"Chumbo" a tarifas de Trump leva Europa a fechar no verde. São quatro semanas de ganhos
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta sexta-feira.
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"Chumbo" a tarifas de Trump leva Europa a fechar no verde. São quatro semanas de ganhos
As bolsas europeias despediram-se da semana pintadas de verde, animadas pela decisão do Supremo Tribunal dos EUA de considerar ilegais as tarifas impostas por Donald Trump às importações. O índice pan-europeu Stoxx600 avançou 0,84%, para os 630,56 pontos, e somou a quarta semana consecutiva com saldo positivo. O ganho de 2,08% na semana foi, aliás, o maior desde finais de novembro.
As praças do Velho Continente foram impulsionadas ainda por uma série de bons resultados reportados pelas cotadas, que atraíram os investidores. Por setores, os produtos de uso corrente e a construção foram os setores com melhores desempenhos, enquanto o "oil & gas" e o retalho registaram quebras.
Nas principais praças reinou o otimismo, com o parisiense CAC-40 a subir 1,39%, impulsionado pelo salto de 4,8% da Air Liquide, que apresentou resultados acima do esperado e elevou o dividendo a distribuir. O alemão DAX subiu 0,87%, o londrino FTSE-100 avançou 0,56%, enquanto o espanhol IBEX-35 subiu 0,94% e o italiano FTSEMib valorizou 1,48%. Lisboa destoou e cedeu 0,05%.
Outro dos fatores a dominar as atenções foi a evolução no plano geopolítico, com o Presidente dos EUA a indicar que Teerão terá 15 dias, no máximo, para alcançar um acordo sobre o seu programa nuclear. Trump admitiu estar a ponderar "ataques limitados" contra o Irão.
"Se um conflito está iminente, será provavelmente de curta duração", refere à Bloomberg Emmanuel Cau, estratega do Barclays. Os "selloffs" motivados por questões geopolíticas costumam proporcionar boas oportunidades para os compradores, acrescenta.
Juros da dívida soberana aliviam na Zona Euro
Os juros da dívida soberna dos países da Zona Euro aliviaram esta sexta-feira.
Os juros das obrigações alemãs a dez anos, referência para o contexto europeu, desceram 0,5 pontos-base para 2,736%, enquanto a rendibilidade da dívida francesa com a mesma maturidade caiu 1,5 pontos-base para 3,297%. Em Itália, a descida foi de 0,8 pontos-base para 3,338%.
Pela Península Ibérica, a "yield" das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos cedeu 1,6 pontos para 3,076% e, em Espanha, os juros da dívida com a mesma maturidade aliviaram 1,6 pontos-base para 3,145%.
Fora da Zona Euro, no Reino Unido a rendibilidade das obrigações situa-se nos 4,351%, após uma descida de 1,6 pontos-base.
Nos EUA, os juros das Treasuries a dez anos sobem 2,3 pontos-base para 4,090%, isto depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter revogado as tarifas do presidente Donald Trump.
Petróleo derrapa mas caminha para subida semanal
Os preços do petróleo estão a ceder esta tarde, ainda que estejam a caminho de fechar a primeira semana de valorizações num mês e ainda perto de máximos de seis meses. Ao longo da semana, as cotações foram impulsionadas pela escalada de tensões entre os EUA e o Irão - um dos maiores produtores de "ouro negro" do mundo.
O país, membro da OPEP, produz mais de três milhões de barris de petróleo bruto por dia, ou cerca de 3% da produção a nível mundial, e exporta principalmente para a China. No entanto, o risco principal para os preços é se o Irão decidir bloquear o Estreito de Ormuz.
Os dois países têm estado em conversações para chegar a um acordo sobre os poderes nucleares dos iranianos, tendo ontem Donald Trump dito que o Irão tem apenas 10 dias para assinar um acordo, caso contrário, "coisas más" vão acontecer, nas palavras do republicano. Apesar de os comentários terem agitado as águas do mercado petrolífero, há uma parte que acredita que um ataque não está iminente, o que ajudou a aliviar os preços esta tarde.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – recua 0,38%, para os 66,18 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – desvaloriza 0,35% para os 71,37 dólares por barril.
