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Taxa fixa ou variável? Vai valer a pena indexar o crédito à Euribor?

As taxas de juro estão em queda. A Euribor já está aos níveis de 2006. Compensa indexar o empréstimo a uma taxa variável? As nossas contas dizem que sim.

09 de Janeiro de 2009 às 06:00

Taxa fixa ou variável? Esta é uma questão que muitas vezes se coloca quando se decide contrair um empréstimo para comprar habitação. Regra geral, em altura de descida das taxas de juro as taxas variáveis, como a Euribor, tendem a compensar. Mas em época de subidas de juros, como se verificou nos últimos três anos, a taxa fixa é mais compensadora.

Se vai contrair um empréstimo este ano, tenha em atenção que as taxas fixas praticadas actualmente pelos bancos estão mais altas que as médias das taxas Euribor. O que significa que um empréstimo indexado a uma taxa fixa é actualmente mais caro. Por isso, nesta altura o melhor será optar por indexar o empréstimo à taxa Euribor. Mas gaste algum tempo a comparar para tentar poupar dinheiro.

O Negócios fez os cálculos. Quem contrair um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos, com um "spread" de 0,7% e optar por indexar o seu crédito à Euribor a seis meses vai pagar, em Janeiro, 481,17 euros, considerando a média mensal da Euribor de Dezembro (mês de referência para o cálculo dos juros no primeiro mês do ano). A revisão deste empréstimo ocorrerá em Julho e, segundo os juros contratados pelos bancos entre si nos mercados internacionais para o futuro, a Euribor a seis meses deverá rondar os 2,195%. Este valor corresponde a uma prestação de 415,96 euros.

No acumulado, em 12 meses uma família que tenha um empréstimo nestas condições pagará 5.382,78 euros (excluindo outros custos).

Já as taxas fixas a cinco anos praticadas pelos bancos, estão acima destes valores (ver tabela da pág. ao lado). Considerando a taxa fixa a cinco anos praticada pela CGD, que se encontra em 3,75%, um empréstimo nas condições anteriormente descritas corresponde a uma prestação mensal de 503,72 euros. Isto é, ao longo do ano, o encargo com o crédito seria de 6.044,64 euros, mais 661,86 euros , ou 12,3%, do que o empréstimo indexado à Euribor a seis meses.

Se o BCE continuar a descer os juros e os mercados financeiros continuarem a recuperar a confiança, tal como é esperado, as taxas Euribor deverão continuar a descer. E, apesar de as taxas fixas serem regularmente actualizadas pelas instituições, é de esperar que, no contexto económico actual, compense mais associar um empréstimo a uma taxa variável.

Mesmo que a economia europeia comece a recuperar este ano, e o BCE decida voltar a subir os juros (o que deverá implicar aumentos das taxas Euribor), poderá mais tarde renegociar com o banco e decidir indexar o empréstimo a outra taxa. Se não gosta de viver ao sabor da instabilidade dos mercados, poderá ainda optar por uma taxa fixa de longo prazo. Apesar de estarem mais altas e de nem todos os bancos praticarem prazos longos, poderá ser uma solução.

Quanto a alterações provenientes de renegociações com o banco, é aconselhável confirmar se há custos associados à mudança de condições. O Governo proibiu os bancos de cobrarem comissões de renegociação, mas o objectivo era o de ajudar as famílias a conseguirem soluções para diminuir os encargos com os empréstimos, sendo que não ficou explícito na legislação que tipo de alterações estão abrangidas, o que se tem revelado penalizador para os clientes.

Para onde vai a Euribor em 2009

As taxas Euribor atingiram níveis máximos históricos em Outubro de 2008, reflexo dos problemas de liquidez e de confiança no sector financeiro. Após várias medidas dos bancos centrais e dos governos europeus estas taxas começaram a recuar. E assim devem continuar, pelo menos até ao terceiro trimestre de 2009.

