Europa fecha mista com fuga das tecnológicas para setores defensivos. Petróleo recua
"Yields" das obrigações europeias aliviam à medida que investidores procuram refúgio
Ouro sobe sustentado pelo alívio dos juros da dívida norte-americana
Dólar recua apesar de preços na produção e vendas a retalho acima do esperado nos EUA
Petróleo recua após AIE anunciar libertação mais rápida de 100 milhões de barris
Wall Street em terreno misto à medida que "sell-off" dos semicondutores continua
Euribor sobe a três, a seis e a 12 meses
Tecnológicas dividem Europa entre subidas e descidas. ASML cai mais de 5%
Juros afundam na Europa e nos EUA após "sell-off" nas tecnológicas. "Yield" francesa cai mais de 11 pontos
Maior procura por obrigações norte-americanas pressiona dólar
Ouro avança quase 1% e recupera das quedas das sessões anterior
Petróleo cai mais de 1% após previsões de uma procura mundial em queda
"Sell-off" nos semicondutores não estanca e pinta Ásia de vermelho. Kospi afunda mais de 8%
Europa fecha mista com fuga das tecnológicas para setores defensivos
Os principais índices bolsistas europeus fecharam a sessão em terreno misto, esta quinta-feira, com os investidores a procurarem setores defensivos numa altura em que o "sell-off" global nas tecnológicas acelera.
O índice Stoxx 600, de referência para a Europa, avançou 0,38% para 640,16 pontos. Entre as principais praças, o britânico FTSE 100 destacou-se ao subir 1,08% para 10.840,35 pontos, seguido do francês CAC 40, que valorizou 0,78% para 7.934,70 pontos, e do alemão DAX, que somou 0,33% para 25.382,62 pontos.
Em sentido contrário, o italiano FTSE MIB recuou 0,72% para 49.397,55 pontos, o espanhol IBEX 35 cedeu 0,28% para 19.177,70 pontos e, em Lisboa, o PSI caiu 0,44% para 9.373,82 pontos.
Os setores defensivos europeus estiveram entre os que mais subiram, com as empresas de alimentação a valorizarem 2,38% e as telecomunicações a somarem 1,79%.
As tecnológicas acompanharam a queda das fabricantes de chips a nível global, com o setor a recuar 1,48%. A ASML e a Infineon afundaram mais de 4% cada.
Roland Kaloyan, responsável de estratégia para as ações europeias do Société Générale, afirmou que as características defensivas da Europa estão a proporcionar "uma correlação negativa interessante" face às tecnológicas, com o setor farmacêutico a funcionar como um "estabilizador natural das carteiras".
A suíça Novartis (+2,64%) e a britânica AstraZeneca (+3,24%) estiveram entre as ações que mais contribuíram para a subida do Stoxx 600 nesta sessão, com o setor da saúde a valorizar 2,38%. Destacou-se também o desempenho da Ericsson, que subiu quase 7% após ter divulgado um crescimento orgânico de vendas de 7% no terceiro trimestre. Em sentido contrário, os setores mais sensíveis ao crescimento económico recuaram, com a banca a cair 0,89%, a energia a descer 0,68% e os bens industriais a cederem 0,21%.
O mais recente "sell-off" nas tecnológicas foi desencadeado pelos dados divulgados na quarta-feira nos EUA, que mostraram uma aceleração da inflação. Os números levaram os operadores a reforçarem as apostas em novas subidas das taxas de juro por parte da Reserva Federal.
As bolsas europeias têm tido dificuldade em regressar aos máximos históricos atingidos em agosto, e as atenções estão viradas para o arranque da época de resultados, para avaliar se os lucros das empresas vão conseguir sustentar uma subida até ao final do ano.
"Yields" das obrigações europeias aliviam à medida que investidores procuram refúgio
As "yields" da dívida soberana na Europa aliviaram de uma forma generalizada, esta quinta-feira. Os investidores têm procurado refúgio nas obrigações, em alerta para a continuidade de um "sell-off" das tecnológicas.
O juro da dívida alemã a 10 anos, referência para a Zona Euro, aliviou 5,5 pontos-base para 3,410%, enquanto o da dívida francesa recuou 8,8 pontos para 4,791%, a maior descida entre os principais mercados europeus.