"Os 'traders' aguardam para ver como é que a tensão no Médio Oriente vai evoluir ao longo do fim de semana. O apetite para fazer tomada de mais-valias também está limitado antes do fim de semana", disse Giovanni Staunovo, analista de petróleo do UBS.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou esta sexta-feira que esperava ter uma contraproposta preliminar pronta em poucos dias, após as negociações nucleares desta semana, enquanto Trump disse estar a considerar ataques militares limitados.
Ao mesmo tempo, os EUA estão a realizar o maior reforço militar no Médio Oriente desde 2003, antes da invasão do Iraque, o que sugere que Trump pode avançar com uma ação muito mais abrangente do que o ataque repentino contra o programa nuclear do Irão, em junho passado.
Ouro salta 1% com investidores a preverem retaliação de Trump a decisão sobre tarifas
Os preços do ouro estão a beneficiar do papel como ativo-refúgio, enquanto os investidores avaliam a decisão do Supremo Tribunal dos EUA, que consideraram que as "tarifas recíprocas" aplicadas por Donald Trump em abril do ano passado são ilegais.
À primeira vista, a ilegalidade das tarifas deveria tirar força ao ouro, já que a decisão vem acabar com a instabilidade causada pelo assunto há vários meses. No entanto, os investidores estão já a prever que Trump vá tentar dar a volta à decisão restabelecer as taxas alfandegárias usando outras leis, o que promete trazer volatilidade ao mercado, o que tende a beneficiar o metal.
O metal amarelo está a saltar 1,11% para 5.051,61 dólares por onça, impulsionado também pela queda do dólar, que torna o ouro mais barato para compradores de outras moedas.
“O ouro sofreu alguma pressão, uma vez que a decisão do Supremo Tribunal sobre as tarifas reduziu a incerteza imediata relacionada com o comércio e sustentou o apetite por risco”, disse Ewa Manthey, estratega de commodities do ING Bank, à Bloomberg. “No entanto, esse suporte provavelmente vai continuar limitado, visto que algumas tarifas específicas do setor ainda estão em vigor e medidas comerciais alternativas continuam a ser uma possibilidade", acrescentou.
A decisão judicial coincidiu com o anúncio de que o banco central da Rússia vendeu ouro das suas reservas em janeiro, o primeiro corte desde outubro. As compras dos bancos centrais têm desempenhado um papel crucial na forte valorização do metal amarelo nos últimos três anos, proporcionando uma base sólida para os preços. Com 300.000 onças de ouro agora disponíveis no mercado aberto, surgiram preocupações de que o metal precioso possa enfrentar alguma fraqueza no curto prazo, além da volatilidade acentuada após a queda histórica de preços no final de janeiro.
Os investidores estão ainda a digerir os dados económicos norte-americanos. No ano passado, o produto interno bruto (PIB) subiu 2,2%, abrandando face aos 2,8% de 2024 e aos 2,9% de 2023. O último trimestre de 2025 registou uma desaceleração acentuada, com a maior economia mundial a expandir-se apenas 1,4%, o que compara com os 4,4% dos três meses anteriores. O Gabinete de Análise Económica (BEA) indica que o "shutdown" terá subtraído cerca de um ponto percentual ao PIB.
O índice de despesas de consumo pessoal (PCE), o indicador de inflação preferido da Reserva Federal, acelerou 0,4% em dezembro, em comparação com o mês anterior, em relação à estimativa dos economistas de um aumento de 0,3%.
Dólar em queda após decisão sobre tarifas americanas
O dólar-norte americano, que estava a caminho do maior ganho semanal desde outubro, está agora a cair face às restantes divisas, isto depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter declarado que as tarifas aplicadas por Donald Trump em abril do ano passado são ilegais.
O índice da DXY da "nota verde" tomba 0,31% para 97,622 pontos. O euro sobe 0,22% para 1,1799 dólares e, face à divisa nipónica, o dólar perde 0,1% para 154,87 ienes. Já a libra soma 0,34% para 1,3508 dólares, o dólar australiano ganha 0,26% para 0,7075 dólares dos EUA.
