"Utilities" e tecnológicas pressionam bolsas europeias
Acompanhe aqui, minuto a minuto, o desempenho dos mercados financeiros durante esta sexta-feira.
- Futuros da Europa apontam para perdas na abertura. Ásia no vermelho
- Petróleo penalizado por narrativa da Fed. Procura por gasolina nos EUA impede maior queda
- Ouro valoriza, mas caminha para maior queda semanal em cinco semanas
- "Nota verde" caminha para maior ganho semanal num mês e meio
- Juros aliviam na Zona Euro
- Dúvidas sobre "timing" de corte de juros pela Fed penalizam bolsas europeias
- Wall Street abre no verde apesar de preocupações com inflação persistente
- Ouro recupera em clima de incerteza sobre cortes nos juros
- Libra salta enquanto banco de Inglaterra espera por eleições
- Petróleo valoriza com aumento da procura nos EUA
- Aversão ao risco domina mercados. Juros na Zona Euro aliviam
- "Utilities" e tecnológicas pressionam bolsas europeias
Os principais índices europeus estão a apontar para um início de sessão em terreno negativo, num dia em que os investidores deverão atentar nas vendas a retalho no Reino Unido, bem como em dados detalhados do PIB na Alemanha.
Os futuros sobre o Euro Stoxx 50 descem 0,6%.
A penalizar tanto os índices asiáticos como os europeus estão dados sobre a economia norte-americana, divulgados na quinta-feira e que vão reforçando a narrativa "hawkish" de alguns membros da Reserva Federal, que têm defendido que os juros devem permanecer em terreno elevado durante mais tempo.
A atividade comercial nos EUA acelerou para o valor mais alto em dois anos em maio, mas os preços subiram numa variedade de "inputs", o que sugere que a inflação nos bens de consumo pode aumentar nos próximos meses.
Pela China, o Hang Seng, em Hong Kong, perde 1,17% e o Shanghai Composite recua 0,41%. No Japão, o Nikkei desvaloriza 1,17% e o Topix desce 0,44%, enquanto na Coreia do Sul, o Kospi regista um decréscimo de 1,21%.
Os preços do petróleo estão a valorizar ligeiramente esta sexta-feira, com os investidores a avaliarem os últimos dados económicos dos Estados Unidos e comentários dos responsáveis da Reserva Federal norte-americana, que vão dando força a um cenário de juros altos durante mais tempo, o que poderá penalizar o consumo petrolífero.
No entanto, o facto de os "stocks" de gasolina terem descido na semana passada - mesmo antes do início da "diving season" que se inicia na próxima segunda-feira com o Memorial Day - está a impedir maiores quedas dos preços do "ouro negro".
O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, está inalterado nos 76,88 dólares por barril. Por seu lado, o Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, soma 0,07% para 81,42 dólares.
A procura por gasolina nos EUA atingiu o valor mais elevado desde novembro, segundo os números da Administração de Informação em Energia (IEA, na sigla original, que está sob a tutela do Departamento norte-americano da Energia). Estes dados deram alguma força ao mercado, uma vez que os condutores norte-americanos representam cerca de um décimo da procura global de petróleo, "tornando a próxima época de condução um pilar da recuperação do crescimento da procura global", escreveram os analistas do ANZ numa nota vista pela Reuters.
Os preços do ouro estão a recuperar na manhã desta sexta-feira depois de durante a madrugada terem chegado a tocar mínimos de duas semanas. No entanto, a valorização não está a ser suficiente para impedir uma queda semanal - possivelmente a maior das últimas cinco semanas.
O metal amarelo soma 0,29% para 2.336,02 dólares por onça.
"O tom 'hawkish' nas atas da reunião de política monetária da Fed de maio, que assinala a incapacidade dos decisores políticos para reduzirem as taxas com confiança fez subir os rendimentos do Tesouro e o dólar, e os metais estão a aperceber-se disso", afirmou à Reuters Ilya Spivak, analista da Tastylive.
