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Volatilidade dos mercados está em mínimos, mas isso pode não ser bom

A volatilidade está em mínimos históricos nos mercados bolsistas e de divisas. O otimismo reina, mas as flutuações dos ativos são curtas e isso pode antecipar maus ventos.

Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 20 de Janeiro de 2020 às 08:00
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As cotações das ações estão em recordes, mas há um indicador que está em mínimos. A volatilidade nos mercados financeiros está neste momento em níveis muito baixos. Tal sugere cautela: é que é nestes momentos que sobe a probabilidade de haver um abanão repentino. 

O conceito de volatilidade define-se pelo grau de flutuação da cotação de um ativo. Esta é utilizada para estimar o risco, sendo que quanto maior for a volatilidade maior tende a ser risco.

Tanto os mercados bolsistas na Europa, de acordo com o índice VStoxx Index, como o mercado de divisas, de acordo com o índice JPMorgan Global FX Volatility - que monitoriza o mercado das opções para antecipar a variação das cotações -, estão em mínimos históricos, ultrapassando os níveis baixos que tinham sido alcançados em 2017. 

Além da diminuição da incerteza geopolítica com o atenuar do conflito EUA-Irão e o acordo comercial parcial entre os EUA e a China, a baixa volatilidade dos mercados é justificada pela política acomodatícia dos bancos centrais que tem garantido liquidez abundante e o crescimento gradual da economia nos últimos anos. 

Assim, se a volatilidade está baixa, não há razões para preocupação? Para os analistas consultados pela Bloomberg e para os analistas do BPI CaixaBank este período de bonança torna os mercados mais vulneráveis a tempestades fortes e repentinas. Exemplo disso é que a última vez que o VStoxx Index (ver gráfico) esteve tão baixo seguiu-se uma subida imediata da volatilidade e um 'sell-off' nas bolsas.


O lado negro da baixa volatilidade, (quase) sem precedentes, é que "os investidores comecam a comportar-se como se os ativos de alto risco como as ações nunca vão cair", explica Jane Foley, analista do Rabobank, à Bloomberg, referindo que este é o "clássico comportamento de bolha" nos mercados financeiros. Esta é uma tese corroborada pelo analista do Commerzbank, Ulrich Leuchtmann, que diz que também há um problema quando se verifica "demasiada calma". 

No diário de bolsa da passada sexta-feira, 17 de janeiro, os analistas do BPI alertavam para este potencial problema. "Apesar de a perceção em relação ao enquadramento bolsista ser positiva, alguns investidores temem que o rally dos mercados bolsistas se tenha excedido, numa ótica de curto prazo", apontavam, referindo que "um otimismo acentuado conduz os investidores a uma certa complacência, que conduz a um 'baixar da guarda'".

Dado que a volatilidade está em mínimos e esta tende para a média histórica (níveis mais elevados do que os atuais), caso a regra se confirme, "a volatilidade poderá sofrer um incremento", antecipam. Como os índices de volatilidades são usados pelos traders como uma unidade de risco, um aumento pode provocar uma reação em cadeia. Assim, "os principais índices tornam-se vulneráveis a deceções vindas da earnings season [época de resultados]", antecipam os analistas do BPI.

Também em 2017 se registou um nível de volatilidade baixo com alguns analistas a preocuparem-se este por fazer lembrar o período de 2007 que antecedeu a crise financeira. Na altura, a Bloomberg fez uma análise histórica à volatilidade e concluiu que cerca de dois terços das 40 bolhas de ativos financeiros rebentaram após "uma acalmia antes da tempestade". A lição é que nada dura para sempre, nem mesmo a volatilidade baixa.
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