Europa no vermelho com resultados da dona da Louis Vuitton a eclipsarem ASML. Ouro perto dos 5.300 dólares
Juros aliviam na Zona Euro após comentários de Kocher
Trump afunda "nota verde" e leva euro a negociar acima dos 1,20 dólares
Petróleo praticamente inalterado perto de máximos de quatro meses
Ouro ultrapassa os 5.200 dólares com Trump a ajudar
Ásia renova recordes. Resultados da ASML dão ímpeto à Europa
Europa no vermelho com resultados da dona da Louis Vuitton a eclipsarem ASML
As principais praças europeias estão a negociar maioritariamente em território negativo, com os maus resultados da dona da Louis Vuitton a eclipsarem uma euforia no setor tecnológico, provocada pelas encomendas acima das expectativas registadas pela ASML - a maior empresa do Velho Continente.
A esta hora, o Stoxx 600, "benchmark" para a negociação europeia, cai 0,41% para 610,59 pontos, apesar de até ter chegado a negociar em território positivo esta manhã. O setor dos produtos de consumo, do qual a LVHM faz parte, é o principal fator de pressão para as ações da região neste momento, enquanto o setor mineiro e o tecnológico estão a conseguir amparar as quedas do principal índice do Velho Continente.
As principais praças europeias têm tido alguma dificuldade em encontrar novos catalisadores para romperem com a turbulência que afetou os mercados financeiros na semana passada. O Stoxx 600 continua a negociar perto dos máximos históricos atingidos a meados de janeiro, mas não tem conseguido escapar do intervalo limitado em que tem vindo a negociar desde segunda-feira. No entanto, os analistas acreditam que o cenário pode mudar no curto prazo. "O setor tecnológico deverá impulsionar ainda mais os mercados, pelo que a recuperação ainda não terminou", antecipa Claudia Panseri, diretora de investimentos da UBS Wealth Management, à Bloomberg.
Um novo catalisador pode ainda vir do outro lado do Atlântico, com a Reserva Federal (Fed) norte-americana a terminar uma reunião de dois dias esta quarta-feira. Não se esperam novas mexidas nas taxas de juro, mas os investidores vão estar atentos à conferência de imprensa de Jerome Powell à procura de pistas sobre o futuro da liderança do banco central - numa altura em que a independência da autoridade monetária parece estar ameaçada pela atual administração dos EUA.
Entre as principais movimentações de mercado, a ASML chegou a avançar 7,5% para um novo máximo de 1.309 euros, tendo entretanto reduzido os ganhos para 4,17%, depois de a tecnológica ter registado um recorde de encomendas em torno dos 13,2 mil milhões de euros no quarto trimestre do ano passado - um valor que fica bastante acima das previsões dos analistas, que apontavam para apenas 6,32 mil milhões. A empresa reviu ainda em alta o "guidance" para 2026 e anunciou que ia despedir 1.700 pessoas.
Já a LVMH cai afunda 4,63% para 545,50 euros, depois de ter visto os seus lucros caírem em termos homólogos 13% para 10.878 milhões de euros no ano passado. A queda foi, em parte explicada pela redução nas vendas, que recuaram 5% no ano passado para 80.807 milhões de euros - uma queda que a empresa atribui à evolução da taxa de câmbio das moedas nos diferentes mercados em que opera.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX cai 0,32%, o espanhol IBEX 35 perde 0,703%, o italiano FTSEMIB desliza 0,54%, enquanto o britânico FTSE 100 desvaloriza 0,15%. Por sua vez, o francês CAC-40 lidera as perdas, ao cair 1,07%, enquanto o neerlandês AEX destoa da tendência, ao ganhar 0,81%, impulsionado pela ASML.
Juros aliviam na Zona Euro após comentários de Kocher
Os juros das dívidas da Zona Euro estão a aliviar esta quarta-feira, com os investidores a aumentarem as expectativas em torno de um corte nas taxas de juro este ano por parte do Banco Central Europeu (BCE), depois de o governador austríaco, Martin Kocher, ter afirmado ao Financial Times que a autoridade monetária poderia ter de agir caso o euro continue a valorizar.