Em Portugal, a "yield" a 10 anos aliviou 6,1 pontos base para 3,874% e, em Espanha, desceu 7 pontos para 4,016%, ao passo que, em Itália, recuou 6,8 pontos para 4,482%. Fora da Zona Euro, o juro das obrigações britânicas a 10 anos aliviou 5,0 pontos para 5,373%.
Os investidores estão agora atentos às declarações do presidente da Reserva Federal (Fed), Kevin Warsh, que fala na reunião do Fundo Monetário Internacional em Banguecoque, na Tailândia, na madrugada de sexta-feira (hora em Portugal continental). Estarão em busca de sinais sobre se a Fed poderá subir as taxas de juro ainda este mês, depois de os dados divulgados esta semana terem mostrado que as pressões inflacionistas persistem.
Ouro sobe sustentado pelo alívio dos juros da dívida norte-americana
O ouro está a valorizar-se, sustentado pela descida dos juros das obrigações do Tesouro norte-americano, numa altura em que os investidores procuram refúgio nas obrigações após um "sell-off" nas ações.
O metal amarelo está a subir 1,21%, para 4.155,09 dólares por onça, enquanto a prata também avança 2,51%, para 56,99 dólares por onça.
Os juros das obrigações do Tesouro norte-americano, que dispararam na quarta-feira com os dados que mostraram a maior subida dos preços no consumidor nos EUA desde abril, inverteram grande parte desse movimento esta quinta-feira, com a forte queda das ações, liderada pelas tecnológicas, a impulsionar a procura por ativos de refúgio.
A subida do ouro foi sustentada pelos juros das obrigações "numa montanha-russa", afirmou Christopher Wong, estratega do Oversea-Chinese Banking Corporation (OCBC), citado pela Bloomberg.
Ainda assim, o metal precioso continua a enfrentar ventos contrários. Na quarta-feira, os operadores reforçaram as apostas de que a inflação acima do esperado possa levar a Reserva Federal (Fed) a voltar a subir os juros ainda este mês. Custos de financiamento mais elevados são negativos para o ouro, que não rende juros.
O ouro desvalorizou mais de um quinto desde o início da guerra entre os EUA e o Irão, no final de fevereiro, que abalou o abastecimento energético e desencadeou inflação e aperto monetário a nível global. A subida da inflação geral, conhecida na quarta-feira, deveu-se em grande parte à escalada dos custos dos combustíveis, mas as pressões subjacentes sobre os preços também aumentaram.
O presidente da Reserva Federal de Chicago, Austan Goolsbee, considerou os dados "desanimadores" e alertou que a construção de infraestruturas ligadas à inteligência artificial (IA) pode também estar a sobreaquecer a economia. Acrescentou ainda que é cedo para saber se os juros estão, neste momento, suficientemente altos para cumprir a meta de inflação de 2% do banco central.
Os investidores vão estar atentos às últimas pistas sobre política monetária do presidente da Fed, Kevin Warsh, antes de o banco central entrar no período de silêncio que começa no sábado e antecede a reunião de 27 e 28 de outubro. Kevin Warsh deverá falar nas reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Banguecoque, na sexta-feira de madrugada (hora em Portugal continental)
Dólar recua apesar de preços na produção e vendas a retalho acima do esperado nos EUA
O índice do dólar da Bloomberg recua 0,2%, depois de recuperar parte das perdas da sessão. O movimento seguiu a divulgação dos dados dos preços no produtor e das vendas a retalho nos Estados Unidos, ambos os valores acima do esperado. Entretanto, a “yield” das obrigações do Tesouro norte-americano a dez anos cai 13 pontos base para 5,05%.
O euro chegou a subir 0,5% para 1,1209 dólares e a libra esterlina avança 0,5% para 1,3252 dólares. Face à moeda japonesa, o dólar recua 0,4% para 157,97 ienes. Já o franco suíço valoriza 0,93%, com o dólar a cair para 0,8272 francos.
Em setembro, os preços no produtor nos EUA subiram ao ritmo mais rápido em mais de quatro anos, com as vendas a retalho a superarem as estimativas. No entanto, os resultados pouco alteram as apostas dos investidores de que a Reserva Federal manterá os juros elevados durante mais tempo.
