Mercados Venezuela torna-se hoje o primeiro país e emitir uma moeda digital

Venezuela torna-se hoje o primeiro país e emitir uma moeda digital

A Venezuela torna-se hoje o primeiro país a lançar a sua versão da bitcoin, uma moeda digital, numa iniciativa destinada a tentar sair da recessão e permitir a emissão de dívida, proibida pelas sanções económicas norte-americanas.
Venezuela torna-se hoje o primeiro país e emitir uma moeda digital
Reuters
Lusa 20 de fevereiro de 2018 às 15:23

As autoridades dizem que o 'petro', o nome da nova moeda digital, está sustentado nas reservas petrolíferas do país, as maiores do mundo, sendo portanto seguro para os investidores, mas os analistas recomendam extrema cautela.

"O meu conselho é lidarem com isto de forma muito cautelosa, especialmente por causa do historial do Governo venezuelano", disse o co-fundador da Signatura, Federico Bond, uma start-up argentina especializada em moedas digitais, numa referência aos incumprimentos financeiros do passado recente.


"Eles não estão numa boa posição para obter financiamento de qualquer outra maneira, portanto isto pode ser visto como uma medida desesperada", acrescentou o empresário.


O Departamento do Tesouro norte-americano, equivalente ao Ministério das Finanças nos governos europeus, avisou que quem investir nesta nova moeda pode estar a violar as sanções decretadas por Washington no ano passado.

No total, a Venezuela planeia emitir 100 milhões de unidades desta moeda digital, começando com uma pré-venda de 38,4 milhões que começa hoje e cujo preço de referência é o actual preço do barril de petróleo, cerca de 60 dólares.


"O petro vai ser um instrumento para estabilidade económica e independência financeira da Venezuela, juntamente com uma visão global e ambiciosa para a criação de um sistema financeiro internacional mais justo, mais livre e mais equilibrado", lê-se numa nota de 22 páginas em inglês, assinada pelo Governo de Nicolas Maduro e divulgada pela agência de notícias AP.


A bitcoin e outras moedas digitais já são comummente usadas na Venezuela como protecção contra a hiperinflação e são usadas para pagar tudo, desde uma visita ao médico até luas-de-mel, num país onde obter moeda estrangeira implica fazer transacções ilegais no mercado negro.

O uso de moedas digitais é também impulsionado pelo preço da electricidade, uma das mais baratas do mundo, e pelo desespero generalizado dos cidadãos, que enfrentam uma recessão económica maior do que a Grande Depressão dos anos 30 originada nos Estados Unidos.




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
Saber mais e Alertas
pub