O ouro é conhecido como um ativo de proteção contra a inflação, mas um cenário de juros mais elevadas aumenta o custo de oportunidade de deter ouro que, por sua vez, não rende juros.
O dólar está a negociar praticamente inalterado face às principais divisas rivais, mas ainda assim a caminho do maior ganho semanal num mês e meio, com dados sobre a economia norte-americana mais robustos do que o esperado a deixarem os investidores apreensivos relativamente ao curso da inflação e da política monetária.
O dólar desliza 0,02% para 0,9244 euros, ao passo que o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da nota verde contra dez divisas rivais - cede 0,08% para 105,027 dólares.
Já face ao iene, o dólar ganha cerca de 1% na semana, mesmo depois de a inflação subjacente em abril no Japão ter descalerado pelo segundo mês consecutivo, tal como era esperado pelos analistas, o que teve um efeito de agravamento das "yields" da dívida soberana japonesa.
"Está a ter muito pouco efeito no iene", explicou à Reuters Martin Whetton, analista da Westpac. "Deter dólares é muito mais vantajoso", acrescentou, referindo que a retórica dos responsáveis da Fed deixou os investidores nervosos com a inflação e o risco de que os cortes nas taxas diretoras possam ser de pequena dimensão ou acontecer mais tarde que o esperado.
Os juros das dívidas soberanas na Zona Euro estão a aliviar esta sexta-feira, o que se traduz numa maior aposta dos investidores em obrigações, numa altura em que os principais índices europeus negoceiam no vermelho.
As "yields" da dívida pública portuguesa e espanhola com maturidade a dez anos recuam 1,2 pontos base para 3,190% e 3,336%, e a das Bunds alemãs com o mesmo prazo, de referência para a região, cede 1,5 pontos para 2,579%.
A rendibilidade da dívida soberana italiana decresce 0,7 pontos base para 3,876% e a da dívida francesa recua 1,4 pontos para 3,049%.
Fora da Zona Euro, os juros das Gilts britânicas, com prazo a dez anos, aliviam 1,2 pontos base para 4,246%.
Os principais índices europeus estão a negociar em baixa esta sexta-feira, numa altura em que os investidores se mantêm centrados nos últimos números robustos sobre a economia norte-americana, que vão relançando dúvidas de que a Reserva Federal possa demorar mais tempo do que o esperado a cortar juros.
O índice de referência europeu, Stoxx 600, recua 0,69% para 517,95 pontos, com todos os setores no vermelho. Os setores da banca, de tecnologia, de serviços financeiros e das "utilities" (água, luz, gás) perdem mais de 1%.
O "benchmark" caminha para uma queda superior a 1% na semana, a maior em cinco semanas.
Entre os principais movimentos de mercado, a papeleira britânica DS Smith perde 1,22% para 371,8 libras, depois de a Bloomberg ter revelado que a brasileira Suzano está em conversações com bancos à procura de financiamento para adquirir a International Paper, que teria planos para comprar a DS Smith.
Pela positiva, a Renault soma 1,9% para 48,72 euros, depois de a empresa ter anunciado um plano de recompra de ações e os analistas do UBS terem atualizado a recomendação relativamente às ações de "vender" para "neutral".
"A questão continua a ser a mesma, é a Fed", afirmou à Bloomberg François Rimeu, estratega da La Française Asset Management. "Mas enquanto as expectativas para a primeira descida de juros pela Fed forem apenas adiadas por alguns meses, isso não altera a narrativa, que é, em termos gerais, de 'so far so good'", referindo-se a uma economia norte-americana resiliente e uma inflação globalmente sob controlo.
Entre os principais índices da Europa Ocidental, o alemão Dax cede 0,69%, o francês CAC-40 desvaloriza 0,47%, o italiano FTSEMIB recua 0,88%, o britânico FTSE 100 perde 0,65% e o espanhol IBEX 35 cai 1,08%. Em Amesterdão, o AEX regista um decréscimo de 0,67% e, em Lisboa, o PSI recua 0,28%.
