Petróleo sobe pelo quarto dia consecutivo e mantém-se acima dos 100 dólares
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quinta-feira.
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Dólar ganha terreno com impasse nas negociações. Euro cai dos 1,17
O dólar continua a ganhar terreno face aos seus principais rivais, numa altura em que as tensões entre EUA e Irão persistem e uma resolução do conflito a curto prazo continua bloqueada devido às disrupções no estreito de Ormuz. De acordo com a imprensa internacional, a marinha norte-americana terá intercetado três petroleiros iranianos que tentavam atravessar esta via marítima, aumentando a incerteza na região.
A esta hora, o índice do dólar da Blooomberg - que mede a força da "nota verde" face às suas principais rivais - acelera 0,1%, mantendo-se próximo de máximos de uma semana e meia, num dia em que os preços do petróleo estão a negociar acima dos 100 dólares e a afastar os investidores de ativos de risco. Por sua vez, o euro perde 0,06% para 1,1698 dólares, cindo do nível dos 1,17 que tem negociado nas últimas sessões, enquanto a libra cede 0,13% para 1,3484 dólares.
Embora o Presidente dos EUA tenha afirmado que o cessar-fogo com o Irão vai permanecer ativo por tempo indeterminado, os mercados começam a mostrar-se frustrados com a falta de progresso num acordo de paz entre os dois países. Quanto mais a guerra se prolongar e o estreito de Ormuz permanecer praticamente encerrado, maiores serão os riscos para a economia e inflação mundiais - alimentando a procura por ativos de refúgio, como o dólar.
"Continuo a pensar que os mercados irão em breve perceber que o caminho para um acordo duradouro ainda está longe e que os preços da energia provavelmente irão subir ainda mais antes de começarem a baixar. Isto deixa moedas de risco expostas a quedas", refere Carol Kong, estratega no Commonwealth Bank of Australia, à Bloomberg. "Os mercados continuam nervosos, num contexto de um frágil cessar-fogo entre os EUA e o Irão", acrescenta.
Ouro perde "brilho" com negociações para a paz a continuarem bloqueadas
O ouro está a negociar com perdas esta quinta-feira, pressionado pela falta de avanços nas negociações para a paz entre EUA e Irão. O estreito de Ormuz continua a ser um dos grandes fatores de bloqueio para acabar com um conflito que dura já há quase oito semanas, levando os preços da energia a dispararem e os investidores a apostarem num aperto da política monetária - que tende a penalizar o metal precioso, uma vez que este não rende juros.
A esta hora, o ouro cede 0,57% para 4.711,87 dólares por onça, tendo chegado a cair cerca de 1% esta madrugada - apagando por completo os ganhos da sessão anterior. Desde o desencadear do conflito, o metal amarelo já perdeu perto de 11% do seu valor, pressionado não só pelas perspetivas de aumentos das taxas de juro nos maiores blocos económicos do mundo, como também pela retira de mais-valias por parte dos investidores para cobrir perdas noutros ativos.
Apesar de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado que o cessar-fogo com o Irão vai se manter por tempo indeterminado - um claro recuo em relação às mais recentes ameaças de escalar o conflito e destruir a infraestrutura iraniana -, as conversações de paz não têm avançado. Teerão recusa-se a sentar-se à mesa de negociações enquanto os norte-americanos mantiverem o bloqueio do estreito de Ormuz, prolongando uma situação de grande incerteza no Médio Oriente.
"O mercado de metais preciosos vai continuar cauteloso e volátil", explica Rhona O’Connell, diretora de análise de mercado da corretora StoneX Group, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "As corretoras profissionais continuam relutantes em assumir grandes posições face a condições geopolíticas tão instáveis", acrescenta, numa altura em que o mundo está mergulhado na maior crise energética da história recente.
Petróleo sobe pelo quarto dia consecutivo e mantém-se acima dos 100 dólares
Os preços do petróleo estão a subir pelo quarto dia consecutivo, numa altura em que os impasses nas negociações entre EUA e Irão estão a começar a deixar os investidores frustrados e com poucas esperanças de que o conflito se possa resolver a curto prazo. O estreito de Ormuz continua a ser um obstáculo à paz no Médio Oriente, com o duplo bloqueio da via marítima a impedir a travessia de petroleiros e outras embarcações.