Os economistas, os bancos e os mercados estão a apostar que as taxas Euribor continuem a cair até ao Verão, porque continuam a acreditar que o Banco Central Europeu (BCE) vai voltar a descer a taxa de juro de referência para a Zona Euro.

Os futuros da Euribor a três meses revelam que as apostas apontam para que esta taxa se encontre próxima de 2% em Setembro. E os bancos estão a contratar, entre si, taxas Euribor a seis meses abaixo de 2,2% para Junho.

Ou seja, as taxas Euribor deverão continuar a cair nos próximos meses para reflectir os cortes de juros esperados pelo BCE e a recuperação da liquidez e da confiança entre o sistema financeiro.

A economista-chefe do BPI afirmou ao Negócios que não é de excluir que a Euribor recue para um nível em torno de 1,75% no terceiro trimestre de 2009 e isto considerando que a autoridade monetária vai cortar os juros para a Zona Euro para 1,50%, o que, caso se confirme, será o nível mais baixo desde a criação do BCE. Mas há economistas que acreditam que a autoridade monetária europeia vai descer os juros para um nível próximo de 0%, tal como nos EUA.

As perspectivas apontam, assim, para que as famílias continuem a sentir um alívio nos orçamentos, devido a redução dos encargos com o empréstimo à habitação.

Contudo, ainda está em aberto o desfecho do ano. Há economistas que acreditam que a recuperação económica ainda se vai sentir no final de 2009, na Europa, o que poderá levar a que o BCE tenha uma postura "menos expansionista" como dizem os economistas, que é o mesmo que dizer que o presidente da autoridade monetária, Jean-Claude Trichet, poderá anunciar uma subida de juros ainda este ano. Se se confirmar uma taxa inferior a 2%, como acreditam alguns economistas, Trichet deverá tentar elevar os juros o mais depressa possível.

Previsão de descida de juros torna mais atractivo indexar crédito à Euribor

Para as simulações, foi considerado um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos, com um "spread" de 0,7%. A taxa fixa usada foi facultada pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) e corresponde ao valor praticado na última semana de 2008. No caso da taxa variável, foi usada a média mensal da Euribor a seis meses, de Dezembro (que é o valor de referência para as revisões de Janeiro), e o valor dos juros negociados pelos bancos entre si para Junho de 2009 (referência para Julho). A conclusão é que, se as condições se mantiverem, a taxa variável torna-se menos dispendiosa.

Fonte: CGD; Bloomberg e cálculos do Negócios

Como estão as Taxas Fixas a cinco anos

O Negócios pediu aos cinco maiores bancos os valores das taxas fixas a cinco anos aplicadas na última semana de 2008 aos créditos para aquisição de casa. Eis os valores para as instituições que responderam.

Fonte: Bancos

Taxa fixa a 30 anos permite estabilidade

Nem todos os bancos têm taxas fixas para períodos muito longos, mas há instituições, como a Caixa Geral de Depósitos (CGD) que disponibilizam taxas fixas a 30 anos. Actualmente, esta taxa encontra-se em 4,05%, de acordo com fonte oficial do maior banco nacional, o que fica acima do valor pago por um empréstimo que estiver indexado a uma Euribor. Contudo, optar por esta solução representa estabilidade. Ou seja, durante 30 anos quem optar por esta solução saberá, ao certo, qual o custo mensal, sem se preocupar com as oscilações de juros nos mercados internacionais. Uma família que peça um empréstimo à habitação de 100 mil euros, a 30 anos, com um "spread" de 0,7% e que opte pela taxa fixa a 30 anos actualmente praticada pela Caixa, pagaria por mês 521,65 euros. Um valor que supera o montante a pagar no caso de recorrer a uma taxa variável ou a uma taxa fixa por um período menor, como se pode ver na tabela ao lado. Contudo, este cenário poderá mudar rapidamente: basta que as taxas Euribor voltem a subir.

