Trump recua nas tarifas e dá mais força a Wall Street. S&P perto de apagar perdas da sessão anterior
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quarta-feira.
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Trump recua nas tarifas e dá mais força a Wall Street. S&P perto de apagar perdas da sessão anterior
O princípio de um acordo entre Donald Trump e a NATO para resolver a crise na Gronelândia, com o Presidente dos EUA a dar um passo atrás nas tarifas anunciadas contra oito países europeus, foi o suficiente para fazer com que Wall Street recuperasse quase por completo do "sell-off" registado na terça-feira. Os principais índices norte-americanos viram os ganhos serem reforçados após o anúncio do republicano e o dólar conseguiu conquistar ainda mais terreno face aos seus principais concorrentes.
Por sua vez, os ativos de refúgio, como o ouro, viram os seus ganhos serem reduzidos, com o apetite pelo risco a voltar em força ao mercado norte-americano. A intervenção do Presidente dos EUA no Fórum Económico Mundial em Davos já tinha dado algum alento às ações globais, ao afastar o uso de "força excessiva" para anexar a Gronelândia - mas, agora, Trump foi ainda mais longe e rejeitou avançar com as tarifas de 10% contra os aliados da Dinamarca.
“Com base numa reunião muito produtiva que tive com o secretário-geral da NATO, formamos o quadro de um futuro acordo no que diz respeito à Gronelândia e, de facto, sobre toda a região do Ártico”, escreveu o presidente dos EUA nas redes sociais. "Com base neste entendimento, não vou impor as tarifas que estavam agendadas para entrar em vigor a 1 de fevereiro."
Numa primeira reação, e a menos de uma hora do fecho, o S&P 500 avança 1,55% para 6.902,64 pontos, enquanto o industrial Dow Jones acelera 1,55% para 49.238,80 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite ganha 1,71% para 23.347,32 pontos. Por sua vez, o ouro já só ganha 0,33% e está agora a negociar abaixo da marca dos 4.800 dólares por onça - depois de ter conseguido aproximar-se dos 4.900 durante a manhã desta quarta-feira.
"De uma perspetiva pragmática, a notícia de que as tarifas de 1 de fevereiro não vão ser implementadas alivia uma quantidade significativa de risco iminente. No mínimo, [o anúncio] dá luz verde [aos mercados] para voltarem a focar-se nos lucros e na economia, mesmo que toda a confusão possa argumentar a favor de um prémio de risco um pouco mais alto para os ativos de risco", explica Cameron Crise, estratega de macroeconomia, à Bloomberg.
Trump acalma mercados mas não afasta receios. Bolsas europeias divididas
As palavras de Donald Trump no Fórum Económico Mundial foram suficientes para acalmar alguns receios dos investidores, mas não afastaram por completo os receios de uma escalada de tensões. As principais praças europeias terminaram a sessão desta quarta-feira divididas entre ganhos e perdas, com o "benchmark" da região a encerrar praticamente inalterado, isto depois de o Presidente dos EUA ter excluído dos seus planos o uso de "força excessiva" para anexar a Gronelândia.
O Stoxx 600, principal índice europeu, fechou na linha d'água com perdas de apenas 0,02% para 602,67 pontos, tendo registado grande volatilidade na sessão - chegando a subir mais de 0,1% e a cair mais de 0,9%. O setor das matérias-primas conseguiu capitalizar o aumento dos preços na maioria das "commodities", acelerando mais de 3%, enquanto as ações ligadas às telecomunicações registaram o pior desempenho.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX caiu 0,58% e o italiano FTSEMIB desvalorizou 0,5%. Já o espanhol IBEX 35 ganhou 0,06%, o francês CAC-40 acelerou 0,08%, o neerlandês AEX saltou 0,28%, ao passo que o britânico FTSE 100 subiu 0,11%, com a inflação no país a acelerar pela primeira vez em cinco meses.
Embora Trump tenha excluído uma anexação à força da Gronelândia e tenha ajudado os mercados a recuperarem parcialmente do sentimento negativo em que negociavam, este cenário "não altera as suas exigências e mantém a ameaça de tarifas" de 10% sobre oito países europeus, explica Wolf von Rotberg, estratega de ações do Banco J Safra Sarasin, à Bloomberg. A introdução de novas taxas alfandegárias foi exatamente o que levou as praças europeias a registarem duas sessões consecutivas no vermelho no arranque da semana.