As bolsas de Wall Street abriram em terreno positivo, depois de novos dados mostrarem uma inflação persistente nos EUA, que acabaram por pressionar os mercados para o vermelho durante a sessão de quinta-feira. A atividade comercial no país acelerou para o valor mais elevado em dois anos no mês de maio, mas os preços subiram numa variedade de "inputs", o que sugere que a inflação nos bens de consumo pode aumentar nos próximos meses.
"Estes desenvolvimentos reforçam a visão de que os mercados continuam sensíveis aos dados económicos, que, por sua vez, reforçam a ideia de que as taxas de juro elevadas podem persistir ainda durante um longo período", afirmaram os estrategas da OCBC numa nota acedida pela Reuters.
O índice de referência S&P 500 valoriza 0,38% para 5.287,94 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite cresce 0,46% para os 16.813,09 pontos. Ambos atingiram máximos históricos durante a sessão de quinta-feira, nos 5.341,88 pontos e nos 16.996,39 pontos, respetivamente. Já o industrial Dow Jones avança 0,21% para 39.148,86 pontos.
Ainda em destaque nas movimentações do mercado estão as ações da Nvidia, que, nos primeiros minutos de negociação, encontravam-se a valorizar 0,33% para 1.041,44 dólares, depois de ter atingido máximos históricos de 1.063,20 dólares. A gigante tecnológica apresentou, na quarta-feira, um crescimento astronómico nos seus resultados trimestrais, o que levou a empresa a registar picos de cerca de 10% de valorização durante a sessão de ontem.
O ouro encontra-se a valorizar, mas os preços do metal dourado preparam-se para registar a primeira queda semanal num mês. Isto acontece numa altura em que as atas divulgadas da última reunião da Reserva Federal (Fed) norte-americana, onde o banco central decidiu manter as taxas de juro inalteradas, revelaram um tom "hawkish" em relação à política monetária.
Os preços do ouro valorizam 0,43% para 2.339,31 dólares por onça, impulsionados por um dólar mais fraco, que faz com que a compra do metal amarelo seja mais atrativa para investidores estrangeiros. "Numa altura em que os mercados estão, inquestionavelmente, a entrar num movimento de correção em baixa, estamos a ver várias pessoas que perderam o 'rally' a aproveitar a oportunidade de participar", afirma Ross Norman, um analista, à Reuters.
Com os investidores cada vez mais desacreditados num corte nas taxas de juro, no próximo mês, pelo Banco de Inglaterra - que deverá adiar a decisão para depois das eleições a 4 de julho -, quem segue a beneficiar é a libra, que caminha para o melhor mês desde novembro.
A perspetiva de alargamento de uma política restritiva por mais tempo, de forma a arrefecer a inflação no país, leva a libra a avançar 0,39% para 1,2748 dólares. Face ao euro, a moeda inglesa segue praticamente inalterada.
Já a nota verde cai 0,30% para 0,9218 euros, ao passo que o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da moeda norte-americana face a 10 divisas rivais – recua 0,35% para 104,7450 pontos. Ainda assim, o dólar caminha para o maior ganho semanal num mês e meio, suportado por uma economia nos EUA mais robusta.
Em relação ao iene, a divisa norte-americana negoceia na linha d’água, depois de os dados mais recentes revelarem que a inflação subjacente em abril no Japão desacelerou pelo segundo mês consecutivo – contrariando a tendência de subida do dólar de quase 1% durante a semana.
Os preços do petróleo estão a valorizar, com os investidores atentos aos novos dados económicos dos EUA que apontam para uma inflação persistente e numa altura em que os discursos dos membros da Reserva Federal (Fed) norte-americana não são muito otimistas em relação a um corte de juros - o que poderá afetar o consumo de crude.
