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Matérias-primas negoceiam no vermelho

Grande parte das matérias-primas está hoje a negociar em baixa, pressionadas pelo abrandamento do consumo, decorrente da desaceleração económica mundial, e também pela valorização do dólar, o que diminui a atractividade das "commodities" para os investidores. Os níveis de volatilidade são elevados, o que não ajuda.

11 de Novembro de 2008 às 15:56
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Os metais industriais estão todos a cair, exceptuando o zinco, devido à ideia de que nem o plano de estímulo económico na China vai fazer aumentar a procura no curto prazo.

A utilização de cobre, bastante usado nos automóveis e casas, deverá abrandar para 3% ou 4% de crescimento no próximo ano, contra 8% este ano, segundo o Barclays Capital. Este metal de base para entrega a três meses seguia a cair 3% em Londres, para 3.760 dólares por tonelada.

O alumínio perdia 1,1%, para 1.963 dólares por tonelada. O chumbo, níquel e estanho também cediam terreno e só o zinco seguia a subir ligeiramente.

O índice CMCI Bloomberg/UBS, que agrega 26 matérias-primas, seguia a ceder 2,1%, anulando assim os ganhos de ontem.

Também o índice Reuters/Jefferies CRB, que negoceia em Nova Iorque um cabaz de 19 mercadorias, seguia em queda, desvalorizando 1,32% para 259,94 pontos. Entre os seis grupos em que o índice se divide, os que mais terreno cedem são os da energia, metais preciosos e metais industriais.

Metais preciosos

O ouro segue a tendência de queda dos seus congéneres não-ferrosos. O metal amarelo está a desvalorizar pela primeira vez em três sessões. A procura de ouro como investimento alternativo ao dólar tem diminuído com a valorização da nota verde face a seis grandes divisas.

Assim, o ouro para entrega imediata seguia a perder 1,1% em Londres, para 738,38 dólares por onça. Os futuros de Dezembro seguiam a fixar-se nos 737,20 dólares em Nova Iorque, o que correspondia a uma cedência de perto de 10 dólares.

A prata caía 2,6%, para 9,92 dólares por onça, a platina cedia 3,7% para 825,50 dólares e o paládio desvalorizava 1,2% para 218,75 dólares.

Milho

No entanto, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o milho poderá voltar a níveis recorde no próximo ano, impulsionado por um aumento da procura para a produção de etanol e pela redução do seu cultivo por parte dos agricultores devido ao aperto do crédito e aos baixos preços actuais.

No curto prazo, o milho poderá tornar-se ainda mais volátil, uma vez que está associado ao petróleo por causa da sua aplicação na produção de etanol, segundo um responsável da FAO, David Dawe, citado pela Bloomberg.

A volatilidade deverá afectar também outras matérias-primas agrícolas, como a soja, trigo e arroz, acrescentou o mesmo responsável.

Óleo de palma e de soja

Os futuros do óleo de palma no mercado malaio também seguiam a cair, pela primeira vez em três sessões, uma vez que a queda dos preços do petróleo está a reduzir as previsões para a procura de biocombustíveis.

O óleo de palma e o óleo de soja, utilizados essencialmente nos alimentos, costumam acompanhar o desempenho do petróleo, uma vez que podem ser utilizados como combustível alternativo.

“A queda dos preços do crude está a pressionar o óleo de palma, bem como o óleo de soja”, comentou à Bloomberg uma analista da PT Mandiri Sekuritas, Merlissa Trisno. No entanto, segundo esta responsável, a descida das cotações poderá ser limitada, devido a medidas tomadas pelos países produtores para impulsionar os preços.

O óleo de palma para entrega em Janeiro seguia a perder 3,4% no mercado de derivados da Malásia, para 439 dólares por tonelada. Desde o recorde de Março, já cedeu 70%.

O contrato de Dezembro do óleo de soja registava um decréscimo de 2,6% em Chicago, para 34,45 cêntimos por libra-peso. Ainda assim, este óleo vegetal continua actualmente 72% mais caro do que o óleo de palma.

Açúcar

Os futuros do açúcar não refinado cediam 1,28%, para 11,79 cêntimos por libra-peso, no mercado nova-iorquino. Na sessão de hoje, o contrato de Março já chegou a cair para 11,71 cêntimos, o que correspondeu ao valor mais baixo desde 31 de Outubro.

Petróleo

As cotações do petróleo continuam a negociar no vermelho, abaixo dos 60 dólares por barril, estando hoje a ser também pressionadas pela especulação de que a Agência Internacional de Energia (AIE) vai rever em baixa as suas previsões para a procura de crude em 2009, num contexto de abrandamento do crescimento económico, o que diminui o consumo de combustível.

O contrato de Dezembro do Brent do Mar do Norte, crude de referência para a Europa, já esteve hoje abaixo dos 56 dólares por barril no mercado londrino, no nível mais fraco desde 31 de Janeiro de 2007.

Em Nova Iorque, o West Texas Intermediate já foi aos 59 dólares por barril, com uma queda de mais de 5% - depois de na semana passada ter perdido 10%. Os preços do WTI, que já caíram 59% desde o recorde de 11 de Julho nos 147,27 dólares, estão 36% abaixo dos valores de há um ano.

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