Estas movimentações contrastaram com o otimismo que se viveu no início do ano nos mercados europeus, que levou o Stoxx 600 a renovar máximos históricos durante vários dias consecutivos - mesmo com o clima geopolítico a aquecer com o ataque dos EUA à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro por parte das autoridades norte-americanas.
Entre as principais movimentações de mercado, a Danone afundou 8,4%, depois de um dos seus produtos de fórmula para bebés ter sido retirado das estantes em Singapura. Já a SAP chegou a cair 2,4% para mínimos de agosto de 2024, tendo conseguido reduzir as perdas parcialmente para 1,53%, numa altura em que as empresas de software enfrentam grandes dificuldades no mercado europeu e norte-americano.
Juros agravam-se na Zona Euro pelo quinto dia consecutivo
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro encerraram a sessão desta quarta-feira com agravamentos pelo quinto dia consecutivo, num dia em que os investidores estiveram a digerir as palavras de Donald Trump no Fórum Económico Global, que sinalizaram um alívio, mesmo que ligeiro, nas tensões geopolíticas em torno da situação da Gronelândia.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, tidas como referência para o contexto europeu, avançaram 2,4 pontos base para 2,881%, enquanto, em França, o avanço da "yield" foi de 1,7 pontos para 3,541%. Em Itália, os juros das obrigações saltaram 2,8 pontos para 3,528%.
Já pela Península Ibérica, manteve-se a tendência, com os juros da dívida soberana portuguesa a dez anos a ganharem 2,4 pontos para 3,263% e os da espanhola a crescerem 2,2 pontos para 3,275%.
Fora da Zona Euro, a "yield" das "Gilts" britânicas interrompeu uma série de quatro dias consecutivos a acelerar, tendo mantido-se estável nos 4,456% no mercado obrigacionista secundário. Pelos EUA, a tendência é contrária à Europa, com os juros dos "Treasuries" norte-americanos a cederem 1,6 pontos base para 4,227%.
Ouro segura ganhos depois de se aproximar dos 4.900 dólares. Prata em queda
Apesar de as ações europeias terem recuperado fôlego e as norte-americanas ganhado força com o discurso de Donald Trump em Davos, o ouro continua a negociar em alta esta quarta-feira, estando próximo da marca dos 4.900 dólares por onça. O metal precioso está, mais uma vez, a beneficiar do clima de instabilidade nas relações entre EUA e Europa, com a Gronelândia a continuar no "olho do furacão".
A esta hora, o ouro avança 1,8% para 4.849,27 dólares por onça, tendo chegado a avançar 2,62% para 4.888,42 dólares. Por sua vez, a prata recua 1,05% para 93,6 dólares, após ter fixado um novo máximo histórico na terça-feira, com os investidores a aproveitarem as mais recentes valorizações para procederem à tomada de mais-valias.
"Existe um certo receio de perder esta oportunidade e, dada a situação geopolítica mundial, penso que estamos perante uma tempestade perfeita para o aumento dos preços do ouro neste momento", explica Bob Haberkor, estratega sénior de mercado da RJO Futures, citado pela Bloomberg. Já para o Goldman Sachs, o metal amarelo continua a ser o ativo predileto, com o diretor de "commodities" do banco norte-americano a destacar as grandes compras por parte de vários bancos centrais por todo o mundo.
Ainda esta quarta-feira, os investidores vão ter a oportunidade de reagir à decisão do Supremo dos EUA sobre o despedimento de Lisa Cook por parte da Casa Branca, que deve ser revelado nas próximas horas. Os mercados interpretaram a demissão da economista como um ataque à independência da Reserva Federal (Fed) norte-americana e, caso o Supremo dê "luz verde" à decisão de Washigton, Donald Trump pode ficar com o caminho aberto para despedir Jerome Powell - que também se encontra a ser investigado pelo Departamento de Justiça.
Petróleo avança com cautela com Trump e Cazaquistão no radar
O barril de petróleo está a valorizar no mercado internacional, invertendo o sentido de negociação do arranque do dia, numa altura em que os investidores avaliam as mais recentes declarações de Donald Trump, Presidente dos EUA, no Fórum Económico Mundial em Davos e digerem o impacto das disrupções no abastecimento de crude no Mar Negro.
O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA – avança 0,13%, para os 60,41 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – segue a valorizar 0,05% para os 64,95 dólares por barril. Os dois contratos já tinham encerrado a sessão de ontem em alta, com ganhos de 1,5%, impulsionados pela interrupção na produção em dois campos petrolíferos no Cazaquistão.