Os estrategas da Bloomberg dizem que a resiliência do dólar está em risco, já que esta decisão "pode levar a que as taxas de juro de curto prazo fiquem mais baixas e a uma curva de juros mais acentuada", o que seria "uma combinação negativa para a moeda americana".
"A lógica é simples: as tarifas eram uma importante fonte de receita, e sua remoção alarga o défice de financiamento do Governo. Ao mesmo tempo, a Reserva Federal de Nova Iorque estimou que o ónus dessas taxas recaía principalmente sobre os consumidores americanos, implicando que a sua reversão deve aliviar as pressões sobre os preços e, com o tempo, as expectativas de inflação", explicou ainda Brendan Fagan.
O mercado está agora envolto num sentimento de incerteza, sobretudo em relação a uma possível retaliação da Casa Branca e dos mecanismos de reembolso das tarifas.
Decisão do Supremo dá impulso a Wall Street e leva Europa a reforçar ganhos
Depois de uma abertura morna, os principais índices norte-americanos conseguiram encontrar um novo catalisador na decisão do Supremo Tribunal dos EUA, que considerou as tarifas da administração Trump ilegais. Wall Street está, agora, pintada de verde, depois daquela que foi a maior derrota para o Presidente desde que assumiu funções no arranque do ano passado.
Após terem aberto no vermelho, o S&P 500 acelera agora 0,42% para 6.890,75 pontos, enquanto o Dow Jones ganha 0,34% para 49.562,31 pontos. Já o tecnológico Nasdaq, que já tinha arrancado no verde, reforçou ganhos e está, neste momento, a saltar 0,58% para 22.815,09 pontos.
Pela Europa, também se sente um reforço, com o Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação - a crescer 0,77% para 6.106,33 pontos, tendo chegado a saltar mesmo 1,1%. Os principais índices do Velho Continente estão pintados de verde, à exceção do português PSI, que negoceia com perdas de 0,35%.
De acordo com os analistas da Penn-Wharton, os EUA já arrecadaram 175 mil milhões de dólares em tarifas aplicadas às importações de bens de outros países - um valor que pode vir a ter de ser devolvido. A decisão do Supremo Tribunal não foi unânime, mas existiu um clara maioria sobre o tema, com seis membros a votarem a favor e apenas três contra.
"O Supremo não ordenou que fossem emitidos reembolsos, mas abriu a porta para que isso acontecesse", esclarece Brian Jacobsen, analista da Annex Wealth Management, à Bloomberg. "Isto deve proporcionar um alívio de curta duração, uma vez que apenas adia o inevitável das tarifas serem aplicadas através de outros poderes", refere.
As taxas aduaneiras impostas pelos EUA à importação de bens de outros países foi justificada à luz de uma lei de 1977 que dá ao Presidente poderes de decisão em situações de emergência. Brian Jacobsen antecipa que a administração Trump opte, agora, por "tarifas específicas por país e por setor - que demoram mais tempo a ser impostas".
Economia em desaceleração e inflação persistente deixam Wall Street dividida
Os principais índices norte-americanos arrancaram a derradeira sessão da semana divididos entre ganhos e perdas, com o Dow Jones e o S&P 500 a serem pressionados por um crescimento económico no quarto trimestre do ano passado que ficou bastante abaixo das expectativas e por novos dados que apontam para uma inflação persistente.
O S&P 500 abriu a sessão com perdas de 0,07% para 6.856,87 pontos, enquanto o industrial Dow Jones cai 0,34% para 49.234,14 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite avança 0,04% para 22.692,06 pontos. Os três índices terminaram a negociação de quinta-feira em território negativo, com as tecnológicas a liderarem as perdas, com o mercado acionista a ser pressionado por um recrudescer das tensões geopolíticas entre EUA e Irão.
Depois de ter subido 4,4% entre julho e setembro, o PIB dos EUA acabou por crescer apenas 1,4% nos últimos três meses de 2025, de acordo com estimativas preliminares divulgadas esta sexta-feira. Os economistas contactados pela Bloomberg antecipavam um crescimento de 2,8%.
Já o indicador preferido pela Reserva Federal (Fed) norte-americana para medir a inflação - o índice de preços com despesas no consumo pessoal (PCE) - acelerou mais do que antecipado, registando uma subida em cadeia de 0,4% no último mês do ano passado, o que representa o maior salto em quase um ano. Em termos anuais, o crescimento foi de 2,9%.