"Se o euro continuar a valorizar-se cada vez mais, em algum momento isso poderá criar, naturalmente, uma certa necessidade de reagir em termos de política monetária", afirmou ao jornal britânico. "Não por causa da taxa de câmbio em si, mas sim porque essa taxa de câmbio se traduz em menos inflação, e isso, obviamente, é uma questão de política monetária", acrescentou Kocher.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aliviam em 1,5 pontos-base para 2,857%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade perde 1,3 pontos para 3,422%. Já em Itália, os juros das obrigações a dez anos deslizam 1,3 pontos para os 3,452%.
Pela Península Ibéria, regista-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a cair 1,7 pontos-base para 3,204% e as espanholas a perderem 1,5 pontos para 3,214%. Portugal vai esta quarta-feira ao mercado para emitir nova dívida a cinco e nove anos. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP vai realizar um leilão duplo de obrigações do Tesouro, com o qual pretende captar até 1.500 milhões de euros.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, estão a negociar inalterados nos 4,524%.
Trump afunda "nota verde" e leva euro a negociar acima dos 1,20 dólares
Pela primeira vez desde 2021, o euro conseguiu quebrar a barreira dos 1,20 dólares. As políticas erráticas de Trump têm deixado o dólar numa posição de fraqueza e os mais recentes comentários de que a "nota verde" está a ir "lindamente" pressionaram ainda mais a divisa. Leia a notícia completa aqui.
Petróleo praticamente inalterado perto de máximos de quatro meses
O barril de petróleo está a negociar praticamente inalterado esta quarta-feira, com o foco dos investidores desviado para o dólar e para o ouro, numa altura em que o mercado ainda está a digerir as ameaças de Donald Trump, Presidente dos EUA, ao regime iraniano liderado por Ali Khamenei.
A esta hora, o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – ganha 0,08%, para os 62,44 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – segue a desvalorizar 0,1% para os 67,50 dólares por barril. Os dois contratos acabaram por acelerar mais de 3% na sessão anterior, atingindo o valor mais alto desde setembro, depois de o líder norte-americano ter reiterado que há uma "grande armada" a caminho do Médio Oriente.
Trump diz esperar não a ter de usar, mas cresce assim a pressão sobre o regime iraniano - que tem enfrentado grande contestação popular e sido acusado de matar milhares de protestante. As tensões têm injetado o petróleo com um prémio de risco que levou a matéria-prima a inverter a tendência depressiva do ano passado, uma vez que o Irão é um dos grandes produtores de crude mundiais.
"A venda massiva do dólar americano está a impulsionar o petróleo, juntamente com as preocupações persistentes em relação ao Irão", explica Warren Patterson, diretor de estratégia de commodities do ING Groep, à Bloomberg. "Também estamos a observar uma grande força nos 'timespreads', o que coloca em causa a visão amplamente defendida de que existe um excedente" no mercado, acrescenta.
Para já, a Agência Internacional de Energia prevê que a oferta de petróleo exceda a procura em 2,5 milhões de barris por dia em 2026. A reversão dos cortes na produção de crude no ano passado da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+), grupo do qual o Irão faz parte, contribuiu para o cenário, bem como a nova política dos EUA de "drill baby drill".
Ouro ultrapassa os 5.200 dólares com Trump a ajudar
É mais um recorde para o ouro. O metal precioso conseguiu ultrapassar a marca dos 5.200 dólares esta quarta-feira, poucos dias depois de ter "furado" os 5 mil - mas, desta vez, mais impulsionado por um dólar mais fraco do que por uma corrida a ativos de refúgio e redução da exposição ao risco.
Já depois de a "nota verde" ter atingido mínimos de quatro anos face a um cabaz de divisas concorrentes, onde se inclui o euro, Donald Trump veio afirmar que não está preocupado com as desvalorizações da divisa norte-americana. "O dólar está lindamente", defendeu esta terça-feira o Presidente dos EUA, com os investidores a conjeturarem a hipótese de a Casa Branca querer uma moeda mais fraca para impulsionar a competitividade das exportações do país.
A esta hora, o ouro avança 2,08% para 5.287,75 dólares por onça, muito próximo do novo máximo histórico de 5.292,143 dólares. Estes ganhos seguem-se a uma valorização de 3,4% no dia anterior, aquele que foi o melhor dia para o metal amarelo desde que Donald Trump, Presidente dos EUA, apresentou a sua nova política comercial ao mundo no infame "dia da libertação". Desde o arranque do ano, o ouro já acelerou mais de 20%.