A limitar os ganhos do crude estão, no entanto, as declarações de Donald Trump em Davos. O Presidente norte-americano disse que a produção de petróleo na Venezuela já tinha crescido em 730 mil barris por dia desde que os EUA atacaram o país e capturaram Nicolás Maduro e prometeu que todas as grandes empresas do setor iam começar a operar na nação da América Latina. No rol de promessas, Trump incluiu ainda que um galão de gasolina (cerca de 3,8 litros) iria ficar abaixo dos dois dólares.
Em contraciclo, a Agência Internacional de Energia decidiu rever em alta as previsões para a procura mundial de petróleo em 2026 - embora continue a estimar um excedente. A organização prevê agora que a procura atinja os 930 mil barris por dia, acima dos 860 mil barris anteriormente estimados, contra uma oferta de 2,5 milhões de barris - algo que pode ainda vir ser agravado pelo crescimento da produção na Venezuela, diz a agência.
Trump em Davos afasta receios dos investidores. Europa inverte tendência e negoceia no verde
Donald Trump, Presidente dos EUA, excluiu o uso de força excessiva para anexar a Gronelândia e, embora não tenha abandonado as suas pretensões sobre o território, isso parece ter sido suficiente para apaziguar alguns receios dos investidores. Embora continuem à procura de segurança no ouro, os "traders" voltaram às ações, com a grande maioria das praças europeias a voltarem a território positivo e Wall Street a reforçar os ganhos.
"Provavelmente não vamos conseguir nada a não ser que eu decida fazer uso excessivo de força e aí seríamos, francamente, imparáveis. Mas eu não vou fazer isso", garantiu o Presidente norte-americano no Fórum Económico Global.
O Stoxx 600, "benchmark" para a negociação europeia, conseguiu escapar do vermelho e negoceia agora no verde com ganhos de 0,11%. Entre as principais praças da região, só Frankfurt e Milão estão a negociar com perdas neste momento, embora também tenham reduzido drasticamente os recuos, desvalorizando agora 0,40% e 0,20%, respetivamente.
Por sua vez, Wall Street, que quando abriu já Trump falava em Davos, foi reforçando os ganhos ao longo do discurso e negoceia agora com valorizações acima de 1% - ainda assim, longe de reverter as perdas registadas na sessão anterior, quando os três principais índices norte-americanos deslizaram cerca de 2%.
Wall Street recupera de "sell-off" com Gronelândia no radar. Netflix cai quase 4%
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta quarta-feira com uma ligeira recuperação, numa altura em que Donald Trump fala no Fórum Económico Mundial sobre a crise na Gronelândia e depois de Wall Street ter vivido o seu pior dia desde abril do ano passado - quando o Presidente dos EUA revelou ao mundo a sua nova política comercial.
O S&P 500 abriu a sessão a valorizar 0,45% para 6.827,43 pontos, enquanto o industrial Dow Jones ganha 0,52% para 48.742,43 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite acelera 0,25% para 23.012,70 pontos. Os três índices encerraram a negociação anterior com perdas de cerca de 2%, num dia que os investidores fugiram para ativos de risco - dando novos máximos ao ouro - em reação ao anúncio de que a Casa Branca iria impor tarifas adicionais de 10% a oito países europeus contra os planos de anexar a Gronelândia.
"As coisas estão um pouco caóticas e os mercados parecem um pouco em pânico", explica Bob Michele, gestor de ativos do JPMorgan, à Bloomberg. "O mercado teve uma crise em abril e, em seguida, recuou em muitas coisas - a calma voltou. Precisamos que o mesmo aconteça outra vez", acrescenta, referindo-se aos acordos comerciais que a administração Trump celebrou com dezenas de países e que levaram Washington a suavizar a sua política comercial.
As movimentações em relação à Gronelândia chegam numa semana que já se adivinhava bastante cheia para o mercado norte-americano. Vai ser conhecida a evolução do PIB dos EUA no terceiro trimestre do ano passado e ainda do indicador preferido da Reserva Federal norte-americana para a inflação - o índice de preços com despesas no consumo pessoal (PCE) - na quinta-feira. Os investidores vão poder ainda reagir aos resultados trimestrais de empresas como a Intel e a Procter & Gamble.
