Discurso de Trump já mexe nos mercados: ouro ganha impulso e petróleo em máximos de sete semanas
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quarta-feira.
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Discurso de Trump deixa dólar fragilizado. Iene em queda após nomeações para o Banco do Japão
A insistência de Donald Trump, Presidente dos EUA, numa política comercial protecionista continua a não dar espaço ao dólar para recuperar terreno. A "nota verde" está a negociar no vermelho esta quarta-feira, após o líder da maior economia do mundo ter referido, no discurso do Estado da União, que vai impor novas tarifas através de outros meios legais, antecipando tanta receita com este regime que pode vir a "substituir o atual sistema de impostos sobre rendimentos".
A esta hora, o euro avança 0,18% para 1,1793 dólares, enquanto a libra acelera 0,18% para 1,3513 dólares, depois de quase ter tocado mínimos de um mês na sessão anterior. Dirigindo-se aos deputados no Parlamento britânico, o governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou que um corte nas taxas de juro em março é uma possibilidade, embora reconheça que a inflação nos serviços não caiu tanto como antecipava.
Por sua vez, o dólar continua a avançar face ao iene, acelerando 0,17% para 156,14 ienes, isto depois de já na sessão anterior a "nota verde" ter chegado a crescer mais de 1%. O movimento desta quarta-feira procede a nomeação para o Banco do Japão de dois nomes considerados "dovish" (adeptos de uma política monetária mais flexível) por parte do Governo de Sanae Takaichi.
"Tanto [Toichiro] Asada como [Ayano] Sato são conhecidos pela sua política monetária acomodatícia contínua e pela sua postura positiva em relação a uma política orçamental ativa", afirmou Ryutaro Kimura, estratega sénior da AXA Investment Managers, à Bloomberg. "Esta escolha contradiz a avaliação prévia dos investidores de que a nomeação de pelo menos uma pessoa que priorizasse a solidez orçamental iria travar a depreciação do iene", acrescenta.
Política comercial dos EUA e tensões no Irão dão força ao ouro
O ouro está a negociar em alta esta quarta-feira, impulsionado por um dólar mais fraco e por um aumento da incerteza em torno da política comercial dos EUA e das negociações com o Irão para alcançar um acordo nuclear. Estes dois últimos temas foram abordados por Donald Trump no discurso do Estado da União, que acabou por nublar ainda mais o caminho a adotar pelos investidores.
A esta hora, o metal amarelo avança 0,84% para 5.187,08 dólares por onça, tendo chegado a acelerar 1,3% esta quarta-feira - revertendo quase por completo as perdas da sessão anterior. Apesar de o Presidente norte-americano ter ameaçado com a imposição de tarifas globais de 15%, até agora os EUA só impuseram taxas aduaneiras de 10%, não tendo sido ainda assinada qualquer ordem executiva para aumentar esse valor.
No mais longo discurso do Estado da Nação da história, Trump até moderou a sua retórica contra o Supremo Tribunal - que decidiu declarar ilegais as tarifas do Presidente -, mas voltou à carga em relação à introdução de mais taxas aduaneiras por outros vias. Garantiu ainda que "não será necessária qualquer ação do Congresso" norte-americano, reforçando a crença que a sua política comercial vai "substituir o sistema atual de impostos sobre os rendimentos".
Todos estes avanços e recuos têm dado força ao ouro para permanecer acima dos cinco mil dólares por onça, depois de sessões com bastante volatilidade no início de fevereiro. Para Yuxuan Tang, diretora de estratégia macroeconómica para a Ásia do JPMorgan Private Bank, "parece que se está a preparar um grande movimento em alta", com a incerteza tarifária e o risco no Médio Oriente a "revelaram-se suficientes para catalisar uma mudança mais sustentada", cita a Bloomberg.
Estado da União de Trump leva petróleo a aproximar-se de máximos de sete semanas
O barril de petróleo está a negociar em alta esta quarta-feira, levando a matéria-prima a aproximar-se de máximos de sete semanas, após Donald Trump ter reforçado a ideia de que o Irão está mesmo a construir um arsenal nuclear, naquele que foi o mais longo discurso do Estado da União da história. Os comentários foram suficientes para aumentar a especulação de que os EUA estão a preparar-se para uma intervenção militar, apesar de estar previsto que Washigton e Teerão se sentem à mesa de negociações já nesta quinta-feira.