O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, valoria 0,65% para 77,37 dólares por barril. Por seu lado, o Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, soma 0,45% para 81,73 dólares.
Apesar de a inflação poder afastar algum consumo de combustíveis, a "driving season" está prestes a começar nos EUA e os seus efeitos já se fazem sentir no consumo de gasolina no país. Segundo dados da Energy Information Administration (EIA), os "stocks" desceram durante a semana passada e o consumo de gasolina atingiu máximos de seis meses, o que está a impedir maiores quedas dos preços do "ouro negro". Os condutores norte-americanos representam cerca de um décimo da procura global de petróleo e a "driving season" pode mesmo tornar-se num "pilar da recuperação do crescimento da procura global", escrevem os analistas do ANZ numa nota acedida pela Reuters.
Os juros das dívidas soberanas com maturidade a 10 anos na Zona Euro baixaram esta sexta-feira, o que sinaliza uma maior procura dos investidores por obrigações, num dia em que a maioria das praças europeias e o Stoxx 600 negociaram no vermelho.
Os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, desceram 0,5 pontos base para 3,197%, enquanto em Espanha a "yield" aliviou em 0,6 pontos, para 3,342%.
Os juros das "bunds" alemãs com o mesmo vencimento, que são a referência para a região, retraíram 1,2 pontos para 2,582%.
Já a rendibilidade da dívida francesa cedeu 0,9 pontos base para 3,054% e a da dívida italiana permaneceu estável nos 3,883%.
Os principais índices europeus fecharam a sessão desta sexta-feira no vermelho, prejudicados pela crescente onda de dúvidas relativamente à capacidade de a Reserva Federal reduzir as taxas de juro dos EUA até dezembro face aos dados económicos robustos (que podem alimentar mais inflação).
O índice de referência, Stoxx 600, caiu 0,19% para 520,57 pontos e corrigiu parte das perdas sentidas no início da sessão.
Entre os 20 setores que compõem o "benchmark", o das "utilities" (água, luz, gás) foi o que mais pressionou a bolsa, ao cair 1,33%, depois de ospreços do gás terem registado a maior subida consecutiva desde 2021. As ações das tecnológicas, sensíveis às elevadas taxas de juro, também tiveram um desempenho negativo e deslizaram 0,31%.
A elevar o Stoxx 600 a terreno verde esteve o setor automóvel, que fechou a sessão a ganhar 0,43%, obem como o do retalho - que subiu 0,38% - e da indústria, que pesou 0,12%.
Entre os principais movimentos de mercado, a DS Smith caiu pela incerteza em torno do plano da International Paper Co. de adquirir a empresa de embalagens do Reino Unido.
Em sentido contrário, a Renault avançou, depois de os analistas do UBS terem atualizado a recomendação relativamente às ações, de "vender" para "neutral". Também no verde seguiu a TotalEnergies, depois de o CEO, Patrick Pouyanne, ter dito que quer cotar a empresa em Nova Iorque e Paris.
A oscilação das ações, esta semana, ocorreu numa altura em que os decisores da Fed sinalizaram que não têm pressa em cortar as taxas de juro. Ainda assim, o índice europeu subiu mais de 3% durante este mês, impulsionado por lucros robustos e pela confiança de que as taxas de juro acabarão por ceder.
Os economistas do Goldman Sachs também voltaram atrás com o pedido de flexibilização monetária nos EUA para julho, pois acreditam que a economia do outro lado do Atlântico ainda está "muito resiliente".
Entre os principais índices da Europa Ocidental, o francês CAC-40 desvalorizou 0,09%, o britânico FTSE 100 perdeu 0,26% e, em Espanha, o IBEX 35 cedeu 0,58%. Pela positiva seguiram o alemão Dax, que avançou 0,01%, o italiano FTSEMIB, que somou 0,07% - e, em Amesterdão, o AEX, que registou uma subida de 0,10%.
Mais lidas