Entre as principais movimentações de mercado, a Netflix recua 3,73% para 84 dólares, depois de ter parado com os programas de recompra de ações, de forma a ter liquidez para avançar com a aquisição da Warner Bros. Apesar da reação negativa dos investidores, a gigante do "streaming" conseguiu superar as previsões dos analistas, tendo conseguido receitas de 12,1 mil milhões de dólares no quarto trimestre, uma subida de 17,6% face ao período homólogo de 2024, e um lucro líquido de 2,42 mil milhões.
Índices europeus perdem terreno. Investidores à espera de discurso de Trump em Davos
Os principais índices europeus negoceiam no vermelho em toda a linha, ainda que com perdas menos expressivas do que as registadas durante a sessão de ontem, pressionados pelas renovadas tensões comerciais entre os países da região e os Estados Unidos (EUA), num dia em que as atenções estarão centradas no discurso de Donald Trump no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – perde 0,25%, para os 601,27 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX cai 0,41%, o espanhol IBEX 35 cede 0,37%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,63%, o francês CAC-40 recua 0,22%, ao passo que o britânico FTSE 100 se mantém inalterado a esta hora, com a inflação no país a acelerar pela primeira vez em cinco meses, sendo que o neerlandês AEX desliza 0,17%.
O otimismo que marcou o início do ano nos mercados bolsistas está agora a ser posto à prova, sendo que o principal índice de referência regional soma agora apenas 1,6% no ano.
As atenções viram-se agora para o discurso de Trump em Davos, onde o republicano também se irá reunir com várias partes para discutir o futuro da Gronelândia. Antes de viajar para a Suíça, o Presidente dos EUA expressou confiança de que a União Europeia continuaria a investir nos EUA, mesmo que ele impusesse novas tarifas a aliados.
“Parece que Donald Trump conseguiu acalmar os mercados durante a noite, ao sugerir uma possível resolução do conflito com a Gronelândia com os líderes europeus durante a sua visita a Davos”, disse à Bloomberg Joachim Klement, da Panmure Liberum. Ainda assim, acrescentou que considera “prematura qualquer esperança de uma resolução rápida do impasse entre os EUA e a UE sobre a Gronelândia”.
Quanto aos setores, a banca (-0,91%) regista as maiores perdas, seguida do setor das telecomunicações (-0,71%). Por outro lado, o dos recursos naturais (+2,87%) soma ganhos expressivos.
Entre os movimentos do mercado, a Danone está a perder mais de 6%, prolongando as quedas desta semana. Já ações da Barry Callebaut – fabricante suíça de chocolates –sobem 4,65%, após Hein Schumacher – ex-CEO da Unilever - ter sido nomeado para suceder a Peter Feld como diretor executivo da empresa. O Burberry Group, por sua vez, soma quase 3% a esta hora, depois de ter registado um aumento das vendas durante o período festivo.
Juros das dívidas europeias em alívio. "Treasuries" também em queda
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a aliviar nesta quarta-feira, num dia em que os investidores continuam a digerir a tensão política e comercial entre os EUA e a Europa, e que tem o controlo da Gronelândia no centro da questão.
Os investidores, que esta semana estão a afastar-se da aposta nas bolsas de valores, têm nas obrigações europeias um ativo de refúgio nestes dias de maior turbulência no mercado de ações. A taxa de juros das obrigações cai quando a procura por estes ativos é maior.
Às 09:39 horas, as obrigações alemãs a dez anos, tidas como referência para o contexto europeu, estão a recuar 0,7 pontos-base para uma taxa de 2,849%. Já em França, o recuo dos juros é de 1,7 pontos-base para 3,508%. Em Itália a descida é de 1,5 pontos-base, para 3,485% de rendibilidade.
A "yield" das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos descem 1,7 pontos para 3,223%. Espanha acompanha a tendência, com os juros da dívida a 10 anos a recuarem 1,5 pontos-base para 3,238%.
No Reino Unido, a rendibilidade das obrigações situa-se nos 4,427%, uma descida de 3 pontos-base. Nos EUA, as obrigações seguem a tendência de alívio e cedem 2,2 pontos-base para uma taxa de rendibilidade de 4,271%.
Dólar estabiliza após dia de forte queda
O dólar teve, esta terça-feira, o pior dia em nove meses, com o índice do dólar da Bloomberg, que compara a moeda norte-americana com outras divisas, a recuar quase 1%, como resultado do braço de ferro entre os EUA e a Europa pelo controlo da Gronelândia e que tem deixado os investidores nervosos.
Já esta quarta-feira, o índice do dólar americano (DXY) negoceia de forma estável, ainda que com uma ligeira queda, cedendo 0,03% para os 98,6080 pontos.
