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Há menos milionários, mas nível de riqueza já recuperou da pandemia

O nível de riqueza global já recuperou para níveis pré-crise, enquanto a riqueza por adulto está ligeiramente abaixo, conclui um relatório do Credit Suisse. Ainda assim, o impacto na economia vai ser mais duradouro.

O número de milionários baixou em 56 mil, segundo o Credit Suisse
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 22 de Outubro de 2020 às 12:08
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A pandemia teve um impacto significativo no nível de riqueza a nível global, resultando numa quebra do número de milionários. No entanto, segundo um relatório do Credit Suisse, as medidas implementadas pelos bancos centrais e governos permitiram aplacar os efeitos da crise da covid-19 e aceleraram uma recuperação no segundo trimestre, que colocou a riqueza nos níveis em que se situava no início do ano, ainda que a riqueza individual permaneça ligeiramente abaixo dos níveis pré-crise.

 

"Considerando que 2019 foi um ano de tremenda criação de riqueza – a riqueza global aumentou em 36,3 biliões de dólares durante o ano – os nossos especialistas estimam que a riqueza das famílias caiu em 17,5 biliões de dólares entre janeiro e março. De março em diante, os mercados acionistas recuperaram e os preços das casas subiram, e os dados disponíveis do segundo trimestre sugerem que a riqueza das famílias está praticamente em níveis do final do ano passado", escreve o Credit Suisse, no seu relatório Global Wealth Report, este ano divulgado excecionalmente também para o primeiro semestre.

 

De acordo com as estimativas do Credit Suisse, "a riqueza global total em meados de 2020 estava ligeiramente acima do nível no início do ano, com um aumento de um bilião de dólares, ou 0,3%". Por adulto, os números continuam ainda aquém dos valores registados no final do ano passado, mas a diferença é pequena. A média global está 0,4% abaixo do nível no final do ano passado, nos 76.984 dólares por adulto.

Os responsáveis pelo estudo justificam esta rápida recuperação com as medidas introduzidas pelos políticos e pelos bancos centrais a nível global, programas essenciais para travar as consequências da pandemia.

 

"Baixas taxas de juro e condições de crédito mais favoráveis em resposta à pandemia parecem ter sido bem-sucedidas em suportar os preços das ações e os valores das casas", refere o relatório.

 

Outra consequência das medidas de confinamento foi o aumento da poupança, a nível global. No entanto o relatório refere que, "o impacto geral sobre a riqueza é provavelmente modesto, uma vez que as limitações no consumo não devem persistir no longo prazo".

 

O Credit Suisse destaca, porém, que o efeito da pandemia na economia global ainda não está ultrapassado e "um produto interno bruto mais baixo e maior dívida vão ter impacto no longo prazo, por isso o nível de crescimento de riqueza vai estar deprimido nos próximos anos".

 

Menos 56 mil milionários

 

O impacto da pandemia não foi sentido em todos os setores da economia da mesma forma. No entanto, o número de milionários – indivíduos com um património avaliado acima de um milhão de dólares – reduziu-se. No final da primeira metade do ano, o Credit Suisse avaliava que existiam menos 56 mil milionários, o que representa apenas 1% dos 5,7 milhões acrescentados à lista em 2019.

 

Em termos de países, o Reino Unido e o Brasil destacam-se na lista dos países mais penalizados pela pandemia, com menos 241 mil e 116 mil milionários, respetivamente. Já a China fechou a primeira metade do ano com mais 365 mil milionários, enquanto a Holanda criou mais 74 mil e os Estados Unidos fechou com mais 58 mil pessoas com uma riqueza acima de um milhão.

 

No entanto, a segunda metade do ano ainda pode trazer desenvolvimentos negativos. No caso dos Estados Unidos, o Credit Suisse adianta que o nível de riqueza por adulto na primeira metade do ano apenas desceu 0,2%, contudo poderá cair cerca de 5% na segunda metade do ano e subir "muito lentamente em 2021".

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