A esta hora, o Brent - de referência para a Europa - acelera 1,39% para 103,35 dólares por barril, depois de ter acelerado mais de 13% nas últimas três sessões e ter ultrapassado o nível dos 100 dólares na quarta-feira. Já o West Texas Intermediate - de referência para os EUA - ganha 1,64% para 94,48 dólares por barril, após ter chegado a acelerar mais de 4%, impulsionado por notícias de que foram ouvidas explosões no Irão, até agora não confirmadas.
O estalar do conflito no Médio Oriente mergulhou o mercado energético em grande volatilidade, levando os preços do petróleo a negociarem em máximos de 2022 - quando a Rússia invadiu a Ucrânia e levou o barril de crude a atingir os 120 dólares. Para já, o Presidente dos EUA, Donald Trump, concordou prolongar o cessar-fogo com o Irão por tempo indeterminado, à espera de uma proposta de paz por parte do país do Médio Oriente - apesar de o regime islâmico continuar a afirmar que não vai participar numa nova ronda negocial caso os norte-americanos não cessem o bloqueio no estreito de Ormuz.
"As tensões continuam elevadas e, com os EUA e o Irão atualmente num impasse quanto aos acordos, até que alguém ceda, o caminho de menor resistência para os preços continua a apontar para uma subida", explica Dennis Kissler, vice-presidente sénior de negociação da BOK Financial Securities, à Bloomberg. "Quanto mais tempo o petróleo não circular pelo estreito, mais os preços irão subir", acrescenta.
Impasse no Irão alimenta pessimismo nos mercados. Ásia e Europa no vermelho
As principais praças asiáticas ainda arrancaram a sessão em alta mas rapidamente inverteram para perdas, numa altura em que as negociações de paz entre EUA e Irão não dão sinais de avanço e as disrupções no estreito de Ormuz continuam a dar gás aos preços do petróleo e a pesar sobre o sentimento dos mercados. Washington terá intercetado, pelo menos, três petroleiros iranianos, reforçando o seu próprio bloqueio nesta artéria fulcral do comércio global.
O "benchmark" MSCI Asia Pacific está a cair 0,5%, numa altura em que a maioria das grandes praças da região já se encontram encerradas. Pela Europa, a negociação de futuros aponta para uma abertura em território negativo, com o Euro Stoxx 50 a ceder, a esta hora, 0,61% no "pre-market". O barril de petróleo Brent - de referência para o Velho Continente - voltou a negociar acima dos 100 dólares, deixando os investidores mais receosos em relação ao impacto sustentando dos preços da energia na inflação e, por conseguinte, na política monetária.
Embora o Presidente dos EUA tenha afirmado que o cessar-fogo com o Irão vai permanecer ativo por tempo indeterminado, os mercados começam a mostrar-se frustrados com a falta de progresso num acordo de parte entre os dois países. Quanto mais a guerra se prolongar e o estreito de Ormuz permanecer praticamente encerrado - as travessias têm sido mínimas -, mais as perspetivas económicas mundiais vão ser deterioradas - tendo um claro impacto nos resultados das empresas.
"Os mercados têm adotado uma visão otimista durante este conflito, na esperança de uma resolução rápida e da normalização dos fluxos de energia através do estreito", afirmou Carol Kong, estratega cambial do Commonwealth Bank of Australia, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "Continuo a achar que os mercados vão em breve perceber que o caminho para um acordo duradouro ainda está longe e que os preços da energia provavelmente irão subir ainda mais antes de baixarem", acrescenta.
Uma nova ronda negocial está longe de estar confirmada. O Irão já afirmou que só volta à mesa de negociações caso os EUA acabem com o seu bloqueio do estreito de Ormuz, o qual apelidam de uma violação do acordo de cessar-fogo em curso, apesar de o Presidente norte-americano até ter indicado a próxima sexta-feira como uma possível data para as conversações de paz continuarem.
Entre as movimentações por praça, o sul-coreano Kospi e o japonês Nikkei 225 alcançaram um novo máximo histórico no arranque da sessão, antes de inverterem para perdas. O dia foi tão volátil que o índice da Coreia do Sul conseguiu voltar ao verde na reta final da negociação, fechando com ganhos de 0,74%. Já o índice nipónico manteve o pessimismo e encerrou com perdas de 0,69%. Já na China, o Hang Seng, de Hong Kong, e o Shanghai Composite cederam, respetivamente, 0,85% e 0,26%.