Europa fecha com maioria de quedas "contagiada" por perdas nos EUA. SAP afunda 16%
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quinta-feira.
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Europa fecha com maioria de quedas "contagiada" por perdas nos EUA. SAP afunda 16%
Os principais índices europeus terminaram a sessão desta quinta-feira com uma maioria de perdas, invertendo a tendência de ganhos que se registou durante grande parte da sessão, com a queda expressiva da Microsoft do lado de lá do Atlântico a reacender preocupações sobre o retorno dos avultados investimentos de grandes empresas tecnológicas no desenvolvimento da inteligência artificial.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – perdeu 0,23%, para os 607,14 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX afundou 2,07%, o espanhol IBEX 35 recuou 0,10%, o italiano FTSEMIB desvalorizou 0,14%, o francês CAC-40 subiu 0,06%, ao passo que o britânico FTSE 100 registou ganhos de 0,17%, sendo que o neerlandês AEX caiu 0,02%.
Pelo Velho Continente, a SAP – oitava empresa com maior "market cap” da região - perdeu cerca de 37,5 mil milhões de euros em capitalização bolsista, depois de ter antecipado para 2026 uma ligeira desaceleração do crescimento da carteira de projetos do negócio na 'cloud', apesar de ter mais do que duplicado os lucros em 2025, para mais de 7 mil milhões de euros. As ações da empresa alemã terminaram a sessão com perdas de mais de 16%, a maior queda intradiária desde outubro de 2020.
Nesta linha, o setor tecnológico (-3,86%) foi o mais pressionado, seguido pelos media (-1,27%). Já o setor alimentar (+1,13%) liderou as valorizações.
Entre outros movimentos do mercado, a Nokia desvalorizou quase 10%, depois de o lucro do quarto trimestre ter caído cerca de 3% em relação ao ano anterior. Já a multinacional suíça ABB pulou mais de 8%, impulsionada pelo “outlook” apresentado para este ano.
Juros aliviam na Zona Euro com investidores a virarem-se para ativos-refúgio
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro fecharam com alívios em toda a linha na sessão de hoje, com os investidores a mostrarem um maior apetite por ativos-refúgio, como é o caso das obrigações.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aliviaram 1,8 pontos base para 2,838%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade caiu 0,9 pontos para 3,417%. Já em Itália, os juros recuaram 1,9 pontos para os 3,444%.
Pela Península Ibérica, registou-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a aliviar 1,6 pontos base para 3,190%. A “yield” das obrigações espanholas também cedeu 1,6 pontos para 3,202%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, seguiram a mesma tendência e aliviaram 3,3 pontos base, para 4,509%.
Dólar negoceia de forma estável após decisão da Fed de manter taxas inalteradas
O dólar está a negociar sem grandes alterações esta tarde, com a decisão da Reserva Federal de manter as taxas diretoras inalteradas a dar algum apoio à “nota verde”.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – cede 0,08%, para os 96,372 pontos, já tendo recuperado algum terreno após ter atingido mínimos de quatro anos durante a sessão de ontem.
No que toca ao Japão, o dólar desvaloriza 0,29%, para os 152,960 ienes, depois de ontem ter invertido algumas das perdas expressivas registadas nas últimas sessões depois de o secretário do tesouro dos EUA ter afastado especulações de que os EUA e o Japão poderiam estar a preparar uma possível intervenção conjunta no mercado cambial para apoiar a divisa nipónica.
Por cá, a moeda única recua 0,14%, para os 1,194 dólares. Já a libra desvaloriza 0,22%, para os 1.378 dólares.
Ouro e prata desvalorizam mais de 3% com retirada de mais-valias
O ouro está a negociar com perdas de mais de 3% esta tarde, com os “traders” a aproveitarem para retirar mais-valias depois de o “metal amarelo” ter atingido um novo recorde já perto dos 5.600 dólares por onça.
A esta hora, o metal amarelo desvaloriza 3,78%, para os 5.212,500 dólares por onça.
