Com juro a subir, certificados de aforro captam 537 milhões em abril
O apetite por certificados de aforro tem mais do que compensado a quebra na procura por certificados de Tesouro, que já têm menos de 7 mil milhões de euros das famílias.
A rentabilidade dos certificados de aforro subiu em abril e, com esta tendência, veio também uma aceleração do apetite dos investidores. Entraram, no mês passado, 537 milhões de euros nestes produtos de poupança do Estado, o valor mais elevado num ano.
Segundo dados divulgados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal, o "stock" total de certificados de aforro atingiu os 41.691,26 milhões de euros em abril, acima dos 41.153,65 milhões de euros em poupanças que estavam guardados nestes produtos no mês anterior. Desde setembro de 2024 que todos os meses tem entrado mais dinheiro do que aquele que sai.
Esta evolução positiva do saldo mensal dos certificados de aforro tem mais do que compensado os resgates nos certificados do Tesouro, que acontecem sucessivamente desde novembro de 2021. Em abril, o "stock" caiu mesmo pela primeira vez abaixo dos 7 mil milhões de euros. Após uma diminuição mensal de 193,55 milhões de euros, o "stock" ficou em 6.971,16 milhões de euros.
O apetite dos investidores por certificados de aforro acompanhou a evolução das taxas de juro. Após meses de ligeiras subidas e descidas, em abril, a taxa-base aumentou para 2,138%, acompanhando a evolução da Euribor. Determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, para vigorar durante o mês seguinte, a taxa-base dos certificados de aforro segue uma fórmula ditada pela média da Euribor a 3 meses nos 10 dias úteis anteriores (que não pode ser superior a 2,5% nem inferior a 0%).
A expectativa é que se mantenha a robustez dado que, em maio, este valor voltou a aumentar, para 2,195% e os mercados de futuros apontam para que a Euribor a três meses continue a subir, o que poderá voltar a colar a remuneração dos certificados de aforro ao limite máximo.
Além disso, o Governo voltou a mexer nas regras dos certificados de aforro e aumentou os limites máximos por aforrador. Desde final do mês passado que o montante que se pode deter de certificados da série F (a atual) subiu para 250 mil euros (de 100 mil euros), enquanto o acumulado com os certificados da série E é agora de 500 mil euros, face aos anteriores 350 mil.
(Notícia atualizada às 11:35)