Europa acaba no vermelho mas tem melhor semana em um ano. Lufthansa cai mais de 3%
Juros agravam-se na Zona Euro sem fim da guerra à vista
Dólar ganha com subida do crude e maior procura enquanto ativo-refúgio
Ouro e prata desvalorizam com dólar mais forte e subida dos preços do crude
Norte-americano WTI ultrapassa europeu Brent e aproxima-se dos 115 dólares por barril
Trump e petróleo voltam a atirar Wall Street para o vermelho. Energéticas ganham terreno
Taxa Euribor desce a seis e a 12 meses e sobe a três meses
Europa de regresso às perdas com Trump a prometer endurecer guerra. Lufthansa cai quase 4%
Juros disparam na Zona Euro. Investidores incorporam três subidas nos juros por parte do BCE
Dólar reforça com Trump a prometer escalar o conflito no Irão
Ouro afunda mais de 4% apesar de escalada do conflito iminente
Petróleo dispara mais de 7% após Trump prometer escalar o conflito no Médio Oriente
Discurso de Trump prega rasteira aos investidores e atira Ásia e Europa para perdas avultadas
Europa acaba no vermelho mas tem melhor semana em um ano. Lufthansa cai mais de 3%
As bolsas europeias terminaram a sessão maioritariamente no vermelho, à exceção das praças portuguesa e britânica, pressionadas pelas declarações de Donald Trump, Presidente dos EUA, de que vai intensificar a ofensiva no Irão durante mais semanas - sem adiantar prazo.
No entanto, perdas maiores foram contidas por uma notícia de que o Irão estará a elaborar um protocolo com Omã para monitorizar o tráfego pelo estreito de Ormuz.
Neste contexto, o índice de referência para a Europa, o Stoxx 600, desceu 0,18% para 596,63 pontos, tendo, contudo, terminado a semana com uma valorização de 3,7% - o maior aumento desde 18 de abril de 2025. Vários setores, incluindo saúde e imobiliário, passaram a apresentar resultados positivos na última sessão antes de um fim de semana prolongado, na sequência da notícia da agência estatal iraniana IRNA sobre o plano de Ormuz.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perdeu 0,56%, o espanhol IBEX 35 cedeu 0,14%, o italiano FTSEMIB desvalorizou 0,2%, o francês CAC-40 desceu 0,24%, ao passo que o neerlandês AEX desceu 0,09%. Em contraciclo, o britânico FTSE 100 registou ganhos de 0,69%.
As ações do setor energético e dos serviços públicos mantiveram os ganhos registados anteriormente, com as grandes petrolíferas Shell e BP entre as que mais contribuíram para o índice de referência, subindo até 4% e 5%, respetivamente.
Um cabaz de ações de companhias aéreas europeias do UBS Group AG registou uma queda acentuada, com a Lufthansa a recuar até 5,4% depois de o Morgan Stanley ter revisto em baixa a classificação da ação devido ao risco de custos de combustível mais elevados por mais tempo, causados pelo conflito no Médio Oriente. As ações acabaram por ceder 3,42%, no mesmo dia em que entregou uma proposta não vinculativa pela TAP.
Noutros mercados, a Stellantis superou as outras fabricantes de automóveis depois de a empresa ter iniciado conversações com o seu parceiro chinês, a Zhejiang Leapmotor Technology Co., para fabricar veículos elétricos no Canadá. A empresa saltou mais de 4%
Juros agravam-se na Zona Euro sem fim da guerra à vista
Os juros das dívidas soberana dos países da Zona Euro registaram agravamentos esta quinta-feira, numa altura em que os investidores voltam a vender as obrigações do bloco, com a escalada de tensões no Médio Oriente a pressionar os mercados financeiros, que não veem um fim do conflito em breve.
No discurso na noite desta quarta-feira, o Presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu prolongar os ataques ao Irão por mais semanas, reavivando os receios de uma subida da inflação e, por consequência, das taxas de juro do Banco Central Europeu.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, ganharam 0,7 pontos base para 2,990%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade somou 0,9 pontos para 3,677%. Já em Itália, os juros aumentaram 2,1 pontos para os 3,847%.
Pela península Ibérica, registou-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a agravar-se 0,8 pontos base para 3,409%. A rendibilidade das obrigações espanholas, por sua vez, aumentou 1,2 pontos, para 3,470%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, subiram 0,4 pontos base, para 4,829%. Nos EUA, os juros das Treasuries contrariam a tendência e caem 1,6 pontos-base para 4,303%.
Os especialistas consultados pela Bloomberg explicam que, quanto mais os preços do petróleo sobem, mais os investidores temem que o choque provoque uma recessão, afetando o mercado bolsista e levando o dinheiro para as obrigações.