Já a prata perde 4,29% neste momento, para os 111,696 dólares por onça, depois de ter tocado num novo máximo histórico acima dos 121 dólares por onça.
Os preços do ouro, que fixaram um novo recorde de 5.595,470 na sessão de hoje, já avançaram mais de 28% desde o início do ano, impulsionados pela incerteza económica e pela desvalorização do dólar - que torna a compra do metal mais barato para detentores de outras divisas. Apesar das perdas agora registadas, o ouro segue ainda a caminho de registar a sua maior valorização mensal desde 1973.
No plano geopolítico, o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse na terça-feira que anunciaria em breve a sua escolha para substituir Powell, cujo mandato como presidente da Fed termina em maio.
No plano da geopolítica, Trump pressionou o Irão a negociar um acordo nuclear, enquanto Teerão ameaçou retaliar contra os EUA, Israel e aliados, caso a Administração norte-americana avançasse com ataques militares contra alvos no Irão.
Noutros metais, os preços do cobre superaram nesta quinta-feira 14.000 dólares por tonelada, numa altura em que os especuladores reforçam as suas compras, animados pela expectativa de uma forte procura pelo metal industrial e pela debilidade do dólar.
Petróleo negoceia em alta. Brent a caminho de maior aumento mensal em quatro anos
Os preços do petróleo estão a negociar com fortes valorizações e em máximos de cerca de seis meses esta tarde, à medida que os “traders” continuam a seguir de perto as ameaças da Administração Trump ao Irão - o quarto maior produtor de crude da OPEP+.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – ganha 4,78%, para os 66,23 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – segue a valorizar 4,34% para os 71,37 dólares por barril. O Brent está agora a caminho de fixar o seu maior aumento mensal em quatro anos e o WTI a maior subida mensal em mais de dois anos.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou a pressão sobre Teerão com ameaças de ataques militares, à medida que a maior economia mundial continua a aumentar a sua presença militar no Médio Oriente.
Do lado da oferta, o campo petrolífero de Tengiz, no Cazaquistão, está a reiniciar a sua produção em fases após incêndios elétricos terem suspendido a produção de crude neste campo na semana passada.
Já pelos EUA, os produtores de petróleo bruto e de gás estão a retomar a produção, após interrupções causadas por uma forte tempestade no fim de semana.
Wall Street perde gás com foco em resultados das "big tech". Microsoft tomba 10%
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta quinta-feira com uma maioria de perdas, com os investidores a mostrarem alguma contenção em fazer grandes apostas devido a preocupações com os fortes gastos de tecnológicas com o desenvolvimento da inteligência artificial.
O “benchmark” S&P 500 desliza 0,06%, para os 6.974,14 pontos, depois de ter tocado num novo máximo histórico de 7.002,28 pontos na sessão de ontem. Já o Nasdaq Composite recua 0,62%, para os 23.710,70 pontos. O Dow Jones, por sua vez, valoriza 0,40% para os 49.213,78 pontos.
Ontem foi dia de três das Sete Magníficas apresentarem resultados. Nesta linha, a Meta divulgou que investirá até 135 mil milhões este ano, bem acima das estimativas que apontavam para investimentos na ordem dos 110 mil milhões. As ações da dona do Facebook seguem a negociar com ganhos de quase 9%, após a empresa liderada por Mark Zuckerberg ter apresentado uma previsão de vendas acima do esperado. A Microsoft, por outro lado, segue a perder mais de 10%, após ter reportado que os gastos aumentaram para um nível recorde, devido aos esforços para expandir a presença nas infraestruturas para inteligência artificial. A Tesla, por sua vez, recua mais de 1%, depois de ter visto os lucros afundar 26% em temors homólogos.
Noutros movimentos do mercado, a International Business Machines (IBM) soma 6,75% devido ao forte crescimento da sua unidade de software. Agora, os investidores aguardam pela divulgação de resultados da Apple depois do fecho das negociações.