"Foram números desapontantes", explica Brian Jacobsen, da Annex Wealth Management, à Bloomberg. "Os indicadores em tempo real deram-nos esperanças de que veríamos algo mais próximo dos 3% [em termos de crescimento do PIB] - os 1,4% acabaram por ser uma grande deceção. Já a inflação está muito elevada", refere ainda.
Mesmo com estes novos dados, os investidores continuam a apontar para um primeiro corte nas taxas de juro este ano em junho. O alívio deverá ser de 25 pontos-base, mas, dentro do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC), já existem membros que defendem um aperto da política monetária, de acordo com as atas da última reunião.
Os investidores aguardam agora pela decisão do Supremo Tribunal dos EUA sobre a legalidade das tarifas introduzidas por Donald Trump desde que assumiu as rédeas da maior economia do mundo. Caso sejam consideradas ilegais, existe o risco de o país ter de devolver cerca de 175 mil milhões de dólares - o que teria um impacto bastante negativo na economia norte-americana e, consequentemente, nos mercados.
Entre as principais movimentações de mercado, a Blue Owl cai 4,89%, estendendo as perdas de mais de 5% de quinta-feira, depois de ter anunciado que iria limitar os resgates dos clientes dos seus fundos. A decisão não teve apenas impacto na empresa de "private equity", originando uma venda de ações um pouco por todo o setor.
Por sua vez, a Akamai Technologies afunda 10,21%, depois de a empresa de serviços de "cloud" ter estimado lucros operacionais para o primeiro trimestre de 2025 que ficaram abaixo das expectativas de Wall Street. Já a Copart mergulha 6,56%, após a empresa ter visto as suas receitas e os lucros caírem no seu segundo trimestre fiscal.
Taxa Euribor mantém-se a três meses e sobe a seis e a 12 meses
A taxa Euribor manteve-se esta sexta-feira a três meses e subiu a seis e a 12 meses em relação a quinta-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que se manteve em 2,024%, continuou abaixo das taxas a seis (2,141%) e a 12 meses (2,205%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou, ao ser fixada em 2,141%, mais 0,004 pontos do que na quinta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a dezembro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,77% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,85% e 25,09%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também subiu, para 2,205%, mais 0,007 pontos do que na sessão anterior.
Já a Euribor a três meses manteve-se ao ser fixada de novo em 2,024%, o mesmo valor de quinta-feira.
Em 05 de fevereiro, o BCE manteve as taxas diretoras, de novo, pela quinta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 18 e 19 de março em Frankfurt, Alemanha.
Em relação à média mensal da Euribor em janeiro, esta baixou a três, a seis e a 12 meses, de forma mais acentuada no prazo mais longo.
A média mensal da Euribor em janeiro desceu 0,020 pontos para 2,028% a três meses e 0,002 pontos para 2,137% a seis meses.
Já a 12 meses a média da Euribor recuou 0,022 pontos para 2,245% em janeiro.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Europa pinta-se de verde. Stoxx 600 caminha para quarta semana consecutiva de ganhos
Os principais índices europeus estão a negociar em alta e deverão registar a sua quarta valorização semanal consecutiva, à medida que a época de resultados robusta continua a atrair mais investidores para a região.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – avança 0,50%, para os 628,44 pontos, aproximando-se do máximo histórico atingido na quarta-feira.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX ganha 0,30%, o espanhol IBEX 35 soma 0,58%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,94%, o francês CAC-40 sobe 0,79%, o neerlandês AEX avança 0,21%, ao passo que o britânico FTSE 100 regista uma subida de 0,53%.
Para já, os investidores mantêm-se otimistas em relação aos resultados das empresas e às perspetivas económicas para a Europa. Nesta medida, as cotadas do índice regional MSCI Europe registaram um aumento de 3,7% nos lucros do quarto trimestre até agora, em comparação com as estimativas dos analistas de subidas de 1,3%, de acordo com dados compilados pela Bloomberg Intelligence.
