o que representa a maior queda diária desde 2011. Os juros da dívida pública do país a 10 anos disparam 31 pontos base para 5,08%, no maior agravamento desde 2015. O leu desce apenas 0,2%, sendo que o valor da moeda do país está indexado ao euro.

 

"Esperamos um aumento nos custos de financiamento e pressão no mercado cambial, dada a relevante presença dos bancos estrangeiros no mercado doméstico", refere o economista Andrei Radulescu, do Banca Transilvania, citado pela Bloomberg.

 

Com este pacote de aumento de impostos o governo romeno, que é de esquerda, pretende também compensar o aumento de despesa que deriva dos vários aumentos do salário mínimo que implementou nos últimos anos, em linha com o praticado por outros países da Europa de Leste, como a Hungria.

 

Este agravamento de impostos constará da proposta de orçamento para o próximo ano, que ainda não está fechada. O documento prevê um défice pouco abaixo do limite dos 3%. Os economistas esperam um défice mais elevado, de 3,4% do PIB, face aos 3,1% previstos para este ano.

 

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