“Os sinais de uma acumulação generalizada das pressões sobre os preços vão dar aos ‘falcões’ muitas munições para a reunião de outubro”, afirmou uma equipa do Canadian Imperial Bank of Commerce (CIBC), citada pela Bloomberg.
Já na Zona Euro, Primoz Dolenc, governador do Banco da Eslovénia e membro do Conselho do BCE, considera que um aperto das condições financeiras pode limitar a necessidade de uma ação de política monetária.
No Japão, Junko Koeda, membro do conselho do Banco do Japão (BoJ), defendeu que o banco central “não deve tornar-se excessivamente cauteloso quanto à subida da taxa de juro de referência”, reforçando a expectativa de um novo aumento dos juros nos próximos meses. Os swaps overnight apontam para uma probabilidade de 87% de uma subida até dezembro.
*Tomás Cardoso Lima, editado por Pedro Curvelo
Petróleo recua após AIE anunciar libertação mais rápida de 100 milhões de barris
O preço do petróleo está a recuar, com a venda generalizada de ações a afastar os investidores de apostas de maior risco e a buscarem refúgio noutros ativos, numa altura em que a Agência Internacional de Energia anunciou que os seus membros vão acelerar a libertação de 100 milhões de barris de crude ainda pendentes de um acordo anunciado em março para libertar, ao todo, 400 milhões de barris.
Ao início da tarde, o Brent, crude de referência para a Europa, cai 0,71% para os 105,38 dólares por barril, depois de ter subido 1,3% nos últimos três dias. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, avança 1,56% para os 96,65 dólares por barril.
O Presidente Donald Trump tem procurado travar os preços elevados dos combustíveis nos Estados Unidos, com os custos da energia a figurarem entre as principais preocupações dos eleitores, a um mês das eleições intercalares.
"O petróleo parece estar a ser arrastado pelo movimento mais amplo de aversão ao risco nos mercados", afirmou Emily Ashford, responsável de investigação em energia do Standard Chartered Bank, à Bloomberg. "No entanto, o mercado físico de petróleo continua tenso, e os riscos para o abastecimento do Médio Oriente certamente não desapareceram".
Nos últimos dias, os custos de transporte nas principais rotas têm descido, o que permite aos compradores transportar barris a custos mais baixos. Com a escassez global de petroleiros a fazer subir os custos de transporte, a administração Trump está a estudar o alívio das sanções a navios da chamada "frota sombra" que transportaram petróleo e derivados de países como a Rússia, o Irão e a Venezuela.
Wall Street em terreno misto à medida que "sell-off" dos semicondutores continua
Wall Street abriu a sessão desta quinta-feira em terreno misto, com o "sell-off" nas ações ligadas à inteligência artificial (IA) a acelerar e a empurrar os investidores para o refúgio da dívida soberana norte-americana.
O S&P 500 desce 0,41%, o Nasdaq Composite cai 1,88% e o Dow Jones, em sentido contrário, avança 0,46%.
Os dados económicos dos EUA divulgados na quarta-feira e nesta quinta-feira alteraram pouco as apostas de que a Reserva Federal (Fed) vai manter os juros elevados durante mais tempo. Os preços no produtor subiram ao ritmo mais rápido em mais de quatro anos, as vendas a retalho superaram as previsões e a inflação homóloga acelerou para 3,7%.
As fabricantes de chips afundam, depois de os resultados da Anthropic terem sugerido um abrandamento do ritmo de crescimento, ainda que este se tenha mantido robusto. A Nvidia, a Intel, a Marvell e a Micron registam quebras no arranque da sessão, a rondar os 4%. A CoreWeave, fornecedora de infraestrutura de computação para IA, prolonga a descida e cai mais de 7%, depois de ter fechado a sessão de quarta-feira com uma queda superior a 15%.
"A venda de ações do setor tecnológico continua a alimentar fluxos de refúgio para o mercado de obrigações do Tesouro e a pressionar os juros para baixo", afirmou Vail Hartman, da BMO Capital Markets, citado pela Bloomberg.
A subida das tecnológicas tem vindo a abrandar nos últimos tempos, mas o peso desproporcionado do setor na valorização também tem preocupado os investidores ao longo do ciclo de negociação em alta. O S&P 500 mais do que duplicou desde o mínimo de 2022, embora apenas cinco ações (Nvidia, Apple, Microsoft, Alphabet e Broadcom) tenham sido responsáveis por quase 40% dessa subida.