“Voltamos ao tema de que não estamos a ver um crescimento [exponencial] para todas as empresas de tecnologia”, disse à Bloomberg Rory McPherson, da Magnus Financial Discretionary Management.
No que toca à política monetária, a Reserva Federal (Fed) norte-americana terminou ontem a sua primeira reunião do ano sem mexer nos juros diretores, com a taxa dos fundos federais a manter-se num intervalo entre 3,5% e 3,75%. O comunicado do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC) refere que houve 10 membros a favor da manutenção do atual nível da taxa de referência, ao passo que dois defenderam um corte de 25 pontos-base.
Já dados económicos divulgados esta tarde mostraram que o défice comercial dos EUA aumentou acentuadamente para 56,8 mil milhões de dólares em novembro de 2025, atingindo máximos de quatro meses, em comparação com um défice de 29,2 mil milhões de dólares em outubro. O valor foi muito superior às previsões que apontavam para um défice comercial de 40,5 mil milhões de dólares. No mercado laboral, os pedidos iniciais de subsídio de desemprego nos EUA diminuíram ligeiramente em mil pedidos, para um total de 209 mil na semana terminada a 24 de janeiro.
Entre as restantes "big tech”, a Nvidia desliza 0,30%, a Apple soma 0,084%, a Alphabet valoriza 0,25% e a Amazon cai 0,41%.
Taxa Euribor desce de novo a três, a seis e a 12 meses
A taxa Euribor desceu esta quinta-feira, pela segunda sessão consecutiva, a três, a seis e a 12 meses em relação a quinta-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que recuou para 2,020%, continuou abaixo das taxas a seis (2,146%) e a 12 meses (2,228%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, desceu hoje, ao ser fixada em 2,146%, menos 0,003 pontos do que na quarta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a novembro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,6% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,84% e 25,17%, respetivamente.
No mesmo sentido, no prazo de 12 meses, a taxa Euribor cedeu, para 2,228%, menos 0,018 pontos do que na sessão anterior.
A Euribor a três meses também caiu hoje, ao ser fixada em 2,020%, menos 0,006 pontos do que na quarta-feira.
Em relação à média mensal da Euribor de dezembro, esta voltou a subir a três, a seis e a 12 meses, mas de forma mais acentuada no prazo mais longo.
A média mensal da Euribor em dezembro subiu 0,006 pontos para 2,048% a três meses e 0,008 pontos para 2,139% a seis meses.
A 12 meses, a média mensal da Euribor avançou 0,050 pontos para 2,267%.
A próxima reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) realiza-se em 04 e 05 de fevereiro, em Frankfurt, Alemanha.
Europa no verde com época de resultados a todo o gás. SAP afunda mais de 11%
As principais praças europeias estão a negociar maioritariamente em território positivo esta quinta-feira, numa altura em que a época de resultados avança a todo o gás e os investidores tentam encontrar uma tendência nas previsões das empresas para 2026. Franfurt é a única praça a negociar no vermelho, pressionada pela queda abrupta da SAP em bolsa, após um trimestre desapontante no negócio de "cloud".
A esta hora, o Stoxx 600, "benchmark" para a negociação europeia, avança 0,39% para 610,90 pontos, próximo dos máximos históricos atingidos em meados de janeiro, mas com dificuldade em sair do intervalo limitado que tem negociado desde o arranque da semana. Com o ouro e a prata a atingirem novos recordes, o setor mineiro acelera mais de 2%, com os ganhos do principal índice do Velho Continente a serem limitados pelas tecnológicas.
Esta época de resultados está a falhar em dar às ações europeias o catalisador necessário para quebrar novas barreiras. De acordo com uma análise da Bloomberg Intelligence, as 30 empresas que já apresentaram contas e viram os seus resultados ficarem abaixo das expectativas dos analistas fizeram com que o Stoxx 600 perdesse em média 6,5 pontos na sessão seguinte. Já as que conseguiram bater as previsões deram apenas 3,8 pontos ao índice na sessão seguinte.
