Europa no vermelho com escalada nos preços da energia no radar. Zealand Pharma afunda mais de 30%
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta sexta-feira.
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Europa no vermelho com escalada nos preços da energia no radar. Zealand Pharma afunda mais de 30%
As principais praças europeias ainda arrancaram a sessão com ganhos, embaladas pelo otimismo que se sentiu no continente asiático, mas rapidamente voltaram a negociar em território negativo, pressionadas, mais uma vez, pela subida sustentada nos preços da energia. O escalar do conflito no Médio Oriente está a encaminhar o continente para a pior semana desde abril do ano passado, quando o Presidente dos EUA, Donald Trump, revelou a sua nova política comercial ao mundo - entretanto considerada ilegal por parte do Supremo Tribunal norte-americano.
A esta hora, o Stoxx 600 recua 0,17% para 603,81 pontos, revertendo completamente os ganhos de 0,6% que chegou a registar durante a sessão. Com o Brent - crude de referência para a Europa - a ultrapassar os 87 dólares por barril, o "benchmark" do mercado acionista da região prepara-se para fechar a semana com quedas de quase 5%, com os investidores a incorporarem completamente uma subida das taxas de juro em 25 pontos-base este ano.
O conflito no Médio Oriente entrou esta sexta-feira no sétimo dia, com mísseis iranianos a atingirem, pelo menos, cinco países do Golfo Pérsico e Israel a responder com a décima segunda onda de ataques aéreos contra Teerão. O ministro iraniano revelou ainda que a China e a Rússia "estão a apoiar politicamente e de outras formas" o Irão, num dia em que foram intercetados mísseis no espaço aéreo do Qatar e Kuwait.
Entre as principais movimentações de mercado, a Zealand Pharma afunda 31,80%, o pior dia de sempre para a farmacêutica, após os resultados da fase intermédia dos ensaios clínicos da sua vacina experimental contra a obesidade, desenvolvida em parceria com a Roche, terem ficado aquém das expectativas. Por sua vez, a Lufthansa avança 1,11%, contrariando o pessimismo do setor, depois de ter reportado resultados que ficaram acima das estimativas dos analistas e ter indicado um crescimento "significativo" nos lucros para 2026.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 0,01%, o espanhol IBEX 35 recua 0,08%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,14% e o neerlandês AEX recua 0,18%. Já o francês CAC-40 avança 0,33%, ao passo que o britânico FTSE 100 regista ganhos de 0,10%.
Juros voltam a disparar na Zona Euro. Investidores já veem uma subida nas taxas de juro como certa
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão, mais uma vez, a registar grandes avanços, apesar de até terem arrancado a sessão com alívios, numa altura em que a subida sustentada dos preços da energia já levou os investidores a incorporarem uma nova subida de 25 pontos-base nas taxas de juro este ano por parte do Banco Central Europeu (BCE).
A Europa é vista como particularmente vulnerável a uma escalada da guerra no Médio Oriente, uma vez que a região importa quase todo o seu petróleo e a maior parte do seu gás natural, ficando mais exposta do que os EUA, que é um exportador líquido de energia.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aceleram 2,7 pontos-base para 2,865%, negociando acima dos máximos de um mês atingidos na sessão passada. Já em França e Itália, a tendência de agravamento é ainda maior, com a "yield" das obrigações francesas a escalar 4,2 pontos para 3,504% e a das obrigações italianas a crescer 4,5 pontos para 3,603%.
Pela Península Ibérica, também está a ser um dia de grandes subidas. Em Portugal, os juros das obrigações na maturidade de referência aceleram 4,2 pontos-base para 3,265%, em máximos de mais de um mês, enquanto, em Espanha, o salto é de 4 pontos para 3,338%.
Fora da Zona Euro, mantem-se a tendência de agravamento, embora ainda em maior escala. Os juros das "Gilts" britânicas disparam 7,5 pontos-base para 4,615%, depois de, na quinta-feira, já terem escalado mais de 10 pontos.
Dólar dá passo atrás mas prepara-se para fechar melhor semana desde novembro de 2024
Após várias sessões de ganhos que encaminharam o dólar para a melhor semana desde novembro de 2024, a "nota verde" está a corrigir ligeiramente esta sexta-feira. Face a uma escalada nas tensões geopolíticas com o estalar do conflito no Irão, a divisa norte-americana assumiu o papel de ativo de refúgio predileto dos investidores, substituindo o ouro à medida que os investidores antecipam o impacto de uma crise energética na inflação e, por conseguinte, na política monetária.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da moeda norte-americana face às suas principais rivais - perde 0,13%, reduzindo ligeiramente os ganhos semanais da divisa para 1,3% - o melhor desempenho desde que Donald Trump foi eleito Presidente dos EUA. Já o euro encaminha-se para uma perda semanal de 1,7%, negociando praticamente inalterado nos 1,16 dólares esta sexta-feira, enquanto a libra acelera apenas 0,09% para 1,3366 dólares.