“Há semanas que escrevemos aos nossos clientes que isto se vai tornar numa história de crescimento”, afirmou Gregory Faranello, diretor de taxas dos EUA na Amerivet Securities. Embora a inflação suba primeiro, “o mercado de títulos do Tesouro dos EUA tomou consciência de que, a longo prazo, se os preços da energia subirem ou se mantiverem elevados, a economia irá sofrer", acrescentou.
Dólar ganha com subida do crude e maior procura enquanto ativo-refúgio
O dólar negoceia com valorizações na sessão de hoje, com a “nota verde” a ser impulsionada por uma maior procura enquanto ativo-refúgio, assim como por uma subida dos preços do petróleo nos mercados internacionais.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – avança agora 0,39%, para os 100,043 pontos.
Num discurso durante a noite de ontem, o Presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu ataques mais agressivos contra o Irão e deu poucas garantias quanto à reabertura do estreito de Ormuz, o que está a provocar uma subida dos preços do petróleo e levou os investidores a procurarem refúgio na “nota verde”.
Nesta medida, face ao iene, o dólar negoceia com uma subida de 0,41%, para os 159,470 ienes.
Já pela Europa, o euro perde 0,51%, para os 1,153 dólares, tendo perdido mais de 2% face à “nota verde” durante o mês de março. Já a libra cede 0,55%, para os 1,321 dólares. Ambas as regiões dependem de importações de crude, pelo que o escalar dos preços tem vindo a afetar a negociação da moeda única e da libra em relação ao dólar.
Ouro e prata desvalorizam com dólar mais forte e subida dos preços do crude
O ouro e a prata estão a negociar em baixa nesta tarde, à medida que o dólar e os preços do petróleo valorizam depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que os Estados Unidos (EUA) continuarão os ataques ao Irão, o que suscitou receios quanto à inflação e reforçou as expectativas de subida das taxas de juro.
A esta hora, o ouro perde 2,10%, para os 4.658,670 dólares por onça, já depois de ter atingido um máximo de duas semanas no início da sessão. No que toca à prata, o metal precioso cede 4,52%, para os 71,686 dólares por onça.
Trump afirmou ontem num discurso que as forças armadas dos EUA estão próximas de cumprir os seus objetivos no Irão, mas não apresentou um calendário claro para o fim da guerra que já dura há um mês e prometeu bombardear o país de volta à “Idade da Pedra”.
Na sequência disso, os preços do petróleo seguem a escalar, reduzindo a margem de manobra dos bancos centrais para reduzir as taxas de juro. E apesar do seu estatuto enquanto ativo-refúgio, o ouro tende a ter um pior desempenho num ambiente de taxas diretoras mais altas, uma vez que não rende juros. Desde o estalar do conflito, o ouro já caiu cerca de 13%.
O sentimento do mercado também foi afetado pela notícia de que as reservas de ouro do Banco Central da Turquia diminuíram em mais de 69 toneladas métricas, para 702,5 toneladas na semana passada, elevando a queda nas últimas duas semanas para mais de 118 toneladas, numa altura em que as autoridades procuram atenuar o impacto da guerra no mercado.
Norte-americano WTI ultrapassa europeu Brent e aproxima-se dos 115 dólares por barril
O petróleo de referência para os EUA chegou a disparar quase 14% esta sexta-feira e ultrapassou a marca dos 110 dólares por barril, num dia em que os investidores estão a digerir a mais recente ameaça de Donald Trump de escalar o conflito no Médio Oriente. Também o crude de referência para a Europa - o Brent - está a registar ganhos avultados, embora em menor escala do que o West Texas Intermediate (WTI), aproximando-se dos 110 dólares.
Numa comunicação ao país, o Presidente dos EUA descreveu a guerra no Irão como um sucesso e afirmou que o país está muito próximo de atingir todos os seus objetivos militares, reafirmando que o conflito vai acabar no curto prazo. No entanto, os investidores estão a preferir focar-se na ameaça de escalada, com Trump a prometer atacar com "muita força" o Irão nas próximas duas a três semanas.
A esta hora, o WTI acelera 12,96% para 113,10 dólares por barril, tendo chegado a escalar 13,83% para 113,97 dólares - ultrapassando a cotação do Brent, que acelera 8,19% para 109,44 dólares por barril, negociando bastante próximo dos máximos intradiários atingidos neste início de tarde. Na sessão anterior, os preços tinham afundado, com o Brent a negociar abaixo dos 100 dólares, depois de o Presidente norte-americano ter prometido acabar com a guerra "dentro de duas a três semanas".
