Petróleo recua para os 107 dólares após "Projeto Liberdade" de Trump. Ouro perde terreno
Iene ganha terreno com especulação sobre intervenção de autoridades para conter queda da moeda
O iene está a negociar com valorizações nesta manhã, alimentando especulações sobre uma nova onda de compras por parte do Governo e do Banco do Japão para travar a desvalorização prolongada da divisa. Na passada sexta-feira, o Nikkei – gestor da bolsa de Tóquio - revelou que as autoridades do país intervieram no mercado cambial depois de o dólar se ter fixado acima dos 160 ienes.
Neste contexto, o dólar cede 0,08% para os 156,890 ienes. A divisa nipónica tem estado sob pressão há anos, primeiro devido às taxas de juro baixas do país, depois devido aos receios de que a primeira-ministra Sanae Takaichi mantivesse os custos de financiamento artificialmente baixos para financiar a despesa pública e, mais recentemente, devido ao aumento dos custos de importação de petróleo.
Noutros pontos, o índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – ganha 0,04% para os 98,192 pontos.
Por cá, o euro negoceia inalterado nos 1,172 dólares, enquanto a libra recua 0,10% para os 1,357 dólares. Tanto o Banco Central Europeu, como o Banco de Inglaterra mantiveram os juros inalterados na reunião da semana passada, à semelhança do que foi também decidido pelo Banco do Japão e pela Reserva Federal norte-americana.
Ouro perde terreno com preocupações sobre inflação. Negociação reduzida pressiona
O ouro está a negociar com quedas contidas na sessão desta segunda-feira, com um menor volume de negociação devido a feriados no Japão, China continental e Reino Unido, enquanto os “traders” seguem de perto os desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente e as perspetivas para a inflação.
A esta hora, o ouro cai 0,55%, para os 4.588,680 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso cede 0,74%, para os 74,809 dólares por onça.
No plano da política monetária, a Reserva Federal (Fed) norte-americana manteve as taxas de juro inalteradas dada uma crescente preocupação com a inflação decorrente da guerra no golfo Pérsico. Responsáveis do banco central dos EUA afirmaram que o choque nos preços do petróleo decorrente da guerra com o Irão significa que a Reserva Federal deve deixar claro que já não pode inclinar-se para cortes nas taxas de juro, sendo possível um aumento dos custos de financiamento no futuro.
O aumento dos preços do petróleo poderá incentivar os bancos centrais a manterem as taxas de juro mais elevadas por mais tempo, o que pressiona ativos que não rendem juros, como é o caso do ouro.
No plano geopolítico, o Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as forças armadas do país iriam começar a ajudar navios comerciais a navegar pelo estreito de Ormuz, estando os mercados à espera de ver se a medida servirá para repor os fluxos energéticos através da via marítima.
Crude cede ligeiramente com planos de Trump para escoltar navios por Ormuz
Os preços do petróleo negoceiam com ligeiras desvalorizações nesta segunda-feira, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que os Estados Unidos (EUA) iriam libertar os navios comerciais retidos no estreito de Ormuz devido ao bloqueio iraniano, operação que deverá mobilizar mais de 100 aeronaves, contratorpedeiros, drones e 15 mil efetivos militares.
A missão, denominada, segundo Trump, "Projeto Liberdade", terá início na segunda-feira, informou o chefe de Estado norte-americano, no domingo, numa mensagem na rede social Truth Social, depois de "países de todo o mundo" terem solicitado a ajuda dos EUA para permitir a passagem segura dos respetivos navios.
Nesta medida, o Brent – de referência para a Europa –, cede 0,45%, para os 107,68 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – recua 0,40% para os 101,53 dólares por barril.
Noutras matérias-primas, o gás natural negociado na Europa cede 1,30%, para os 45,17 euros por megawatt-hora.
Apesar dos esforços para repor a navegação pelo estreito de Ormuz, a ausência de um acordo de paz entre os EUA e o Irão mantém o crude acima dos 100 dólares por barril, dada a incerteza sobre o que se seguirá no conflito.
Noutros pontos, no domingo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) revelou que irá aumentar as metas de produção de petróleo em 188 mil barris por dia em junho para sete membros, o terceiro aumento mensal consecutivo e idêntico ao acordado para maio, deduzida a quota dos Emirados Árabes Unidos, que abandonaram a OPEP na passada sexta-feira. No entanto, o volume mais elevado de produção e o respetivo escoamento dependerá se a guerra no Irão continuar a perturbar o abastecimento de petróleo do Golfo através do estreito de Ormuz.
Ásia fecha em alta com impulso das tecnológicas. Coreana SK Hynix dispara 12%
Os principais índices asiáticos fecharam em alta, impulsionados por uma recuperação das cotadas do setor tecnológico, especialmente as ligadas à inteligência artificial (IA), enquanto uma queda dos preços do crude serviu igualmente para impulsionar o sentimento do mercado.
Pelo Japão e pela China continental, as praças bolsistas estiveram encerradas devido a feriados nacionais. Já por Taiwan, o TWSE pulou 4,57%, tendo atingido um novo máximo histórico nos 40.755,52 pontos. O Hang Seng de Hong Kong valorizou 1,58%. Quanto à Coreia do Sul, o Kospi disparou 4,83%, tendo atingido um novo recorde de 6.920,95 pontos.
O índice regional MSCI Ásia-Pacífico subiu mais de 2%, ficando a um passo de atingir o seu último máximo histórico, alcançado a 27 de fevereiro, véspera do estalar da guerra entre os Estados Unidos (EUA) e Israel contra o Irão.
Noutros pontos, o petróleo Brent oscilou e segue agora a ceder menos de 1%, para cerca de 107 dólares por barril. As flutuações nos preços do “ouro negro” ocorreram depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que os EUA começariam a orientar os navios não envolvidos no conflito com o Irão a atravessar o estreito de Ormuz a partir de segunda-feira. No entanto, um alto responsável iraniano afirmou que Teerão consideraria qualquer interferência dos EUA no estreito uma violação do cessar-fogo, de acordo com uma reportagem da AFP.
Ainda no plano geopolítico, o republicano descreveu as conversações com Teerão como “muito positivas”, depois de o Irão ter recebido a resposta de Washington à sua mais recente proposta para pôr fim à guerra, ainda que Trump tenha reiterado que os pontos apresentados não serão suficientes para se chegar a um entendimento entre as partes.
“Os mercados estão atualmente a ter um bom desempenho devido a esta negociação impulsionada pela IA ou ao entusiasmo impulsionado pela IA”, disse à Bloomberg Dilin Wu, do Pepperstone Group. “Mas esta agitação geopolítica, bem como o elevado preço do petróleo, são sempre um obstáculo. Por isso, eu estaria cautelosamente otimista em relação ao mercado asiático em geral”, acrescentou o mesmo especialista.
O tema da IA voltou a estar em destaque, impulsionado, também, pelo acordo de cessar-fogo do mês passado entre os EUA e o Irão, que acalmou os ânimos dos investidores quanto a um conflito prolongado no Médio Oriente. O índice de referência das ações asiáticas subiu mais de 13% em abril, recuperando quase todas as perdas registadas em março.
Nesta medida, as ações da SK Hynix dispararam mais de 12% nesta segunda-feira, enquanto as da TSMC subiram quase 7%. Já a Samsung pulou mais de 5%. Na mesma medida, um índice que agrega cotadas tecnológicas chinesas cotadas em Hong Kong subiu mais de 3%.
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