Petróleo em queda acentuada. Ouro avança com cautela de olho no Médio Oriente
Ouro avança com cautela após sinais de paz no Médio Oriente
O ouro está a negociar em território positivo, numa altura em que a reabertura do estreito de Ormuz no curto prazo volta a estar em cima da mesa e os investidores reavaliam os impactos da guerra na inflação. Uma descida sustentada nos preços do petróleo aliviaria as pressões inflacionistas em grande escala e daria à Reserva Federal (Fed) norte-americana e a outros bancos centrais espaço para retirar os juros de terreno restritivo.
A esta hora, o metal amarelo acelera 0,99% para 4.561,50 dólares por onça, tendo chegado a avançar mais de 1,6% - apagando por completo as perdas da semana passada. No entanto, o ouro ainda está longe dos níveis em que negociava antes do estalar do conflito no Médio Oriente e, apesar do otimismo crescente, ainda há dúvidas se o acordo de paz entre EUA e Irão vai realmente materializar-se.
Para já, e de acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim, as negociações ainda podem cair por terra, apesar de Donald Trump ter indicado que o acordo com Teerão está "amplamente negociado e aguarda finalização". Os EUA estarão a mostrar alguma resistência em relação ao descongelamento de ativos iranianos - uma exigência do regime de Mojtaba Khamenei, que tem procurado aliviar as sanções internacionais sobre o seu país.
"Os mercados já viram várias vezes as declarações de Trump esmorecerem e darem em nada. Os investidores precisam de ver provas mais concretas de cooperação por parte do Irão antes de confirmarem uma subida", afirma Justin Lin, analista da Global X ETFs, à Bloomberg, explicando assim a reação "relativamente moderada" do ouro.
O desencadear do conflito no Médio Oriente mergulhou o mundo na pior crise energética da história recente e levou os investidores a anteciparem apertos monetários por todo o mundo. Na sexta-feira, e pela primeira vez, os mercados incorporaram uma subida de 25 pontos base nas taxas de juro por parte da Fed até ao final do ano. O ouro tende a desvalorizar neste cenário, uma vez que não rende juros.
Petróleo afunda 6% e volta a negociar abaixo dos 100 dólares
O conflito ainda não terminou, mas os sinais de avanços estão a ser suficientemente positivos para levar os preços do petróleo a negociar novamente abaixo dos 100 dólares por barril. O crude chegou a cair mais de 6% esta segunda-feira, tendo entretanto reduzido ligeiramente as perdas, numa altura em que os investidores se mostram mais confiantes - mas ainda um pouco cautelosos - em relação a uma possível reabertura do estreito de Ormuz.
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Acordo à vista deixa Ásia e Europa em alta. Japão atinge novo máximo e ultrapassa os 65 mil pontos
As principais praças asiáticas encerraram a primeira sessão da semana com ganhos, impulsionadas pelas negociações de paz entre EUA e Irão, que estão a deixar os dois países bastante próximos de alcançar um acordo de paz e de reabrir o estreito de Ormuz - via marítima vital para o comércio global, por onde passava 20% de todo o petróleo consumido no mundo.
O MSCI Asia Pacific, "benchmark" para a região asiática, está neste momento a acelerar 1,4%, numa sessão marcada por um menor volume de negociação, uma vez que várias praças estão ou vão estar encerradas - incluindo Hong Kong, Londres, Seul e Wall Street. Pela Europa, a negociação de futuros aponta para uma abertura em alta, com o Euro Stoxx 50 a ganhar quase 1%.
O otimismo levou ainda o japonês Nikkei 225 a ultrapassar os 65 mil pontos e atingir um novo máximo histórico. O índice encerrou a sessão com ganhos de quase 3%, impulsionado não só pelo avanços nas negociações no Médio Oriente, mas também por um "rally" nas ações de inteligência artificial (IA), que já tinha começado na sexta-feira em território norte-americano e chega esta segunda-feira à Ásia.
No domingo, representantes norte-americanos afirmaram que os EUA e Irão estavam bastante próximos de alcançar um acordo para pôr fim a um conflito que está prestes a entrar no seu quarto mês. As conversações prendem-se agora com a linguagem a ser utilizada em alguns pontos considerados chave e a aprovação final do mesmo pode ainda demorar vários dias, avisam.
No entanto, a agência noticiosa iraniana Tasnim alerta que o acordo pode ainda cair por terra, acusando os EUA de estarem a obstruir algumas cláusulas fundamentais - incluindo a exigência de Teerão de que os seus ativos sejam desbloqueados. Para já, Donald Trump, Presidente norte-americano, diz que um acordo com o regime iraniano está "amplamente negociado e aguarda finalização", embora tenha informado os seus representantes "para não se apressarem" e para irem com "calma".
"Penso que os mercados estão cautelosamente otimistas em relação às novidades sobre o Médio Oriente, daí esta ligeira tendência para o risco", explica Nick Twidale, analista-chefe de mercados da AT Global Markets, à Bloomberg. "Trump já passou de 'acordo iminente' para uma atitude de 'não tenho pressa' este fim de semana. Por isso, penso que as hipóteses estão novamente empatadas em 50/50 quanto a este acordo, embora seja obviamente positivo que estejam a negociar", acrescenta.
Entre as restantes praças asiáticas, o tailandês Taeix atingiu um novo máximo e ultrapassou pela primeiras vez os 43 mil pontos, encerrando com ganhos próximos de 3%. Já o australiano S&P/ASX 200 acelerou 0,45%, enquanto o chinês Shanghai Composite saltou 0,71%.
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