"Tendo em conta os montantes extraordinários de dívida contraídos para construir a infraestrutura de IA, os custos de financiamento mais elevados estão longe de ser ideais", afirmou David Morrison, da Trade Nation, citado pela mesma agência. "O receio é que estes reduzam os retornos futuros, numa altura em que o momento e a dimensão desses retornos estão longe de ser claros".
Euribor sobe a três, a seis e a 12 meses
A taxa Euribor subiu esta quinta-feira a três, a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira.
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou, ao ser fixada em 2,954%, mais 0,030 pontos que na quarta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a agosto indicam que a Euribor a seis meses representava 40,3% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,03% e 24,27%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também subiu hoje, para 3,217%, mais 0,016 pontos que na véspera.
No mesmo sentido, a Euribor a três meses avançou, ao ser fixada em 2,636%, mais 0,008 pontos.
Em 10 de setembro, como esperado pelos mercados, o Banco Central Europeu (BCE) subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois de as ter mantido em julho.
Tecnológicas dividem Europa entre subidas e descidas. ASML cai mais de 5%
As principais praças europeias estão a negociar divididas entre ganhos e perdas, numa altura em que o "sell-off" nas tecnológicas continua a toda a força, levando os investidores à procura de refúgio em ativos mais seguros - como é o caso das obrigações da Zona Euro, mas também dos EUA e do Reino Unido.
Neste momento, o Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação europeia - recua 0,26% para 636,06 pontos, depois de ter conseguido encerrar a sessão de quarta-feira em território positivo. O setor tecnológico lidera as perdas setoriais, ao cair quase 3%, enquanto, do lado dos ganhos, são as telecomunicações a impedir maiores perdas por parte do principal índice da região.
Os ânimos têm andado voláteis nas ações ligadas à inteligência artificial (IA) e os mais recentes dados da inflação nos EUA, que mostraram o índice de preços no consumidor a acelerar mais do que o esperado, acabaram por desencadear maiores perdas. Pela Europa, cotadas como a ASML, a Infineon Techonologies e a STMicroeletronics estão a desvalorizar entre 5% a 9%.
"O mercado está a lidar com uma série de riscos neste momento, nomeadamente os geopolíticos, que estão a impulsionar o preço do petróleo e, por sua vez, a inflação e a política monetária", explica Roland Kaloyan, diretor de estratégia de ações europeias do Société Générale, à Bloomberg. "Isso tem, obviamente, um impacto na valorização das ações do setor tecnológico", acrescenta.
Entre outras movimentações de mercado, a Total Energies acelera 0,91%, depois de a energética ter revelado que a margem de refinação disparou no terceiro trimestre do ano, devido às disrupções na oferta que se tem sentido no Médio Oriente e na Rússia. Por sua vez, a Pernod Ricard, que comercializa marcas como a Absolut Vodka, avança 1,51%, após ter registado uma queda nas vendas que ficou abaixo do esperado.
Quanto aos resultados por praça, o alemão DAX desce 0,33%, o francês CAC-40 avança 0,38%, o espanhol Ibex valoriza 0,23%, enquanto o italiano FTSEMIB cede 0,37%, o britânico FTSE 100 valoriza 0,31% e o neerlandês AEX desliza 0,78%.
Juros afundam na Europa e nos EUA após "sell-off" nas tecnológicas. "Yield" francesa cai mais de 11 pontos
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a negociar com fortes alívios esta quinta-feira, num dia marcado por um novo "sell-off" no mercado acionista, em particular nas ações de semicondutores, que está a fazer com que os investidores procurem refúgio nas obrigações.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, recuam 8,3 pontos-base para 3,382%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade afunda 11,3 pontos-base para 4,766%. Em Itália, os juros aliviam 9,9 pontos para 4,451%.
Pela Península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas na maturidade de referência cai 8,5 pontos-base para 3,851%, enquanto a “yield” das obrigações espanholas alivia 9 pontos e cai dos 4%, negociando agora nos 3,995%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas a dez anos seguem a mesma tendência e tombam 8,8 pontos-base para 5,336%, numa altura em que os investidores reduzem as probabilidades do Banco de Inglaterra avançar com quatro subidas nas taxas de juro até ao final de 2027.