A esta hora, o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 0,55%, para os 66,04 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 0,48% para os 71,11 dólares por barril. Na sexta-feira, o Brent atingiu máximos de 31 de julho, enquanto o WTI alcançou o valor mais elevado desde 4 de agosto, com ambos a beneficiarem de uma escalada de tensões no Médio Oriente.
"Prefiro resolver este problema através da diplomacia, mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o maior patrocinador do terrorismo do mundo, que é o que eles [Irão] são, tenha uma arma nuclear", atiçou o Presidente dos EUA, num discurso de quase duas horas. Apesar disto, Donald Trump reiterou que o programa nuclear de Teerão tinha sido "obliterado" com os ataques de junho do ano passado, que tiveram como alvo três infraestruturas iranianas. O Irão insiste que o seu programa nuclear tem fins pacíficos e nega que esteja a procurar construir armas.
Ao mesmo tempo, os EUA têm vindo a aumentar a sua presença militar no Médio Oriente a uma magnitude que já não se observava desde a invasão norte-americana ao Iraque, sob o pretexto de destruir as alegadas armas de destruição maciça que o país teria. Qualquer conflito na região, principalmente com o Irão, pode levar a graves disrupções no abastecimento de crude a nível global, caso Teerão decida retaliar com o encerramento do Estreito de Ormuz - por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido em todo o mundo.
Recuperação na IA leva Japão e Coreia do Sul a novos máximos. Europa aponta para o verde
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quarta-feira no verde, à medida que os receios em torno de possíveis disrupções causadas pela inteligência artificial (IA) deram um passo atrás, após várias semanas de turbulência. O índice MSCI da Ásia acelerou 1,4% para um novo recorde, enquanto, pela Europa, a negociação de futuros aponta para uma abertura em alta ligeira.
A recuperação do setor tecnológico está a ser ajudada pelos planos da Anthropic, uma startup de IA norte-americana que lançou o caos nas bolsas há umas semanas com o lançamento de uma nova ferramenta que permite autonomizar serviços legais e financeiros. Esta terça-feira, a tecnológica anunciou que estava pronta para criar parcerias com outras empresas, sugerindo que o seu objetivo passa por integrar o "chatbot" Claude noutros negócios - em vez de os substituir.
"[Este anúncio] foi, em grande parte, um corte no fluxo de más notícias [para os modelos de negócio tradicionais]", explica Matthew Haupt, gestor de carteiras da Wilson Asset Management, à Bloomberg. "Mas, na realidade, não terá muita vida, dado que as questões em torno da disrupção da IA ainda estão por resolver", acrescenta. No arranque da semana, um estudo da Citrini Research lançou, mais uma vez, o pânico entre os investidores, ao indicar que o sucesso desta tecnologia poderia levar ao desemprego em massa nos EUA bem como a um PIB "fantasma" - ou seja, produção que não se reflete no consumo.
Pela China, e depois de ter registado uma queda avultada na sessão anterior, o Hang Seng acelerou 0,5%, enquanto o Shanghai Composite ganhou 0,6%. Já no Japão, o Nikkei 225 - "benchmark" para a negociação do país - acelerou 2,20% e atingiu um novo máximo histórico, à boleia de um recuperação em força do setor tecnológico, elevando os ganhos deste ano para quase 15%.
Também na Coreia do Sul e em Taiwan foi dia de recordes, com o sul-coreano Kospi - um dos índices que registou um dos melhores desempenhos no ano passado, sendo visto como a "cabeça de cartaz" para a IA - a crescer 1,91%. Já pela Austrália, também foi dia de ganhos mas sem novos máximos, com o S&P/ASX 200 a valorizar pouco mais de 1%.
No entanto, todo este otimismo estará à prova esta quarta-feira, quando a Nvidia apresentar resultados já depois do fecho da sessão de Wall Street. A era do crescimento a três dígitos já terminou, mas os investidores querem perceber se a tecnológica consegue continuar a surpreender e a superar as expectativas mais elevadas ou se os receios em torno dos retornos apenas a longo prazo são reais.
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