Optar por uma taxa fixa compensou em 2008

Quem indexou o empréstimo a uma taxa fixa pagou menos cerca de 5% no ano passado

As subidas acentuadas das taxas Euribor ao longo de 2008 acabaram por encarecer os empréstimos para compra de habitação. Quem optou por uma taxa fixa acabou por ficar a ganhar: já com as subidas das taxas Euribor, no acumulado compensou ter uma taxa fixa.

No final de 2007, a taxa fixa a cinco anos praticada pelos bancos era superior a 4,5%, uma vez que se previa que o Banco Central Europeu (BCE) continuasse a subir os juros (o que se confirmou). O Negócios fez os cálculos: um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos, com um "spread" de 0,7%, indexado à taxa fixa a cinco anos da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que era, na última semana de 2007, de 4,53%, pagava por mês 550,97 euros. Ou seja, ao longo de 12 meses, uma família que tivesse um empréstimo nas condições descritas anteriormente gastou 6,61 mil euros com o empréstimo à habitação (excluindo outros custos além da taxa de juro base e do "spread").

Já uma família que tivesse um empréstimo com condições semelhantes mas indexado à Euribor a seis meses pagava em Janeiro 568,98 euros. E na revisão de Julho passou a pagar 587,58 euros. No total, o encargo com o crédito da casa foi de 6,93 mil euros durante o ano de 2008.

O que significa que quem optou por aquela taxa fixa pagou menos 327,72 euros do que se tivesse escolhido a Euribor a seis meses, ou seja, uma poupança de 5%. E esta tendência foi verificada pela generalidade das taxas fixas a cinco anos praticadas em Portugal.

Apesar de, no início do ano, as taxas fixas estarem mais altas que as taxas variáveis, ao longo de 2008 assistiu-se a aumentos das Euribor para níveis recorde, devido à instabilidade que se viveu nos mercados financeiros e por causa da subida de juros realizada pelo BCE em Julho. Só em Outubro é que esta tendência foi invertida e as Euribor começaram a recuar.

Num contexto de subidas de juro, regra geral, a opção pela taxa fixa torna-se menos dispendiosa, um factor que muda quando se vive num contexto de descidas de juros. Mas, quando se opta por uma taxa fixa, o que está em causa é, também, a certeza do valor que se paga durante o período contratado, assegurando-se uma salvaguarda da instabilidade dos mercados financeiros.

Taxa fixa torna empréstimos mais baratos em ciclo de descida de juros

Para as simulações foi considerado um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos, com um "spread" de 0,7%. A taxa fixa usada é a que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) praticava na última semana de 2007. No caso da taxa variável, foi usada a média mensal da Euribor a seis meses de Dezembro (que é o valor de referência para as revisões de Janeiro) e a de Junho (referência para Julho). A conclusão é que, em 2008, compensou escolher uma taxa fixa, com a poupança a superar os 300 euros ao longo de um ano.

Fonte: CGD; Bloomberg e cálculos do Negócios

Vantagens e inconvenientes da taxa fixa

Vantagens e inconvenientes da taxa fixa

Vantagens

As famílias que optam por indexar os seus empréstimos a uma taxa fixa sabem sempre qual é o valor da prestação no final do mês. Há estabilidade e não há surpresas.

Desvantagens

Em períodos em que as taxas de juro estão a descer, não há alterações nas prestações. A taxa é fixada durante um período e, até ao final da contratação, será pago o mesmo valor, mesmo que o preço do dinheiro baixe.

Vantagens e inconvenientes da taxa variável

Vantagens

Em alturas de descidas das taxas de juro, como a que se está actualmente a atravessar, estas taxas acompanham essa evolução, pelo que os encargos com o empréstimo vão diminuir.

Desvantagens

A incerteza é uma constante. As despesas mensais com o empréstimo sofrem alterações regularmente, nunca se sabendo ao certo o que se vai pagar na revisão seguinte do empréstimo.

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