“O que importa agora é se a guerra vai durar dias, semanas ou mais”, explica Marco Oviedo, estratega sénior da XP Investimentos, à Bloomberg. A possibilidade de que o conflito não vai durar muito “continua a ser o cenário base, bem como os EUA estarem a ganhar a batalha. Mas a recusa do Irão em recuar está a manter a tensão" nos mercados, acrescenta o analista, num dia em que a guerra entra no seu sétimo dia.
Confrontados com uma escalada nos preços da energia, nomeadamente no petróleo e no gás natural, os investidores estão a reduzir as probabilidades de a Reserva Federal (Fed) norte-americana vir a cortar as taxas de juro mais do que uma vez este ano - o que tende a beneficiar o dólar. Um corte, a chegar, só deverá vir em setembro e outubro, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) deve mesmo optar por apertar a política monetária.
Ouro recupera com queda do dólar. Metal precioso deve fechar primeira semana no vermelho em um mês
O ouro está a recuperar algum do terreno perdido nas últimas sessões, mas, mesmo assim, encaminha-se para registar a primeira semana no vermelho em mais de um mês. Apesar de ser considerado um ativo refúgio, que tende a valorizar com o aumento das tensões geopolíticas a nível global, o metal precioso foi pressionado por uma forte valorização do dólar e aumento dos riscos inflacionistas com a guerra no Irão a colocar o mundo à porta de uma crise energética.
A esta hora, o metal amarelo avança 0,60% para 5.114,81 dólares por onça, depois de ter chegado a avançar mais de 1% durante a madrugada. Mesmo com esta recuperação, o ouro deve fechar a semana com perdas em torno de 3%, enquanto o dólar deve registar a melhor série de cinco sessões desde novembro de 2024 - tornando o metal menos atrativo para os investidores internacionais.
O receios de uma escalada na inflação com o estalar do conflito no Médio Oriente está a fazer com que os investidores reduzam as expectativas de cortes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana. O mercado de "swaps" aponta agora para apenas um alívio na política monetária de 25 pontos-base este ano, que deverá chegar entre setembro e outubro, contra as expectativas anteriores de dois cortes, com o primeiro a ser efetuado já em junho.
Os mercados continuam bastante nervosos, numa altura em que a guerra no Irão entra no sétimo dia. A República Islâmica lançou uma série de ataques por toda a região do Golfo Pérsico na quinta-feira à noite, atingindo uma refinaria de petróleo no Bahrain. Já Israel continuou os ataques aéreos contra Teerão e os EUA decidiram suspender operações na sua embaixada no Kuwait.
Com as ações mundiais a caírem esta semana, muitos investidores aproveitaram a reação inicial positiva do ouro ao conflito para liquidarem posições, de forma a compensar as perdas noutros ativos. Relatos que alguns bancos centrais estavam a considerar vender parte do seu "stock" também levantou preocupações de um dos pilares fundamentais no "rally" do metal precioso poderia cair por terra.
Petróleo com ganhos ligeiros. Brent encaminha-se para maior subida semanal desde 2022
Os preços do petróleo estão a crescer ligeiramente esta sexta-feira, após várias sessões de ganhos avultados que encaminharam a matéria-prima para a maior subida semanal desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia e desencadeou uma crise energética a nível global. Também os preços do gás natural negociado na Europa registam ganhos esta sessão, apesar de as hostilidades entre EUA, Israel e Irão continuarem a abalar os mercados.
A esta hora, o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 0,48%, para 81,39 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – ganha 0,65% para os 85,96 dólares por barril, encaminhando-se para fechar a semana com uma subida de cerca de 18%. Já o gás natural avança mais de 3% para 50,37 euros por megawatt.
O Brent furou mais uma vez a barreira dos 85 dólares esta sexta-feira, mesmo depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter indicado que iria "agir imediatamente" de forma a reduzir a pressão dos preços sobre o petróleo. O Departamento do Tesouro norte-americano até reduziu as restrições em torno das compras de crude por parte da Índia ao russos, mas o impacto no mercado destas decisões está a ser limitado.