"Estes últimos desenvolvimentos reforçam a ideia de que o conflito deverá prolongar-se para além de abril e, talvez de forma mais preocupante para os operadores do setor energético, sem qualquer perspetiva realista de normalização do tráfego marítimo através do estreito de Ormuz", refere Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, num comentário enviado ao Negócios. "Neste contexto, podemos esperar a continuação da volatilidade nos mercados, com os preços a flutuarem à medida que a narrativa da administração norte-americana sobre a guerra vai alternando entre uma postura agressiva e uma abordagem mais construtiva", acrescenta.
Trump manifestou-se ainda convicto de que, assim que a guerra contra o Irão terminar, o estreito de Ormuz "abrir-se-á naturalmente" - até porque a República Islâmica precisa da venda de petróleo para se reconstruir, diz. A retoma da livre circulação de embarcações nesta via marítima tem sido uma das principais preocupações dos investidores, numa altura em que os países do Golfo Pérsico não têm conseguido escoar o petróleo nas suas reservas, reduzindo grandemente a oferta de crude no mercado.
Trump e petróleo voltam a atirar Wall Street para o vermelho. Energéticas ganham terreno
Os principais índices norte-americanos negoceiam com perdas depois de duas sessões consecutivas de avanços, à medida que os preços do petróleo sobem de forma expressiva, depois de comentários de Donald Trump terem levado a uma nova onda de pessimismo entre os investidores quanto à duração da guerra no Médio Oriente.
O “benchmark” S&P 500 perde 1,24%, para os 6.493,74 pontos. Já o Nasdaq Composite cai 1,72%, para os 21.465,76 pontos. O Dow Jones, por sua vez, desvaloriza 1,31% para os 45.957,91 pontos.
O West Texas Intermediate – de referência para os Estados Unidos (EUA) - chegou a disparar cerca de 14%, para quase 114 dólares por barril, depois de Trump ter aproveitado um discurso para indicar que está disposto a avançar com medidas mais agressivas contra o Irão, ao mesmo tempo que não apresentou planos concretos para reabrir o estreito de Ormuz.
Expectativas de que os preços do petróleo se irão manter elevados por mais tempo estão a levar os “traders” a renovar apostas de que a Reserva Federal (Fed) vai assumir uma política monetária mais restritiva ao longo do ano.
“Este mercado simplesmente não é controlável”, disse à Bloomberg Laurent Lamagnere, vice-presidente executivo da Alphavalue, em Paris. “Estamos realmente preocupados com os efeitos de segunda ordem, não só nos preços do petróleo, mas também na oferta de petróleo; por exemplo, as companhias aéreas a reduzir destinos, com consequências graves para o turismo”, acrescentou.
Já para Russ Moud, da AJ Bell, o petróleo “raramente desceu abaixo dos 100 dólares por barril desde a sua subida inicial”, sublinhou o especialista à agência de notícias financeiras. “Isto pode ser um indicador mais preciso da situação atual do que os últimos movimentos nos índices globais, uma vez que o mundo se vê obrigado a enfrentar uma situação em que cerca de 20% do abastecimento mundial está interrompido”.
Nesta linha, ações de empresas de petróleo e gás, como a Venture Global (+4,02%), a Exxon Mobil (+2,90%) e a Chevron (+3,36%), seguem a recuperar terreno. Por outro lado, cotadas dos setores do turismo, de mineração e semicondutores caíram.
A Blue Owl Capital (-4,02%) voltou a limitar os resgates de mais dois dos seus fundos de crédito privado após enfrentar um aumento repentino nos pedidos de levantamento, com investidores a procurarem retirar cerca de 5,4 mil milhões de dólares de dois dos seus principais fundos. Nesta medida, a Blue Owl afirmou ter limitado os levantamentos a 5% em ambos os veículos de investimento.
Hoje conheceram-se ainda novos dados do mercado laboral norte-americano, sendo que os pedidos iniciais de subsídio de desemprego caíram inesperadamente na semana terminada a 28 de março. Diminuíram em 9 mil pedidos em relação à semana anterior, situando-se em 202 mil na quarta semana de março, valor bastante inferior à estimativa do mercado, de 212 mil.
É expectável que os investidores reduzam as suas posições em ações antes do fim de semana prolongado, uma vez que muitos mercados estarão fechados durante quatro dias, o que poderá influenciar a negociação nesta quinta-feira.
Quanto às “big tech”, a Nvidia cai 1,98%, a Apple desvaloriza 1,68%, a Microsoft recua 0,85%, a Alphabet perde 2,19%, a Amazon cede 2,30% e a Meta tomba 2,89%.
