Matérias-Primas Vale fecha 2015 com prejuízos e admite vender activos

Vale fecha 2015 com prejuízos e admite vender activos

A brasileira Vale passou de lucros a prejuízos no último ano, arrastada pela quebra dos preços dos metais e admite a venda de activos principais.
Vale fecha 2015 com prejuízos e admite vender activos
Bloomberg
Patrícia Abreu 25 de fevereiro de 2016 às 16:30

A mineira brasileira Vale do Rio Doce encerrou 2015 com perdas de 44,2 mil milhões de reais (10,11 mil milhões de euros), um resultado que compara com lucros de 954 milhões de reais um ano antes. A empresa vai avaliar a venda de activos.


Os prejuízos divulgados pela companhia são as maiores perdas reportadas por uma empresa com capital aberto no Brasil desde 1986, segundo dados da consultoria financeira Economática, citados pela Reuters. À semelhança do que está a acontecer com outras empresas, a Vale foi penalizada pela quebra dos preços das matérias-primas, pelo aumento das imparidades, bem como pela queda da moeda brasileira face ao dólar.


As receitas da companhia desceram para 26,047 mil milhões de reais, menos 12,189 mil milhões que em 2014. A forte quebra do volume de negócios é justificada pela desvalorização dos preços do minério de ferro, pelotas, níquel e outros metais no ano passado.


"Reconhecemos os desafios adicionais trazidos pelo declínio dos preços das matérias-primas e o seu impacto directo na nossa geração de fluxo de caixa. No entanto, estamos confiantes na nossa habilidade de ultrapassar esses tempos mais difíceis com base na nossa disciplina operacional e na coragem para executar as acções estratégicas que se fizerem necessárias", afirma a Vale no comunicado citado pela Globo.


Menos investimento


A mineira adiantou ainda que os investimentos atingiram 8,4 mil milhões de reais em 2015, menos 3,6 mil milhões que no ano anterior. E estes números poderão baixar ainda mais este ano.


A empresa adiantou que está a explorar opções mais agressivas para enfrentar os desafios que tem pela frente e reduzir a alavancagem, sendo a venda de activos uma das soluções em cima da mesa.


"Estamos a explorar opções mais agressivas para desalavancagem, incluindo (a venda de) activos 'core'", admitiu Murilo Ferreira, presidente da Vale, numa "conference call" com analistas.


O sector mineiro tem enfrentado períodos conturbados, fruto das baixas cotações das matérias-primas e da crise na China. Companhias como a Glencore, a Rio Tinto e a BHP Billiton têm avançado com programas de venda de activos e corte de dividendos para reduzir custos.

O último ano ficou ainda marcado por um desastre, numa das minas da Vale. O incidente resultou na inundação de várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, deixando quase 20 mortos e feridos, segundo o Globo. De acordo com a companhia, a produção de Mariana sofreu uma redução, mas foi compensada por outras minas. A empresa ainda reconhece que a Samarco teve despesas e destruição de activos, mas que esses impactos negativos "estão limitados à participação da companhia no capital social" da subsidiária.




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