Também os restantes metais preciosos estão a beneficiar com a fraqueza da "nota verde", com a prata a acelerar 2,33% para 114,69 dólares por onça, depois de ter conseguido fixar um novo máximo histórico nos 117 dólares na segunda-feira. Também a platina e o paládio estão a negociar em alta.
As ações da administração Trump têm sido o principal motor do "rally" do ouro este ano. Desde as ameaças tarifárias à Europa que levaram a uma guerra diplomática por causa da Gronelândia até à intervenção na Venezuela que culminou na captura de Nicolás Maduro, o metal amarelo tem servido de reserva de valor e beneficiado de um aumento das tensões geopolíticas a nível global.
Nesta terça-feira, numa análise no programa do Negócios no canal NOW, Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, explicou por razão não parece haver uma sobrevalorização do ouro.
"Honestamente, não me surpreende esta subida do ouro. Surpreende-me mais a velocidade, a rapidez com que o tem feito, do que a tendência (...) Isto não se trata de uma bolha clássica, é uma mudança estrutural no sistema monetário internacional. Ou seja, o ouro, a meu ver, volta a reassumir o seu papel histórico como reserva de valor num mundo cada vez mais fragmentado. (...) Desde a guerra da Ucrânia, entrou um novo paradigma na negociação do ouro. Deixou de ser tanto um ativo financeiro e passou a ser também, cada vez mais, um ativo geopolítico".
Ásia renova recordes. Resultados da ASML dão ímpeto à Europa
Foi mais uma sessão de recordes para a Ásia. O índice MSCI AC Asia Pacific Index acelerou mais de 1% esta quarta-feira, com as principais praças da região a serem impulsionadas pelas tecnológicas, numa altura em que os investidores aumentam a exposição ao setor em atencipação aos resultados de quatro das "sete magníficas" já esta semana. Pela Europa, a negociação de futuros aponta para uma abertura em alta, depois de a ASML ter apresentado resultados ao mercado e ter conseguido bater as previsões de encomendas dos analistas.
As atenções estão agora todas viradas para a Reserva Federal (Fed) norte-americana. O banco central deve manter as taxas de juro inalteradas, mas, mais do que mudanças na política monetária, os investidores vão estar à espera de pistas sobre o futuro da própria entidade e da sua liderança. Isto numa altura em que a Fed se movimenta sob a sombra da ameaça à sua própria independência, com o Departamento de Justiça dos EUA a investigar Jerome Powell.
Pela China, o Hang Seng de Hong Kong liderou os ganhos regionais, ao avançar quase 2,4%, beneficiando da sua grande exposição ao setor tecnológico. Já o Shanghai Composite terminou a sessão com ganhos mais modestos, ao crescer apenas 0,27%.
Já no Japão, o Kospi contrariou a tendência das restantes praças asiáticas e encerrou a negociação no vermelho, ao perder 0,79%. Por sua vez, o Nikkei, que passou grande parte da sessão em território negativo, conseguiu acelerar na reta final e acabar na linha d'água, com ganhos de 0,05%. Ambos os índices acabaram por ser penalizados pela valorização do iene face ao dólar, uma vez que as empresas japonesas são grandes exportadoras e uma divisa mais forte tende a deixá-las menos competitivas.
A "nota verde" já estava a negociar em mínimos de quatro anos contra o euro, quando Donald Trump, Presidente dos EUA, veio afirmar que não estava preocupado com o desempenho do dólar e que a moeda estava "lindamente". Em reação, os investidores acabaram por se afastar ainda mais da divisa norte-americana, numa altura em que a Casa Branca parece querer um dólar mais fraco para tornar as exportações mais competitivas.
"A administração Trump está a assumir um risco calculado", explica Win Thin, economista-chefe do Bank of Nassau 1982, à Bloomberg. "O mercado cambial é o principal indicador do desconforto do mercado em relação às políticas e às perspetivas económicas de um país, por isso vale a pena ficar atento a esta fraqueza do dólar", acrescenta.
Pela Coreia do Sul, o Kospi atingiu novos máximos históricos, ao acelerar 1,69%, com o Presidente dos EUA a adotar um tom mais conciliador em relação às suas mais recentes ameaças tarifárias contra o país. "Vamos conseguir chegar a algum acordo", disse numa conferência de imprensa na Casa Branca.
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