"As avaliações das ações estão acima das médias de longo prazo e isso significa que há menos tolerância e margem de segurança para os títulos que não atingem as expectativas de lucros", afirma Dan Boardman-Weston, diretor de investimentos da BRI Wealth Management, à Bloomberg. "Olhando de forma mais ampla, continuo a acreditar que as perspetivas para a Europa serão relativamente fortes este ano", acrescenta.
Entre as principais movimentações de mercado, a SAP afunda 11,19% para 174,20 euros, a maior queda desde outubro de 2020, depois de as receitas com o seu negócio de "cloud" terem crescido apenas 16% no quarto trimestre para 21,1 mil milhões de euros - bastante abaixo das estimativas dos analistas que apontavam para um aumento de 26%.
Por sua vez, a Nokia cai 6,15% para 5,31 euros, depois de ter visto o seu lucro ajustado cair 3% face ao quarto trimestre de 2024 e ter revelado um "guidance" abaixo das expectativas. Já a STMicroelectronics, uma fabricante de "chips" que conta com a Tesla e Apple como clientes, avança 4,27% para 26,04 euros, ao prever lucros para este ano que ficaram acima das estimativas do mercado.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX é o único no vermelho, ao cair 0,68%. Já o espanhol IBEX 35 avança 0,25%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,54%, o francês CAC-40 cresce 0,86%, ao passo que o britânico FTSE 100 acelera 0,57% e o neerlandês AEX salta 1,13%.
Juros aliviam na Zona Euro pelo segundo dia consecutivo
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a negociar maioritariamente com alívios pela segunda sessão consecutiva, depois de os comentários de Martin Kocher, governador do banco central austríaco, terem levantado a possibilidade de um corte nas taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE) este ano.
"Se o euro continuar a valorizar-se cada vez mais, em algum momento isso poderá criar, naturalmente, uma certa necessidade de reagir em termos de política monetária", afirmou. "Não por causa da taxa de câmbio em si, mas sim porque essa taxa de câmbio se traduz em menos inflação, e isso, obviamente, é uma questão de política monetária", acrescentou Kocher.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, estão a negociar inalterados nos 2,856%, mas são os únicos que não registam movimentos. A "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade perde 0,6 pontos-base para 3,420%, enquanto os juros da dívida italiana também a dez anos deslizam 0,7 pontos para os 3,456%. O país liderado por Giorgia Meloni vai hoje ao mercado de dívida para tentar angariar 8,5 mil milhões de euros.
Pela Península Ibéria, regista-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a cair 0,6 pontos base para 3,2% e as espanholas a perderem na mesma magnitude para 3,212%. Portugal foi na quarta-feira ao mercado de dívida para angariar 1,5 mil milhões de euros, um valor dividido em duas linhas de cinco e nove anos, com uma "yield" de 2,572% na primeira e 3,058% na segunda.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, seguem a tendência inversa e negoceiam com uma subida de 1 ponto base para 4,553%.
Dólar de volta às quedas após Bessent tentar segurar a moeda
O dólar está novamente a negociar em território negativo face aos seus principais concorrentes, depois de o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter conseguido resgatar a moeda na quarta-feira ao afirmar que os EUA não vão intervir no iene e preferem um dólar "mais forte". Mesmo assim, persistem dúvidas sobre o futuro de curto prazo da "nota verde", após Donald Trump ter afastado qualquer preocupação com as mais recentes desvalorizações e numa altura em que os investidores procuram refúgio das tensões internacionais noutros ativos, como o ouro.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da divisa face a uma série de moedas concorrentes - recua 0,16%, tendo chegado a cair 0,3% esta manhã. Por sua vez, o euro volta a aproximar-se dos 1,20 dólares, ao avançar 0,13% para 1,1970 dólares, enquanto a libra cresce 0,18% para 1,3833 dólares - ambas as divisas a negociarem bastante próximas dos máximos de 2021 que alcançaram na terça-feira. Já face ao iene, o dólar negoceia na linha d'água, com perdas de 0,04%.
