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"Só quero a minha vida de volta". Estas gafes custaram milhões de dólares

A brincadeira de Jamie Dimon sobre a China ressuscitou uma "bíblia" de gafes que custaram milhões às empresas e anos de carreira aos seus autores.

Giulia Marchi
Fábio Carvalho da Silva fabiosilva@negocios.pt 25 de Novembro de 2021 às 12:40
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A brincadeira de Jamie Dimon sobre Pequim, que levou o CEO e o JPMorgan Chase a pedirem desculpas por o executivo ter afirmado "que nós vamos durar mais que o Partido Comunista chinês", ressuscitou uma "bíblia" de gafes que custaram milhões às empresas e anos de carreira aos seus autores.

Em 2018, durante um evento de filantropia, o CEO do JPMorgan Chase brincou que "poderia vencer Donald Trump na corrida à Casa Branca, até porque sou mais inteligente". Horas mais tarde, Dimon emitiu um comunicado com um "sincero pedido de desculpas".

Mais do que tocar na Casa Branca, brincar com Pequim pode significar o fim de qualquer carreira, tendo em conta a exposição de Wall Street a vários ativos chineses, no caso do JMorgan, um volume de transações empréstimos e outros negócios, avaliados em quase 20 mil milhões de dólares.

Em 2019, o suíço UBS foi obrigado a despedir o economista-chefe do banco, Paul Donovan, depois de este ter utilizado a expressão "um chinês porco", numa nota sobre o aumento do Índice dos Preços do Consumidor, em território asiático.

Dias mais tarde, Donovan e o UBS emitiram um comunicado com um "sincero pedido de desculpas", mas o banqueiro acabou mesmo por ser despedido.

Gafes que custam milhões

Foram muitos os CEO que por uma brincadeira ou simples gafe viram o valor da sua empresa cair sem nada conseguirem fazer.

O caso mais recente foi da Tesla que, no dia 1 de abril, depois de Elon Musk ter anunciado no Twitter "a falência" da empresa, abriu o dia com uma queda nas ações de 6%, tendo encerrado a sesssão com cada título a valer 661 dólares. As ações recuperaram no dia seguinte, tendo aumentado para os 667 dólares.

"Apesar de esforços intensivos para angariar dinheiro, incluindo uma venda, em desespero, de Ovos da Páscoa, lamentamos noticiar que a Tesla está completa e totalmente falida. Está tão falida que vocês nem acreditam", anunciou o CEO da fabricante automóvel.

Tal foi o desastre que, segundo as contas da Bloomberg, a empresa perdeu nesse dia cerca de sete dólares por minuto.

Uma "pérola" que fez cair o valor da empresa e o nome do seu CEO

Em abril 1991, Gerald Ratner, CEO da joelheira britânica Ratners, seguiu um caminho semelhante a Musk, mas mais fatal. O executivo discursou após um jantar e em "jeito de brincadeira" falou sobre "a má qualidade dos nossos produtos".

Em 24 horas a queda nas ações fez a empresa perder cerca de 666,15 milhões de dólares, de acordo com a Reuters.


E 18 meses depois deste acontecimento, a tragédia levou à saída de Ratner da empresa, tendo a joelheira sido obrigada, em 1993, a mudar de nome para Signet Group.

Lição número um: Medir as palavras depois de um desastre

Algumas semanas depois do derramamento de petróleo em deepwater horizon em abril de 2010, Tony Hayward, então CEO da BP, teceu uma sére de comentários que não cairam bem na opinião pública e fizeram a petrolífera perder milhões, com a queda dos preços das ações.

Frases como "o Golfo do México é muito grande, pelo que o impacto ambiental desta situação será mínimo", levou o CEO a suplicar "só quero a minha vida de volta". Em outubro desse ano, Hayward saíu da empresa.

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