Taxa Euribor desce a seis e a 12 meses e sobe a três meses
As taxas Euribor desceram a seis e 12 meses e subiram a três meses hoje, face a quarta-feira.
Na Euribor a 12 meses, a descida face à véspera foi de 0,046 pontos, para 2,799%, enquanto na Euribor a seis meses houve uma redução de 0,030 pontos, para 2,458%.
Apesar das descidas de hoje, estas duas taxas continuam acima do valor médio registado no mês de março, quando atingiram médias de 2,322% e 2,565%, respetivamente, nos prazos intermédio e mais longo.
Já a três meses, houve uma subida de 0,028 pontos face a quarta-feira, para 2,103%. Esta taxa continuou abaixo da média verificada no mês passado, que se cifrou nos 2,109%.
Segundo dados divulgados esta semana pelo Banco de Portugal (BdP), a Euribor a 12 meses, que foi a mais utilizada durante quase dois anos, até abril do ano passado, representou, em fevereiro, 36,5% do montante das novas operações com taxa variável, enquanto a Euribor a três meses subiu para 9,5%. As novas operações com Euribor a seis meses representaram mais de metade (50,6%).
Quanto ao 'stock' total de crédito à compra de habitação própria permanente, no final de fevereiro, 39,2% estava indexado à Euribor a seis meses, 31,7% à Euribor a 12 meses e 24,8% à Euribor a três meses.
Em 19 de março, o BCE manteve as taxas diretoras, de novo, pela sexta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 29 e 30 de abril em Frankfurt, Alemanha.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Europa de regresso às perdas com Trump a prometer endurecer guerra. Lufthansa cai quase 4%
Os principais índices europeus estão a negociar, na sua maioria, com perdas superiores a 1%, interrompendo uma série de três dias de ganhos, depois de Donald Trump, Presidente dos EUA, ter prometido uma escalada no conflito no Irão. Uma guerra prolongada significa que o estreito de Ormuz vai continuar bloqueado, levando o petróleo a negociar acima dos 100 dólares e mergulhando o mundo numa nova crise energética - com claros impactos na inflação e na política monetária dos bancos centrais.
A esta hora, o Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação europeia - cai 1,01% para 591,66 pontos, depois de se ter aproximado dos 600 pontos na sessão anterior pela primeira vez desde o estalar do conflito no Médio Oriente. As tecnológicas registam o pior desempenho a nível setorial, vivendo o pior dia desde inícios de fevereiro, seguidas pelo setor dos recursos minerais, que acompanham as quedas observadas no mercado dos metais preciosos.
Já o setor do "oil&gas" é dos poucos que avança, beneficiando da escalada dos preços do petróleo, que voltaram a negociar bastante acima da barreira dos 100 dólares por barril esta sessão. Esta madrugada, o Presidente norte-americano dirigiu-se à nação e prometeu atacar com "muita força" o Irão nas próximas duas a três semanas, ameaçando a República Islâmica com uma escalada ainda mais significativa caso o país não chegue a um acordo.
"Este mercado é simplesmente incontrolável", afirma Laurent Lamagnere, vice-presidente executivo da Alphavalue, à Bloomberg. "Sem uma mudança de regime no Irão, não vemos como é que o petróleo poderá circular livremente pelo estreito de Ormuz, pelo que não vemos qualquer solução a curto prazo para esta crise", acrescenta, numa altura em que esta via marítima, pode onde passa um quinto do crude e gás natural consumidos no mundo continua bloqueada.
Entre as principais movimentações de mercado, a alemã Lufthansa cai 3,78% para 7,47 euros, pressionada pela subida dos preços do "jet fuel"e pela decisão do Morgan Stanley de diminuir a recomendação dada à companhia aérea, citando os riscos da guerra no Médio Oriente nas contas da empresa. Por sua vez, a Shell e a BP aceleram 3,27% e 4,70%, respetivamente, beneficiando da escalada dos preços do petróleo.
Quanto aos resultados por praça, o alemão DAX perde 1,52%, o espanhol IBEX 35 cai 1,24%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 1,07%, o francês CAC-40 cede 0,8%, ao passo que o neerlandês AEX desliza 0,85% e o britânico FTSE 100 recua apenas 0,19%.
Juros disparam na Zona Euro. Investidores incorporam três subidas nos juros por parte do BCE
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro voltaram a disparar esta sexta-feira, após terem registado uma sessão de alívios no dia anterior, numa altura em que os investidores já não estão tão certos de que o conflito no Médio Oriente vai acabar no curto prazo. Esta madrugada, Donald Trump dirigiu-se à nação e, ao contrário do que os mercados antecipavam, prometeu atacar com "muita força" o Irão nas próximas duas a três semanas.
