No mercado do petróleo é "business as usual". Crise na Venezuela frisa tendência de queda
O CEO da ActivTrades Europe explica que se os EUA conseguirem reanimar a indústria petrolífera da Venezuela, os preços do crude podem vir a cair, pressionados pelo aumento acentuado de oferta. Mas para já a crise venezuelana não tem grande impacto, já que o país é apenas responsável por 1% do petróleo no mercado.
Com as maiores reservas de petróleo do mundo, a crise da Venezuela ameaçava afetar fortemente a negociação do petróleo, mas a distância temporal até que o volume de produção de crude seja alterado faz com que os preços não estejam a ser particularmente impactados.
A Venezuela tem cerca de 17% das reservas mundiais de petróleo, mas só produz um milhão de barris por dia, menos de 1% do total global - infraestruturas muito delapidadas contribuem para este cenário. Os EUA prometem tomar contra da produção petrolífera da Venezuela, mas é um projeto que vai levar tempo e dinheiro. Até lá, pouco se altera na negociação do petróleo. É o que explica Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe: "Isto é um cenário de médio-longo prazo, estamos a falar de alguns anos possivelmente para isto acontecer. Portanto, pelo menos por agora, para os negociadores de petróleo e de contratos futuros de petróleo, o cenário é de business as usual, ou seja, mantém-se a situação que tínhamos até sexta-feira, não houve assim grandes alterações".
O petróleo arrancou o dia em queda ligeira, mas segue agora praticamente inalterado, tanto em Londres como em Nova Iorque. A possibilidade de, a longo prazo, com o investimento dos EUA, aumentar o volume de crude no mercado, vem apenas sublinhar a tendência de queda do preço que se tem vindo a sentir nos últimos meses. "Tem a ver com uma perspetiva mais global para o mercado de crude, que aponta para um excesso de oferta em 2026. Os países da OPEP mantêm as suas cotas de produção, também temos outros países que estão a aumentar o seu output, como por exemplo o Brasil, os próprios Estados Unidos também, e ao mesmo tempo o ritmo de crescimento da procura tem vindo a diminuir globalmente", explica em entrevista ao programa do Negócios no canal NOW.
"Isto cria, então, um cenário em que há mais oferta do que procura e como sabemos que nos mercados quando há mais oferta do que procura, a tendência é para o preço cair. A entrada da Venezuela, deste novo cenário, perspetiva que, de médio a longo prazo, venha a aumentar ainda mais esta oferta de petróleo, o que sustenta a continuação desta tendência de queda dos preços", acrescenta.
Petrolíferas americanas em silêncio. ExxonMobil e Chevron disparam no pré-market
As bolsas europeias negoceiam esta manhã com algum otimismo, impulsionadas por ganhos no setor da defesa, e os futuros de Wall Street também negoceiam com ganhos. Duas das maiores petrolíferas americanas - ExxonMobil e Chevron - valorizam fortemente no pré-market, 4,33% e 7,76% respetivamente.
Ainda assim, o CEO da ActivTrades interpreta o silêncio das gigantes, até agora, como sinal de pouco interesse no negócio venezuelano - sendo que a Chevron já opera no país, ainda que com restrições. "As petrolíferas americanas têm mantido silêncio, parecem não estar muito entusiasmadas aqui com este convite/ordem de Donald Trump para investir milhares de milhões de dólares na infraestrutura venezuelana. Vamos ver o que acontece", afirma.
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