Por sua vez, a "yield" das "Treasuries" norte-americanas mergulha 9,4 pontos-base para 5,091%, mesmo depois de a inflação no país ter acelerado acima do esperado pelos analistas. Em setembro, o índice dos preços no consumidor subiu 3,7% em termos homólogos contra as expectativas de 3,6%, impulsionado pelo disparo no valor da gasolina.
Maior procura por obrigações norte-americanas pressiona dólar
O dólar está a negociar com perdas face aos seus principais rivais esta quinta-feira, mesmo depois de uma inflação acima do esperado ter levado os investidores a darem quase como certo uma nova subida nas taxas de juro ainda este ano. A procura por ativos de refúgio, após um "sell-off" nas ações de semicondutores, levou os investidores a apostarem em obrigações norte-americanas, deixando para trás a "nota verde".
Neste momento, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da moeda norte-americana face às principais concorrentes - está a cair 0,27%, numa altura em que o juro da dívida a dez anos dos EUA está a afundar mais de 9 pontos base. Por sua vez, o euro salta 0,53% para 1,1216 dólares, enquanto a libra acelera 0,44% para 1,3251 dólares e a "nota verde" cede 0,21% para 158 ienes.
"O dólar americano foi pressionado pela queda acentuada das taxas de rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA", explica Carol Kong, estratega do Commonwealth Bank of Australia, à Bloomberg. "Apesar do clima de aversão ao risco impulsionado pela onda de vendas nos mercados acionistas globais, os investidores preferiram os títulos do Tesouro ao dólar americano como o seu porto seguro de eleição", acrescenta.
Além da fraqueza do dólar, o euro está ainda a beneficiar de um aumento das expectativas em torno do número de subidas nas taxas de juro necessárias por parte do Banco Central Europeu (BCE) para fazer face à inflação. O antigo presidente do banco central dos Países Baixos, Klaas Knot, afirmou esta quinta-feira que o autoridade liderada por Christine Lagarde poderá ter de adotar um orientação de política monetária ligeiramente mais restritiva, devido às perturbações económicas e geopolíticas que se sentem.
Ouro avança quase 1% e recupera das quedas das sessões anterior
O ouro está a negociar com ganhos esta quinta-feira, aproveitando a queda dos preços do petróleo e um maior apetite por ativos-refúgio para recuperar quase todo o terreno perdido nas últimas sessões. O movimento acontece apesar de um inflação ligeiramente mais elevada do que antecipado nos EUA ter levado os investidores a reforçarem as expectativas de mais uma subidas nas taxas de juro este ano por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana.
A esta hora, o metal amarelo sobe 0,91% para 4.143,15 dólares por onça, tendo chegado a acelerar mais de 1%, mas ainda longe dos máximos desta semana de mais de 4.200 dólares. Os juros da dívida norte-americana, que tendem a pesar sobre a negociação do ouro, dispararam na quarta-feira após os dados da inflação, antes de reverterem por completo o sentido de negociação, numa altura em que um "sell-off" nas ações de semicondutores está a fazer acelerar a procura por ativos mais seguros.
Desde o início do conflito entre EUA e Irão em finais de fevereiro deste ano, o ouro já perdeu mais de 20% do seu valor, pressionado por uma escalada dos preços da energia que estão a obrigar bancos centrais por todo o mundo a apertarem a política monetária. O ouro, que não rende juros, tende a desvalorizar num ambiente monetário mais restritivo - e os investidores veem uma probabilidade superior a 90% de existir uma nova subida nas taxas diretoras este ano.
O Presidente da Fed de Chicado, Austan Goolsbee, não esconde que os mais recentes dados da inflação, que viram o índice dos preços no consumidor a acelerar 0,6% em cadeia - a maior subida desde abril -, são "desanimadores". Advertiu ainda para o facto dos megainvestimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA) estarem, potencialmente, a sobreaquecerem a economia norte-americano.
Os investidores aguardam agora pela intervenção do presidente da Fed, Kevin Warsh, no encontro do Fundo Monetário Internacional em Banguecoque, esta quinta-feira, à procura de pistas sobre o futuro da política monetária na maior economia do mundo. Isto antes de os membros do banco central entrarem em "black-out" no domingo, em antecipação ao encontro que se realiza entre 27 e 28 de outubro.
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