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Quatro formas de investir em imobiliário sem comprar casa

Sob os holofotes dos investidores mundiais nos últimos três anos pelos piores motivos, o mercado imobiliário é considerado um pilar para a recuperação económica mundial e pode beneficiar com a consolidação da retoma. Para os investidores que estão dispostos a...

Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 12 de Março de 2010 às 09:28
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Sob os holofotes dos investidores mundiais nos últimos três anos pelos piores motivos, o mercado imobiliário é considerado um pilar para a recuperação económica mundial e pode beneficiar com a consolidação da retoma.

Para os investidores que estão dispostos a diversificar o seu investimento e a apostar neste segmento, há várias alternativas de investimento. Mas, depois das fortes subidas registadas no último ano, os especialistas recomendam cautela. Fundos de investimento, directos e indirectos, certificados ou, até, a compra de acções do sector, são algumas das formas que os aforradores nacionais dispõem para beneficiar com a evolução do imobiliário.





1. Fundos de imobiliário dão exposição directa

Se pretende obter um rendimento estável, através da exposição ao mercado imobiliário nacional, sem ter que comprar um imóvel, os fundos de imobiliário comercializados pelas gestoras nacionais representam a solução de investimento adequada a si. Estes produtos aplicam o capital em carteira directamente em activos de imobiliário, com grande parte do rendimento proveniente de rendas de escritórios e edifícios.

Apesar do clima de incerteza em torno do sector a nível global, os fundos de investimento imobiliário (FII) em Portugal conseguiram oferecer retornos positivos aos investidores nacionais durante a crise financeira, constituindo um rendimento estável para os aforradores. "Enquanto os fundos de acções tiveram perdas significativas, os FII mantiveram um rendimento mais ou menos estável", adiantou António Ribeiro, ao Negócios. O economista da Deco recomenda, por isso, este tipo de fundos para um investimento com um horizonte temporal superior a dois anos. No entanto, alerta para as comissões "pesadas" cobradas pelas entidades gestoras, nomeadamente de resgate, que nalguns casos podem chegar aos 6%.

De acordo com o último boletim da Proteste Poupança, os fundos de investimento imobiliário abertos renderam uma média de 3,5% em 2009, sem contabilizar o fundo BPN Imonegócios. A exclusão deste fundo é justificada pela "performance desastrosa (-18,8% nos últimos 12 meses), não por culpa do sector, mas devido à sobrevalorização dos móveis deste grupo financeiro".





2. A aposta indirecta com reflexo global

Além dos fundos de imobiliário das entidades nacionais, os investidores podem subscrever fundos de investimento de entidades internacionais que apostam em imobiliário. Neste caso, os fundos mantêm uma exposição mais diversificada a nível mundial e investem indirectamente neste segmento. É possível apostar em determinadas regiões, onde se esteja mais optimista.

Com a economia a recuperar, o sector imobiliário pode ser um dos segmentos beneficiados pela retoma. "Dentro de um ano, os problemas do imobiliário residencial deverão estar largamente para trás", defendeu Warren Buffett na sua carta anual aos accionistas da Berkshire Hathaway. Para Buffett, "os preços vão permanecer bem abaixo dos níveis de 'bolha', mas por cada vendedor ou arrendatário prejudicado, vai haver um comprador que beneficia".

Para a Direcção de Investimentos do Banco Best, "a evolução do mercado imobiliário é considerada, actualmente, pela generalidade dos analistas, como fundamental para a retoma económica". Ainda assim, lembra que "os mais recentes indicadores macroeconómicos parecem indicar uma retoma débil no sector, que está ainda dependente dos incentivos implementados pelo governo dos EUA".

Apesar do potencial de subida ser maior nestes fundos, que apostam a nível global, os riscos também são superiores. Além de estarem expostos a regiões com maior risco, há maior dificuldade em ter informações sobre a carteira de investimento.





3. FEI são alternativa para aposta mundial

No mercado nacional há, também, uma alternativa ao investimento directo. Os fundos especiais de investimento que investem em imobiliário permitem aos aforradores nacionais beneficiarem com a evolução do sector, quer a nível nacional, quer a nível global. A grande vantagem destes fundos é a maior diversificação do investimento.

Na maior parte dos casos, os FEI são fundos de fundos que investem no sector imobiliário. Tal como acontece com os fundos geridos por entidades internacionais, também os FEI investem em fundos que têm em carteira, na grande maior parte dos casos, REIT ("Real-estate Investment Trust"). "Os REIT são sociedades que detêm um conjunto de imóveis para arrendamento, não se dedicando habitualmente a actividades de construção e promoção imobiliária", explicou Gonçalo Gomes, da direcção de marketing do ActivoBank7.

De acordo com o mesmo responsável, "por lei, são obrigados a distribuir 85% a 100% do seu resultado anual aos accionistas, beneficiando em contrapartida de isenção do pagamento de impostos sobre o resultado apurado". Cotados em bolsa, os REIT transaccionam-se da mesma forma que uma acção, no entanto apresentam normalmente menor volatilidade, segundo o ActivoBank7.

Tal como aconteceu com as acções, também os REIT dispararam em bolsa no último ano. O índice MSCI US REIT sobe 116% em 12 meses, pelo que poderá registar correcções a curto prazo.





4. Invistir em acções do sector

O investimento em acções do sector imobiliário pode constituir uma alternativa de investimento interessante para investidores mais arrojados e que apenas pretendem apostar em algumas empresas do sector. Além de não terem que pagar comissões de gestão, subscrição e resgate, os investidores podem guardar exposição a algumas cotadas específicas do sector. No entanto, após a escalada dos títulos do sector em 2009, exige-se cautela e selecção.

"Na alternativa de investimento indirecto, o investidor pode comprar directamente os títulos, seja através da bolsa ou através de certificados que replicam um índice destas empresas", esclarece a Direcção de Investimentos do Banco Best. Ao investir directamente em acções, o investidor deve estar consciente dos riscos que caracterizam os mercados accionistas, bem como a volatilidade a que o seu património pode estar sujeito. Deste modo, é sempre recomendado um investimento a longo prazo, para minimizar os riscos de investimento.

Ao contrário dos fundos, as acções não têm associadas comissões. Ainda assim, há custos a suportar, nomeadamente de custódia de títulos.

Nos últimos 12 meses, o índice para o sector imobiliário do pan-europeu Dow Jones Stoxx 600 dispara perto de 69%. Um pouco como aconteceu com os sectores mais penalizados durante a crise financeira, as empresas do sector imobiliário dispararam nos últimos meses, com os investidores a apostarem na retoma da economia global.





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