Sem grandes sinais de que as hostilidades estejam próximas de acabar, embora os investidores antecipem que o conflito não se irá estender muito no tempo, o Goldman Sachs já está a considerar cenários em que o petróleo ultrapasse os cem dólares. Há também quem já veja o barril de crude a atingir o patamar dos 150 dólares, ultrapassando o máximo histórico estabelecido em julho de 2008.
"Digamos que temos mais cinco semanas de fluxos muito baixos de petróleo através do estreito. É possível que vejamos os preços do Brent ultrapassarem o limiar dos 100 dólares por barril", explica Samantha Dart, codiretora de pesquisa global de "commodities" do Goldman Sachs, em entrevista à Bloomberg Television. A corroborar o cenário, o Joint Maritime Information Center informou esta sexta-feira que nenhum carregamento de crude passou pelo estreito de Ormuz nas últimas 24 horas.
Ásia ainda recupera mas fecha pior semana desde a pandemia. Europa aponta para ganhos
As principais praças asiáticas encerraram aquela que foi uma das semanas mais voláteis de negociação do último ano em trajetória de recuperação, impulsionadas por um dólar em correção e por um pequeno recuo dos preços do petróleo no rescaldo dos mais recentes desenvolvimentos em torno da guerra do Irão. O conflito entra esta sexta-feira no seu sétimo dia e tem injetado nos mercados grande turbulência, deixando o mundo à porta de mais uma crise energética.
O "benchmark" asiático - o MSCI AC Asia Pacific Index - ainda arrancou a sessão em território negativo, mas conseguiu inverter as perdas e acelera, a esta hora, 0,24%. Pela Europa, a negociação de futuros aponta para uma abertura em alta com ganhos superiores a 1%, depois as principais praças da região terem terminado a sessão de quinta-feira pintadas de vermelho. Já nos EUA, a tendência mantém-se.
"O mercado parece surpreendentemente resiliente", explica Naoki Fujiwara, gestor de fundos da Shinkin Asset Management, à Bloomberg. "As preocupações com o Irão permanecem, mas os investidores parecem acreditar que este não será um conflito de longo prazo", acrescenta. Mesmo com os ganhos registados nesta sexta-feira, o "benchmark" asiático prepara-se para fechar a sua pior semana desde março de 2020, com perdas superiores a 6% - o pior desempenho desde o estalar da pandemia de covid-19.
Pela Coreia do Sul, o Kospi - uma das cabeças de cartaz para os investimento em inteligência artificial (IA) - chegou a perder mais de 1% esta sessão, mas conseguiu inverter a tendência e terminou marginalmente em alta. Na quarta-feira, o índice viveu o seu pior dia de sempre, penalizado pelos impactos que a crise energética pode vir a ter na inflação e no crescimento económico, só para no dia a seguir conseguir registar o melhor desempenho desde 2008.
As ações da gigante de defesa LIG Nex1 dispararam mais de 9%, depois de os meios de comunicação sul-coreanos terem noticiado que os sistemas de defesa aérea da empresa foram utilizado para intercetar mísseis lançados contra os Emirados Árabes Unidos.
Pelo Japão, a sessão também foi de ganhos, com o Nikkei 225 a acelerar 0,62%, enquanto o chinês Hang Seng, com grande peso do setor tecnológico, registou o melhor desempenho diário da região esta sexta-feira, ao acelerar 1,69%.
As atenções dos investidores vira-se agora para um importante relatório de criação de emprego nos EUA, que vai permitir "medir o pulso" ao mercado laboral norte-americano, numa altura em que os investidores antecipam menos cortes nas taxas de juro. Caso o país consiga surpreender com a criação de postos de trabalho, a narrativa para a Reserva Federal (Fed) ser mais cautelosa em termos de política monetária vai ganhar força.
Washington autoriza entrega de petróleo russo retido no mar à Índia
Os Estados Unidos autorizaram na quinta-feira, por um mês, a entrega de petróleo russo sob sanções à Índia, numa altura em que o conflito no Médio Oriente afeta diretamente o abastecimento de Nova Deli.
De acordo com um documento publicado pelo Departamento do Tesouro dos EUA, a autorização será válida até ao final do dia 03 de abril de 2026.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou na rede social X que a exceção foi concedida para "permitir que o petróleo continue a abastecer o mercado mundial".
"Esta medida temporária não trará vantagens financeiras significativas ao Governo russo, uma vez que apenas autoriza transações relativas a petróleo já bloqueado no mar", acrescentou.
A venda à Índia "vai aliviar a pressão causada pela tentativa do Irão de sequestrar a energia mundial", acrescentou.
O Departamento do Tesouro também esclareceu que a autorização não se estende ao petróleo proveniente do Irão.
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