OPEP+ não abre torneiras até ao final de março
Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (o chamado grupo OPEP+) concordaram em deixar inalterada a sua produção para março. A decisão, que já era esperada, foi tomada numa reunião que decorreu neste domingo, 1 de fevereiro.
Uma das maiores pressões sobre o mercado petrolífero, no ano passado, foi o facto de oito membros da OPEP+ que estavam a reter desde 2023 uma parte suplementar da sua produção terem decidido começar a abrir faseadamente as suas torneiras. A entrada deste crude adicional decorreu entre abril e dezembro e há ainda petróleo a devolver ao mercado no âmbito desta retenção voluntária da Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Koweit, Cazaquistão, Argélia e Omã. No entanto, como os preços da matéria-prima caíram bastante, a OPEP+ anunciou em novembro que no primeiro trimestre de 2026 não iria colocar petróleo extra na oferta global, sobretudo devido à menor procura sazonal – deixando para mais tarde essa entrada suplementar de barris.
PUB
E é isso mesmo que tem sido feito, apesar de os preços do crude estarem a recuperar. O Brent do Mar do Norte atingiu máximos de seis meses na passada quinta-feira, 29 de janeiro, nos 71,89 dólares por barril, devido aos receios de que os Estados Unidos lancem uma ofensiva militar contra o Irão – que é membro da OPEP.
De qualquer modo, existe muita especulação em torno de um excesso de oferta de crude em 2026, pelo que a prudência impera. O petróleo adicional colocado pelos referidos oito produtores no ano passado ascendeu a 2,9 milhões de barris por dia, o que corresponde a perto de 3% da procura mundial.
O comunicado deste domingo não fez qualquer referência ao que a OPEP+ poderá decidir a partir de março e esta ausência de “guidance” é relevante, considera Jorge Leon, ex-responsável da OPEP que é agora diretor de análise geopolítica na Rystad Energy. “Com o aumento da incerteza em torno das tensões entre o Irão e os EUA, o grupo petrolífero está a manter todas as opções em cima da mesa”, comentou à Reuters.
PUB
O Grupo dos Oito, de acordo com o comunicado, “continuará a monitorizar e avaliar de perto as condições do mercado”, reunindo-se mensalmente e mantendo-se preparado para ajustar a produção conforme necessário, em resposta aos fundamentos do mercado. As opções incluem reverter os aumentos de produção anteriores, manter os níveis de produção atuais e/ou continuar a reduzir os cortes de produção.
A reunião deste domingo do chamado Grupo dos Oito durou apenas seis minutos, o que constituiu um novo recorde e sugere que a decisão tinha amplo apoio de todos os membros, aponta Giovanni Staunovo, estratega de investimento do UBS, num “research” a que o Negócios teve acesso.
“Os desenvolvimentos no início de 2026 resultaram num mercado petrolífero mais restrito, o que fez subir os preços do Brent para a casa dos 70 dólares por barril. O tempo frio nos EUA sustentou a procura de petróleo e, ao mesmo tempo, também perturbou a produção petrolífera do país”, sublinha o estratega do banco suíço, especializado na análise de matérias-primas.
PUB
Ao mesmo tempo, “as interrupções no terminal de exportação do Consórcio do Oleoduto do Cáspio e uma falha de energia no campo petrolífero de Tengiz, no Cazaquistão, afetaram a produção e as exportações do Cazaquistão”, refere Staunovo, acrescentando que a produção de Tengiz está agora a ser gradualmente retomada.
As exportações de petróleo da Venezuela também foram consideravelmente menores em janeiro em comparação com dezembro, salienta o estratega do UBS. “Outros fatores que sustentaram os preços do petróleo foram o dólar americano amplamente mais fraco e a tensão geopolítica no Médio Oriente”, diz.
“No nosso entender, a menos que surjam novas interrupções no abastecimento, a esperada atenuação das perturbações nos EUA e no Cazaquistão deve resultar num mercado petrolífero com melhor abastecimento e pesar moderadamente sobre os preços do petróleo nas próximas semanas”, frisa ainda Giovanni Staunovo.
PUB
Além do Grupo dos Oito, também o Comité Ministerial Conjunto de Monitorização (JMMC) da OPEP+ esteve hoje reunido, tendo salientado a importância de alcançar o cumprimento total dos acordos de produção do cartel e seus aliados.
Os oito países que ainda têm crude para devolver ao mercado planeiam realizar a sua próxima reunião a 1 de março e o JMMC a 5 de abril.
Saber mais sobre...
Saber mais Produção preços Bom preço Mercado da energia Estados Unidos Cazaquistão Grupo do Rio UBS AG Jorge León Rystad EnergyMais lidas
O Negócios recomenda