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Petróleo mantém queda. Mas há quem considere manifestamente exagerados os receios de recessão

Durante a manhã, os preços ainda conseguiram recuperar em torno de 1%. Mas a retoma não foi duradoura.

Reuters
06 de Julho de 2022 às 17:05

Os preços do "ouro negro" estiveram a recuperar, durante a manhã, das fortes quedas de terça-feira, animados pelo facto de o Goldman Sachs e outros bancos de investimento de peso terem defendido que o tombo do petróleo face aos receios de recessão foi exagerado e que as perspetivas de consumo da China – o maior importador mundial de crude – melhoraram significativamente.

No entanto, foi sol de pouca dura e esses mesmos receios estão de novo a falar mais alto, com as cotações de novo no vermelho.

Em Londres, o Brent do Mar do Norte, que é a referência para as importações europeias, segue a ceder 2,65% para 106,52 dólares por barril, depois de ontem ter afundado 10,93%.

Já o West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, recua 3,02% para 96,50 dólares por barril.

Na sessão de ontem, o WTI chegou a mergulhar 10,14% e quebrou a barreira dos 100 dólares por barril – o que não acontecia desde maio.

A pressionar a negociação de ontem e de hoje continua a estar a elevada inflação e o aumento dos juros diretores por parte dos bancos centrais, fatores que continuam a alimentar os receios de uma rápida desaceleração económica que conduza a uma recessão – e, consequentemente, a uma queda da procura por esta matéria-prima.

Nem os reveses do setor energético na Europa compensaram estes receios no mercado petrolífero. Ontem, os trabalhadores petrolíferos e gasíferos da energética estatal norueguesa Equinor entraram em greve, o que levou ao encerramento de três campos petrolíferos no Mar do Norte e levou a uma forte subida dos preços do gás natural. Mas no petróleo não teve esse efeito. E entretanto, a greve na Noruega já foi cancelada.

Mas o que levou, então, a que as cotações do crude descessem tanto na sessão de ontem? "Entre as principais razões estão os receios de recessão, a redução da aposta no petróleo como cobertura contra a inflação, a valorização do dólar [os ativos denominados na nota verde, como é o caso do crude, ficam menos atrativos para quem negoceia noutras moedas], a reação dos fundos de cobertura de risco à dinâmica negativa dos preços do petróleo e os receios em torno das novas restrições à circulação na China devido à covid-19", sublinha Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS, num "research" a que o Negócios teve acesso.

Staunovo chama a atenção para o facto de o Brent ter caído ontem 10,73 dólares – naquela que foi a maior queda absoluta do preço desde que os contratos de futuros começaram a ser negociados, em 1988.

No entender do analista do banco suíço, os fundamentais específicos do petróleo continuam a apontar para um mercado apertado – com a oferta a não acompanhar o aumento da procura, numa altura em que a ‘driving season’ está em força – e, por isso, o UBS reitera as suas previsões para os preços.

Segundo as estimativas do banco suíço, os preços do crude deverão continuar a subir, dado que a oferta deverá ficar aquém do crescimento da procura que se espera para os próximos meses. Para o UBS, o Brent deverá estar a transacionar nos 125 dólares no final do ano.

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