A esta hora, o euro segue a cair 0,12% para 1,1711 dólares e a libra negoceia inalterada nos 1,57,89 dólares. O dólar recupera 0,23% para 0,7916 francos suíços, com a divisa helvética a ser aquela que melhor tem capitalizado com a pressão sobre a "nota verde". O dólar só não recupera face à divisa japonesa, caindo 0,16% 157,89 ienes, depois de o ministro das Finanças japonês ter pedido calma aos mercados cambiais e de obrigações.
Já noutros pares de câmbio, o euro cede 0,10% para 0,8714 libras e cai 0,29% para 184,90 ienes.
Ouro pula mais de 2% e aproxima-se dos 4.900 dólares por onça
O ouro está a negociar com ganhos nesta quarta-feira, depois de ter superado os 4.800 dólares por onça pela primeira vez, à medida que aumenta a procura por ativos-refúgio depois do “sell-off” registado entre os ativos de risco devido à crescente tensão entre os EUA e a União Europeia e NATO em torno da Gronelândia.
A esta hora, o metal amarelo avança 2,16%, para os 4.866,320 dólares por onça, tendo atingido um novo máximo histórico nos 4.888,420 dólares por onça no início da sessão de hoje.
Ainda a apoiar os preços do metal amarelo está um dólar mais fraco, o que torna a compra de ouro mais barata para detentores de outras divisas.
A ganhar terreno está também a prata, que segue a negociar próxima do recorde de 95,886 dólares por onça atingido durante a sessão de ontem, sendo que a esta hora, o metal precioso avança 0,55%, para os 95,107 dólares por onça.
Já a platina segue o caminho oposto e cede 0,46%, para os 2.460,380 dólares por onça, após ter atingido um novo máximo histórico de 2.511,80 dólare spor onça no início das negociações.
Petróleo pressionado por esperado aumento nos "stocks" de crude dos EUA
Os preços do petróleo seguem a negociar com perdas de mais de 1% esta manhã, à medida que os “traders” avaliam um esperado aumento nos “stocks” de crude dos EUA, enquanto uma paralisação temporária da produção em dois grandes campos no Cazaquistão e a pressão geopolítica das ameaças dos EUA de impor tarifas sobre oito países europeus contêm um recuo mais expressivo dos preços do barril de "ouro negro”.
O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA – recua 1,23%, para os 59,62 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – segue a desvalorizar 1,32% para os 64,06 dólares por barril.
Ambos os preços de referência fecharam com ganhos de cerca de 1,50% na sessão anterior, depois que o Cazaquistão, produtor da OPEP+, ter interrompido a produção nos campos petrolíferos de Tengiz e Korolev no domingo devido a problemas de distribuição de energia. Os fortes dados económicos vindos da China também acabaram por impulsionar os preços.
A promessa do Presidente dos EUA, Donald Trump, de aplicar novas tarifas a países europeus caso não seja alcançado um acordo para os EUA obterem o controlo da Gronelândia está a aumentar a pressão sobre os mercados petrolíferos, já que as tarifas podem desacelerar o crescimento económico, fator que pressiona a procura por crude.
Nesta linha, o republicano afirmou ontem que “não há volta a dar” no que toca ao seu objetivo de controlar a Gronelândia.
Pelos EUA, é esperado que os “stocks” de petróleo bruto e gasolina tenham aumentado na semana passada. Analistas estimam que as existências de petróleo bruto terão aumentado em cerca de 1,7 milhões de barris. Os dados semanais do American Petroleum Institute (API) sobre os inventários serão divulgados nesta quarta-feira, e os da Energy Information Administration, o braço estatístico do Departamento de Energia dos EUA, na quinta-feira - ambos com um dia de atraso devido ao feriado federal dos EUA na segunda-feira.
Destacar também que a Venezuela já encaixou 300 milhões com venda de petróleo aos EUA e que um novo petroleiro ao largo do país foi apreendido pelas autoridades americanas.
Ásia encerra com índices divididos. IA impulsiona bolsas chinesas
Os principais índices asiáticos encerraram a sessão desta quarta-feira divididos entre ganhos e perdas, com os índices japoneses a recuarem pelo terceiro dia consecutivo. Por cá, os futuros do Euro Stoxx 50 recuam cerca de 0,10%, enquanto os futuros norte-americanos somam ganhos ligeiros de 0,30%.
