Mercados num minuto Fecho dos mercados: Fraca procura impulsiona juros, petróleo dispara e Powell coloca Wall Street em máximos  

Fecho dos mercados: Fraca procura impulsiona juros, petróleo dispara e Powell coloca Wall Street em máximos  

O discurso do presidente da Reserva Federal impulsionou Wall Street mas não foi suficiente para colocar as praças europeias em alta. O dólar está a ser penalizado pelo corte agora quase certo nos juros dos EUA e os leilões de Portugal e Alemanha estão a provocar subidas nos juros da dívida europeia.
Fecho dos mercados: Fraca procura impulsiona juros, petróleo dispara e Powell coloca Wall Street em máximos   
Reuters
Nuno Carregueiro 10 de julho de 2019 às 17:35

Os mercados em números

PSI-20 desceu 0,01% para os 5.153,06 pontos

Stoxx 600 desvalorizou 0,2% para 387,15 pontos

S&P500 avança 0,38% para 2.990,99 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos somam 2,9 pontos base para 0,494%

Euro sobe 0,45% para 1,1258 dólares

Petróleo em Londres valoriza 3,38% para 66,33 dólares por barril

 

Powell leva Wall Street para máximo histórico

As bolsas foram impulsionadas esta quarta-feira pelo reforço de expectativas de descida de juros nos Estados Unidos. Isto depois de o presidente da Reserva Federal ter dito no Congresso dos EUA que as preocupações em torno da política comercial e uma economia global fraca "continuam a pesar nas perspetivas para a economia dos Estados Unidos" e que, nesse contexto, o banco central se mantém "preparado para agir de forma apropriada" para apoiar a expansão da economia.

 

Nas últimas sessões os investidores tinham recuado nas expectativas sobre o corte de juros nos Estados Unidos, mas estas palavras de Jerome Powell animaram os investidores, que agora dão de novo como certo um corte de juros já este mês de julho.

 

Este otimismo levou Wall Street a atingir novos máximos. O S&P500 fixou mesmo um recorde acima dos 3.000 pontos, mas aligeirou os ganhos posteriormente, com os índices a serem pressionadas pelo setor financeiro, que é penalizado num contexto de descida de juros.

 

Nas praças europeias o saldo acabou por ser ligeiramente negativo, com o Stoxx600 a ceder 0,2% para 387,15 pontos, pressionado sobretudo pelo setor automóvel.

 

Em Lisboa o PSI-20 fechou a perder 0,01% para os 5.153,06 pontos, acumulando assim quatro sessões em queda, o maior ciclo de perdas desde o início de maio. 

 

Corte de juros da Fed em julho penaliza dólar

O discurso do presidente da Fed acabou por penalizar o dólar, levando a divisa norte-americana a corrigir parte dos ganhos conquistados ao longo das últimas sessões.

 

"Um corte da taxa de juro em julho é agora quase certo" comentou à Bloomberg James McCann, da Aberdeen Standard Investments, acrescentando que "os números fortes do emprego da semana passada levaram alguns [investidores] a pensar que a Fed poderia fazer uma pausa para pensar, mas agora parece claro que não o vai fazer".

 

O próprio Jerome Powell fez questão de o esclarecer na sessão de perguntas e respostas no Congresso. Questionado se os dados do emprego tinham alterado o pensamento da Fed, o presidente do banco central respondeu que "não".

 

O índice do dólar, que mede a relação da moeda norte-americana contra as principais divisas mundiais, está a recuar 0,3%. O euro aproveita a fraqueza da nota verde para avançar 0,45% para 1,1258 dólares. Isto apesar de a Comissão Europeia ter voltado a cortar a estimativa de crescimento da Zona Euro, o que dá força ao Banco Central Europeu para reforçar a política de estímulos. 

 

Juros sobem em dia de leilões com fraca procura

Os juros da dívida pública europeia retomaram a tendência de subida, com a "yield" dos títulos portugueses a 10 anos a avançar 2,9 pontos base para 0,494% (terceira sessão em alta nas últimas quatro). Este agravamento, que afasta a taxa dos mínimos históricos abaixo de 0,30%, aconteceu no dia que o IGCP realizou um duplo leilão de dívida de longo prazo com as taxas mais baixas de sempre.

 

Apesar do mínimo histórico, o leilão foi também marcado pela fraca procura, que na emissão a 10 anos atingiu apenas 1,58 vezes a oferta (1,8 vezes no leilão anterior). A Alemanha também esteve hoje no mercado a emitir a 10 anos (a taxa foi a mais baixa de sempre nos -0,26%), sendo que a procura foi de apenas 1,25 vezes a oferta (1,64 vezes na emissão anterior). Descontando os títulos que são comprados pelos bancos emissores, a procura "real" dos investidores não chegou ao montante colocado, o que denota uma falta de apetite do mercado pelos títulos de dívida alemães.

 

A Bloomberg está a justificar o dia negativo nas obrigações soberanas europeias precisamente com a descida da procura nos leilões de Portugal e Espanha. A "yield" das bunds a 10 anos está a subir 4,8 pontos base para -0,31%.

 

Na dívida italiana o agravamento foi de 0,2 pontos base para 1,731% e na espanhola de 1,9 pontos base para 0,435%.

 

Petróleo dispara após descida das reservas

O petróleo negoceia em forte alta nos mercados internacionais, reagindo à descida acentuada das reservas de crude nos Estados Unidos, que reforça a ideia de escassez de oferta para fazer face ao atual nível de procura. De acordo com o Departamento de Energia dos Estados Unidos os "stocks" de crude na maior economia do mundo desceram em 9,5 milhões de barris na semana passada, atingindo o nível mais reduzido em três meses.

 

A matéria-prima já negociava em alta devido à perspetiva de novas sanções dos EUA ao Irão e a uma tempestade que obrigou à evacuação de plataformas petrolíferas no Golfo do México. Acentuou a tendência depois de divulgado o relatório do Departamento de Energia dos Estados Unidos, com o Brent em Londres a somar 3,38% para 66,33 dólares e o WTI em Nova Iorque a disparar 3,25% para 59,71 dólares.

 

Ouro acima dos 1.400 dólares

Após Powell ter realinhado as expectativas do mercado para um corte de juros por parte da Fed, o ouro retomou a tendência altista, estando a transacionar acima dos 1.400 dólares, beneficiando também com o enfraquecimento do dólar.

O ouro está em alta pela segunda sessão, registando uma valorização de 0,65% para 1.406,65 dólares, já perto do máximo de seis anos que atingiu no início deste mês.




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