O prolongar do conflito está a levar os investidores praticamente a incorporarem três aumentos de 25 pontos base nas taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE) nos preços. Quanto mais tempo a guerra demorar, mais tempo o estreito de Ormuz estará encerrado e os preços do petróleo vão refletir esse bloqueio, uma vez que por esta via marítima passa um quinto do crude e dos gás natural consumido no mundo.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, de referência para a região, aceleram 3,7 pontos base para 3,020%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade agrava-se em 5,9 pontos para 3,728%. Por Itália, a subida é de 7,9 pontos para 3,905%.
Pela Península Ibérica, os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, saltam 5,3 pontos base para 3,454%, enquanto, em Espanha, a "yield" da dívida com a mesma maturidade avança 6 pontos para 3,518%.
Fora da Zona Euro, segue-se a mesma tendência, com os juros das "Gilts" britânicas a dispararem 5,8 pontos base para 4,883%.
Dólar reforça com Trump a prometer escalar o conflito no Irão
O dólar está a negociar em território positivo esta quinta-feira, impulsionado pelas palavras de Donald Trump que voltou a prometer uma escalada do conflito no Médio Oriente. O discurso do líder norte-americano acabou por surpreender os investidores, uma vez que, um dia antes, o Presidente dos EUA tinha indicado que a guerra deveria acabar "dentro de duas a três semanas".
Trump não abandonou este prazo, mas prometeu atacar o Irão com "muita força". "Vamos atacá-los com extrema dureza nas próximas duas a três semanas. Vamos mandá-los de volta à Idade da Pedra, onde pertencem. Entretanto, as negociações continuam", afirmou o Presidente norte-americano, acrescentando ainda que, "se não houver acordo, vamos atacar cada uma das suas centrais elétricas com muita dureza e, provavelmente, em simultâneo".
Com estas novas ameaças e uma possível retaliação do Irão, os investidores estão a reduzir as probabilidades de o conflito acabar no curto prazo. Neste contexto, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da divisa norte-americana face aos seus principais concorrentes - avança 0,34%, reforçando a posição da "nota verde" como o ativo de refúgio predileto dos investidores nesta guerra.
"Trump não conseguiu tranquilizar os mercados quanto ao facto de que a guerra irá acalmar a partir de agora e de que os EUA vão ajudar a garantir o acesso ao estreito de Ormuz", explica Carol Kong, estratega do Commonwealth Bank of Australia, à Bloomberg. "A realidade é que os recursos militares dos EUA continuam a aumentar na região, mantendo viva a possibilidade de uma ofensiva terrestre. Isso significa que o dólar continuará a ser bem cotado no curto prazo", afirma.
Por sua vez, o euro recua 0,48% para 1,1533 dólares e a libra cede 0,66% para 1,3217 dólares. Já a divisa norte-americana avança 0,48% para 159,58 ienes, aproximando a moeda nipónica dos 160 ienes, considerado o habitual nível de intervenção por parte das autoridades japonesas. Esta semana, o vice-ministro das Finanças para Assuntos Internacionais do Japão, Atsushi Mimura, veio avisar que o Japão está a considerar tomar "medidas decisivas" para apoiar o iene.
No mercado dos criptoativos, a bitcoin acompanha as perdas registadas pelas principais moedas do mundo face ao dólar, tendo chegado a cair 2,9% para 66.500 dólares esta sexta-feira. Apesar desta queda, a moeda digital tem conseguido manter-se firme face aos impactos da guerra e, ao contrário da grande maioria dos ativos de risco, conseguiu fechar março com uma valorização de 2%.
Petróleo dispara mais de 7% após Trump prometer escalar o conflito no Médio Oriente
Donald Trump prometeu uma nova escalada no conflito do Médio Oriente e os preços do petróleo responderam em conformidade. O barril de crude voltou a disparar esta sexta-feira e a negociar bem acima dos 100 dólares, com os investidores a anteciparem que, afinal, a guerra no Irão pode não ter uma resolução no horizonte, prolongando as disrupções no estreito de Ormuz - uma das vias marítimas mais importantes do comércio global, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) consumido no mundo.
Em reação, o Brent - de referência para a Europa - chegou a disparar 7,11% para 108,35 dólares por barril, tendo entretanto reduzido os ganhos para os 107,92 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - ganha 6,35% para 106,48 dólares, negociando bastante próximo dos máximos da sessão. Na sessão anterior, os preços tinham afundado, com o Brent a negociar abaixo dos 100 dólares, depois de o Presidente norte-americano ter prometido acabar com a guerra "dentro de duas a três semanas".
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