Pelo Japão, o Nikkei caiu 0,41% e o Topix cedeu 0,99%. O sul-coreano Kospi - índice com grande peso de cotadas ligadas à tecnologia e inteligência artificial – ganhou 0,49%, ao passo que o índice de referência de Taiwan desvalorizou 1,62%, pressionado pela queda de quase 2% da Taiwan Semiconductor Company (TSMC). Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong valorizou 0,61% e o Shanghai Composite avançou ligeiros 0,080%.
Nesta quarta-feira, os investidores estarão atentos à viagem do presidente Donald Trump ao Fórum Económico Mundial em Davos. O Presidente dos EUA disse que “provavelmente alcançará alguma coisa” sobre a Gronelândia. A ameaça de Trump de impor tarifas aos países europeus que rejeitaram a sua proposta de comprar a Gronelândia perturbou os mercados, levando os investidores a reavaliarem o risco após uma recuperação impulsionada pelas cotadas ligadas à inteligência artificial ter levado as ações globais a máximos históricos.
Pelo Japão, a venda de obrigações na terça-feira agravou a pressão sobre os mercados, aumentando as tensões causadas pela incerteza sobre as decisões políticas e comerciais dos EUA. “A Guerra Tarifária 2.0, ou Guerra Territorial 1.0, se preferirem, está em pleno andamento e tem potencial para causar perturbações significativas no mercado a curto prazo”, disse à Bloomberg Victoria Greene, da G Squared Private Wealth. “Muito depende de como serão as próximas semanas. Portanto, não estamos a fazer ‘vendas em pânico’, mas a observar atentamente e a preparar-nos para a volatilidade”, acrescentou a especialista.
Os bancos e as seguradoras estiveram entre os maiores contribuintes para a queda do Topix, com a Sumitomo Mitsui (-3,56%), Dai-ichi Life (-3,85%) e a T&D Holdings (-4,15%) entre as empresas com pior desempenho no Nikkei. As quedas ocorreram devido à volatilidade das obrigações do Governo japonês com maturidade a longo prazo, provocada pela promessa de redução de impostos da primeira-ministra Sanae Takaichi. As ações do setor do retalho e dos alimentos também recuaram após fortes ganhos nas últimas sessões, com os investidores a aproveitarem para realizar lucros.
Já os índices chineses desafiaram o recuo dos mercados, à medida que a nova promessa dos decisores políticos de acelerar os esforços para desenvolver soluções de inteligência artificial ao nível nacional seguem a impulsionar o sentimento dos “traders”. A Loongson Technology disparou 20%, enquanto a Hygon Information Technology avançou mais de 13%.
Dólar avança após Trump recusar uso de força excessiva para anexar Gronelândia
O dólar norte-americano está a conseguir recuperar de mínimos de três semanas contra o euro e o franco suíço, numa altura em que os investidores estão a digerir o discurso de Donald Trump no Fórum Económico Mundial em Davos - depois de o anúncio de novas tarifas a países europeus ter desencadeado um "sell-off" de ativos dos EUA na terça-feira.
A "nota verde" ganhou força depois de o Presidente norte-americano ter excluído utilizar força para conseguir o controlo da Gronelândia. "Provavelmente não vamos conseguir nada a não ser que eu decida fazer uso excessivo de força e aí seríamos, francamente, imparáveis. Mas eu não vou fazer isso", garantiu o líder dos EUA, embora tenha reforçado a ideia de que quer "negociar imediatamente" a anexação do território.
Para Brian Jacobsen, da Annex Wealth Management, a reação deve-se mais ao que o Presidente norte-americano não disse do que propriamente o que disse. "[Trump] não reiterou a sua ameaça tarifária contra a Europa e disse que o governo não usaria a força para obter a Gronelândia. Não disse que iria limitar as taxas dos cartões de crédito, pedindo, em vez disso, ao Congresso para o fazer", explica Jacobsen, acrescentando: "Parece uma suavização do discurso, mesmo que o estilo tenha continuado a ser puramente Trump".
A esta hora, o euro recua 0,17% para 1,1705 dólares, enquanto a libra negoceia na linha d'água, ao ceder 0,04% para 1,3433 dólares. Já face ao iene, o dólar está inalterado, após grande turbulência na negociação de terça-feira, com os mercado a afastarem-se de alguns ativos nipónicos, pressionados pelos planos da primeira-ministra do país, Sanae Takaichi, de aumentar a despesa orçamental e proceder com a diminuição de impostos.
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