Os desenvolvimentos geopolíticos também continuam em foco e impulsionam cotadas do setor da defesa – como a alemã Rheinmetall (+1,18%) e a italiana Leonardo (+0,81%) - , depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito ontem que o Irão tem no máximo 15 dias para chegar a um acordo sobre o seu programa nuclear com Washington. “Se o conflito for iminente, é provável que seja de curta duração”, afirmaram especialistas do Barclays numa nota citada pela Bloomberg, acrescentando que as vendas de ações devido à incerteza geopolítica geralmente representam boas oportunidades de compra.
Entre os setores, o dos bens domésticos (+1,46%), da construção (+1,40%) e dos químicos (+1,36%) lideram as subidas, enquanto o das “telecom” (-0,19%), do retalho (-0,19%) e dos alimentos (-0,34%) registam as maiores perdas.
Já quanto aos movimentos do mercado nesta sexta-feira, a Air Liquide pula mais de 3%, depois de a produtora francesa de gás industrial ter divulgado resultados acima das expectativas no segundo semestre e aumentado os seus dividendos.
Juros aliviam em toda a linha na Zona Euro
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a aliviar em toda a linha na sessão desta sexta-feira, num dia em que as bolsas do Velho Continente negoceiam com ganhos.
Os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, aliviam 1 ponto-base, para 3,082%. Em Espanha a "yield" da dívida com a mesma maturidade segue a mesma tendência e recua igualmente 1 ponto, para 3,151%.
Já os juros da dívida soberana italiana caem 0,6 pontos, para 3,341%.
Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa alivia também 0,6 pontos, para 3,306%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, cedem 0,5 pontos, para os 2,736%.
Fora da Zona Euro, os juros das "gilts" britânicas, também a dez anos, aliviam 2 pontos-base, para 4,347%.
Dólar perto de fechar melhor semana desde outubro. Dados económicos impulsionam "nota verde"
O dólar está prestes a encerrar a sua melhor semana desde outubro, impulsionado por uma série de dados económicos, uma perspetiva mais “hawkish” da Reserva Federal e tensões geopolíticas.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes - avança 0,04%, para os 97,969 pontos, fixando-se perto de máximos de um mês atingidos na quinta-feira.
Os pedidos de subsídio de desemprego nos EUA caíram em mais de 20 mil para um total de cerca de 206 mil na semana terminada a 14 de fevereiro, sublinhando a estabilidade e resiliência do mercado laboral norte-americano. Agora, os “traders” aguardam pelos dados do indicador preferido de inflação da Fed – o índice de preços do consumo pessoal – conhecidos nesta sexta-feira.
Noutros pontos do mercado, o dólar valoriza 0,34%, para os 155,630 ienes. Por cá, o euro desvaloriza 0,12%, para os 1,176 dólares. Já a libra recua 0,10%, para os 1.345 dólares.
Ouro e prata valorizam, mas metal amarelo deve fechar semana com perdas. Dólar mais forte pressiona preços
O ouro e a prata estão a negociar com ganhos na manhã desta sexta-feira, mas o metal amarelo caminha para uma queda semanal, à medida que um dólar mais forte tem vindo a pressionar o metal precioso.
A esta hora, o metal amarelo, valoriza 0,54%, para os 5.023 dólares por onça. A prata, por sua vez, avança 1,05%, para os 79,334 dólares por onça.
O ouro tem vindo a ganhar terreno à medida que aumenta a procura pelo metal amarelo enquanto ativo-refúgio, devido à crescente incerteza geopolítica. O Presidente dos EUA, Donald Trump, referiu que o Irão tem de chegar a um acordo sobre o seu programa nuclear com Washington nos próximos dias, ou arriscar que aconteçam “coisas muito más”.
Para já, a par dos desenvolvimentos na região do Médio Oriente, os “traders” estão à espera da divulgação de dados importantes sobre a inflação nos EUA para avaliar qual poderá ser o rumo da política monetária na maior economia mundial.
Nesta linha, vários decisores de política monetária da Fed mostraram-se abertos a aumentos das taxas de juro se a inflação permanecer elevada, segundo as atas da reunião do banco central em janeiro, divulgadas esta semana, fator que levou os “traders” a reduzirem ligeiramente as apostas de um corte das taxas em junho, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME.