"Bessent está a aplicar um pouco de ambiguidade estratégica nos seus comentários sobre o dólar", explica Damien Loh, diretor de investimentos da Ericsenz Capital, à Bloomberg. "Uma política de enfraquecimento total do dólar, como defendida inicialmente por Trump, poderia ganhar vida própria e ficar fora de controlo. [Bessent] estava a tentar moderar essa narrativa, embora eu ainda ache que eles querem um enfraquecimento gradual do dólar", acrescenta.
Desde o início do ano, o índice do dólar da Bloomberg já caiu 2%, isto depois de já ter caído mais de 8% no ano passado. A "nota verde" tem vindo a ser penalizada por uma série de políticas adotadas pelos EUA e por Trump, desde ameaças tarifárias a países que se oponham ao seu plano de anexar a Gronelândia (nas quais o Presidente norte-americano já recuou), rumores de uma intervenção no iene (entretanto desmentida) e ataques à independência da Reserva Federal (Fed) com tentativas de influenciar a trajetória das taxas de juro.
Euforia nos metais preciosos. Ouro nos 5.500 dólares com EUA e Irão em colisão
O clima de tensão entre EUA e Irão continua a escalar e as novas ameaças de Donald Trump ao regime liderado por Ali Khamenei estão a levar a uma euforia no mercado dos metais preciosos. O ouro ultrapassou a barreira psicológica dos 5.500 dólares por onça e já se aproxima dos 5.600 dólares, com os investidores à procura de refúgio e a abandonarem ativos como obrigações e moedas fiduciárias - um movimento conhecido por "debasement".
A esta hora, o metal amarelo acelera 2,15% para 5.533,90 dólares por onça, depois de ter conseguido tocar nos 5.594,82 dólares - um novo máximo histórico. É já a nona sessão consecutiva de recordes para o ouro, que está a empurrar o preço de outros metais preciosos para novas alturas - como é o caso da prata, que avança 0,47% para 117,24 dólares por onça, tendo chegado a ultrapassar os 120 dólares esta madrugada.
Este movimento do ouro acontece depois de o metal amarelo ter fechado o seu melhor dia desde a pandemia de covid-19, ao crescer 4,6%. "A velocidade com que o ouro está a quebrar recordes mostra a rapidez com que a confiança nas ferramentas políticas tradicionais está a ser corroída", explica Christopher Hamilton, da gestora de ativos Invesco, à Bloomberg. Mais do que apenas um catalisador, o analista afirma que este "rally" é explicado por um "raro alinhamento de forças".
Na quarta-feira, o Presidente dos EUA fez um ultimato ao Irão: ou o país acaba com o seu programa nuclear ou poderá ter de enfrentar uma intervenção militar norte-americana. Esta pressão acontece numa altura em que o regime de Ali Khamenei vê-se a braços com uma série de protestos populares, que estão a ser altamente reprimidos e que já tinham levado os EUA a ameaçarem por diversas vezes o Irão com uma possível intervenção.
Desde o arranque do ano, o ouro já valorizou quase 30% - e o primeiro mês de 2026 ainda nem terminou. A política errática e intervencionista de Trump explica em grande parte este "rally", após ameaças tarifárias a países europeus que se opunham aos planos dos EUA de anexar a Gronelândia, a captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro e especulação de uma intervenção das autoridades norte-americanas no iene (algo que já foi desmentido pelo secretário do Tesouro).
Petróleo avança 1,5% após novas ameaças dos EUA ao Irão
Os preços do petróleo estão a acelerar pelo terceiro dia consecutivo, impulsionados pelas crescentes preocupações de que os EUA poderão realmente intervir no Irão. Numa série de novas publicações nas redes sociais, Donald Trump pressionou o regime de Ali Khamenei para terminar o seu programa nuclear ou enfrentar o exército norte-americano, numa altura em que o país continua mergulhado em protestos e os manifestantes enfrentam uma grande onda de repressão.
A esta hora, o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – ganha 1,61%, para os 64,24 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – segue a valorizar 1,49% para os 69,41 dólares por barril. Os dois contratos estão a negociar em máximos de 29 de setembro e, desde segunda-feira, já valorizaram cerca de 5%, à boleia de uma escalada de tensões entre os EUA e um dos maiores produtores de crude do mundo.
O Irão é o quarto maior produtor da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com um "output" de cerca de 3,2 milhões de barris por dia. Qualquer ataque ao país poderia levar a uma disrupção no abastecimento de crude a nível global, levando a um aumento de preços no curto prazo - uma vez que, a longo prazo, os investidores continuam focados no grande excedente previsto por uma série de agências internacionais.
Trump está a considerar as opções que tem em cima da mesa para pressionar ainda mais Ali Khamenei. O Presidente dos EUA revelou que uma frota norte-americana já se encontra posicionada no Médio Oriente, preparada para um eventual ataque, e existe mesmo a possibilidade de entrar em confronto direto com o atual regime iraniano, de acordo com o que vários órgãos internacionais têm reportado.
Em reação, o Brent poderia ultrapassar os 70 dólares por barril, diz Robert Rennie, diretor de pesquisa de matérias-primas do Westpac Banking, à Bllomberg. No entanto, o analista continua "cético em relação a uma maior deterioração da situação a partir deste ponto", prevendo até que os preços do petróleo caiam abaixo dos 50 dólares no primeiro semestre do ano devido à oferta abundante de países como o Brasil e a Guiana.
Resultados das "big tech" não impedem Ásia de renovar recordes. Europa aponta para o verde
As principais praças asiáticas avançaram para um novo recorde esta quinta-feira, com a Europa a apontar para uma abertura em alta, apesar de os resultados das grandes tecnológicas norte-americanas terem enviado sinais mistos ao mercado. A Meta e a Microsoft até conseguiram superar as previsões dos analistas, mas os gastos com inteligência artificial (uma métrica cada vez mais seguida pelos investidores) da empresa liderada por Satya Nadella acabaram por ficar bastante acima do que era esperado, fazendo surgir preocupações de que estes investimentos não tenham um grande retorno no curto prazo.
Pela Coreia do Sul, o Kospi conseguiu terminar a sessão em território positivo, com ganhos de quase 1%, apesar da queda da Samsung em bolsa. A fabricante de smartphones viu o seu lucro operacional triplicar no quarto trimestre para um recorde de 20,1 biliões de wons (12,34 mil milhões de euros), muito devido ao aumento exponencial da procura de semicondutores para aplicações de IA. As ações da empresa atingiram um novo máximo histórico, o que levou os investidores a avançarem com uma tomada de mais-valias, invertendo o sentido de negociação da Samsung.
Já pelo Japão, e apesar de a sessão ter sido marcada por alguma turbulência, o Nikkei 225 e o mais abrangente Topix conseguiram terminar no verde, com ganhos de 0,03% e 0,28% respetivamente. Os ganhos das praças nipónicas continuam a ser limitados pelos grandes movimentos do iene e um aumento brutal nos juros das obrigações - principalmente as de longo prazo. Na China, tanto o Hang Seng, de Hong Kong, como o Shanghai Composite encerraram a sessão em território positivo, mas com ganhos modestos de 0,3% e 0,2%.
"Os mercados globais estão a negociar com uma clara falta de convicção”, explica Hebe Chen, analista da Vantage Markets, à Bloomberg. “As crescentes tensões geopolíticas em torno do Irão e a volatilidade do dólar americano estão a reforçar a sensação de que os riscos macroeconómicos permanecem por resolver, mantendo os investidores num modo cauteloso e de espera", acrescenta.
Estes movimentos acontecem ainda um dia depois de a Reserva Federal (Fed) norte-americana ter decidido deixar as taxas de juro inalteradas, um movimento já esperado pelos analistas. Na conferência de imprensa, o líder do banco central, Jerome Powell, aludiu à fraqueza do mercado do imobiliário residencial, mas sublinhou que a expansão da atividade económica a um ritmo sólido afasta um corte nos juros imediato.
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