Crude caminha para semana de ganhos com incerteza geopolítica e queda dos "stocks" nos EUA
O petróleo negoceia com ganhos esta manhã e segue a caminho da primeira valorização semanal das últimas três semanas, devido às crescentes preocupações de que o aumento das tensões entre Washington e Teerão possa vir a escalar para um conflito militar.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – ganha 0,33%, para os 66,65 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza ligeiros 0,01% para os 71,66 dólares por barril.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, estabeleceu um prazo de 10 a 15 dias para que o Irão chegue a um entendimento com Washington sobre o seu programa nuclear.
A grande preocupação dos “traders” neste momento é que um potencial conflito entre os dois países irá condicionar a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido ao nível mundial.
A par da incerteza geopolítica, também uma queda registada nos “stocks” de crude dos EUA segue a impulsionar os preços do crude. Nesta linha, as existências de petróleo bruto dos EUA caíram 9 milhões de barris, segundo um relatório da Administração de Informação Energética norte-americana divulgado na quinta-feira.
Ásia pressionada por incerteza no Médio oriente. Kospi fixa novo recorde com subida de 6% da SK Hynix
Os principais índices asiáticos encerraram a última sessão da semana com uma maioria de perdas, pressionados por preocupações em torno da crescente tensão entre os EUA e o Irão, depois de o Presidente norte-americano ter dado um prazo de dez dias a Teerão para que chegasse a um entendimento com Washington sobre o seu programa nuclear. Isto num dia em que a negociação pela China continental e por Taiwan continuou encerrada devido ao feriado do Ano Novo Lunar. Pela Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 avançam 0,40%.
O Nikkei caiu 1,12% e o Topix desvalorizou 1,13%. Já o sul-coreano Kospi - índice com grande peso de cotadas ligadas à IA – pulou 2,31% e atingiu um novo recorde de 5.809,91 pontos, destacando-se como o índice bolsista com o melhor desempenho ao nível global desde o início do ano. Já o Hang Seng de Hong Kong, que reabriu hoje para negociações, cedeu 0,98%.
As ações japonesas caíram, à semelhança do registado na sessão de ontem por Wall Street, com preocupações sobre um possível ataque dos EUA ao Irão a afetarem o sentimento do mercado. Também as expectativas quanto a um aumento antecipado das taxas de juro pelo Banco do Japão (BoJ) pressionaram as praças bolsistas da região, após comentários do presidente da Associação Bancária Japonesa, que apontou para a possibilidade de o BoJ subir os juros diretores já em março.
“Há cautela sobre quando poderá ocorrer o próximo aumento, e isso está a pesar sobre o Nikkei”, disse à Bloomberg Kazuhiro Sasaki, da Phillip Securities.
Já as cotadas asiáticas do setor da defesa ganharam terreno, devido ao aumento da incerteza em torno do Irão. “O nível de cautela parece mais elevado do que no ataque às instalações nucleares do ano passado”, afirmou Sasaki. “Se os EUA avançarem com este ataque, ele poderá atingir diretamente o Estreito de Ormuz”, acrescentou à agência de notícias financeiras o especialista.
“O aumento dos recursos militares dos EUA tem um duplo objetivo: oferecer a opção de um ataque a alvos militares iranianos e, ao mesmo tempo, aumentar a pressão sobre o Irão”, escreveu, por sua vez, Tony Sycamore, da IG Australia. “O atual jogo diplomático de ‘gato e rato’ pode estender-se pelas próximas semanas antes que se chegue a uma resolução, seja ela de natureza diplomática ou militar”, referiu.
Mas apesar das perdas hoje registadas, as expectativas em relação às políticas orçamentais da primeira-ministra Sanae Takaichi estão a proporcionar algum apoio aos preços das cotadas japonesas, especialmente entre os investidores estrangeiros.
Já pela Coreia do Sul, a SK Hynix pulou mais de 6% e foi uma das grandes responsáveis pelo avanço do principal índice do país. Isto depois de a maior gestora de fundos do mundo, a BlackRock, ter divulgado que aumentou a sua participação na fabricante de memórias, detendo agora mais de 5%.
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