Europa de volta ao vermelho com tarifas a pressionar. Novo Nordisk sob pressão
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta terça-feira.
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Europa de volta ao vermelho com tarifas a pressionar. Novo Nordisk sob pressão
As principais praças europeias estão a negociar maioritariamente no vermelho, com Lisboa e Amesterdão a escapar as perdas, num dia em que os investidores encontram-se a reagir à entrada em vigor das tarifas globais de 10% de Donald Trump e a uma série de resultados trimestrais que ficaram aquém das expectativas. O apetite pelo risco ainda deu sinais de recuperação na sessão asiática, mas rapidamente inverteu na abertura das praças do Velho Continente.
A esta hora, o Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação europeia - cai de forma residual, com perdas de 0,09% para 627,14 pontos. Apesar desta movimentação, causada principalmente pelo setor bancário, o principal índice do continente está a cerca de 5 pontos do máximo histórico atingido na passada sexta-feira, quando conseguiu tocar pela primeira vez nos 632,31 pontos.
O impulso foi dado pela decisão do Supremo Tribunal dos EUA de declarar ilegais as tarifas introduzidas pelo Presidente norte-americano em abril do ano passado. No entanto, a decisão de Trump de prosseguir com uma política comercial protecionista e a incerteza em relação ao acordo alcançado entre a maior economia do mundo e a União Europeia (UE) está a deixar os investidores apreensivos, principalmente depois de o Parlamento Europeu ter decidido suspender a ratificação do mesmo.
"É difícil estar confiante na trajetória das ações europeias, uma vez que algumas das questões relacionadas com a incerteza comercial com os EUA permanecem", explica Emma Moriarty, gestora de carteiras da CG Asset Management, à Bloomberg. Moriarty acrescenta ainda que a confiança dos investidores continua frágil e "poderia facilmente voltar a cair no território do risco".
Entre as principais movimentações de mercado, a Novo Nordisk cai 2,55% para 245 coroas dinamarquesas, depois de ter desvalorizado mais de 16% na sessão anterior, à medida em que os analistas cortam as perspetivas de crescimento em bolsa da farmacêutica, depois de o seu medicamento para a perda de peso CagriSema ter registado menor eficácia do que o da sua rival norte-americana Eli Lilly.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX recua 0,19%, o espanhol IBEX 35 subtrai 0,59%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,16%, o francês CAC-40 cai 0,13%, ao passo que o britânico FTSE 100 desliza 0,19%. Já o neerlandês AEX avança 0,09% e o português PSI lidera os ganhos regionais ao acelerar 0,43%.
Juros aliviam na Zona Euro. Itália e Espanha preparam-se para emitir nova dívida
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a negociar com pequenos alívios nesta terça-feira, numa altura em que o sentimento voltou a inverter-se e os investidores mostram agora menos apetite pelo risco. Estes movimentos acontecem antes de tanto Espanha como Itália se dirigirem ao mercado da dívida com emissões de várias maturidades e em antecipação a um novo discurso de Christine Lagarde, já depois do fecho da sessão.
Os juros das obrigações alemãs a dez anos, referência para o contexto europeu, cedem 0,7 pontos-base para 2,701%, enquanto a "yield" da dívida francesa com a mesma maturidade cai 0,9 pontos-base para 3,264%. Em Itália, a descida é de 0,5 pontos-base para 3,312%, num dia em que o país pretende emitir 4,5 mil milhões de euros em obrigações de dois a dez anos.
Pela Península Ibérica, a "yield" das Obrigações do Tesouro portuguesas a dez anos deslizam 0,5 pontos para 3,049% e, em Espanha, os juros da dívida com a mesma maturidade aliviam 0,6 pontos-base para 3,116%.
Fora da Zona Euro, no Reino Unido, a tendência mantém-se, com os juros das "Gilts" britânicas a recuarem 0,5 pontos-base para 4,308%, com os investidores atentos às intervenções públicas de uma série de membros do Banco de Inglaterra - incluíndo o seu governador, Andrew Bailey.
Iene cai mais de 1% após Takaichi mostrar reserva com subida de juros
O iene chegou a desvalorizar mais de 1% esta terça-feira, após vários órgãos de comunicação locais terem noticiado que a primeira-ministra nipónica, Sanae Takaichi, manifestou alguma apreensão em relação a uma possível subida nas taxas de juro numa reunião com o governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda. O encontro terá sido realizado na semana passada e, de acordo com o jornal Mainichi Shimbun, Takaichi adotou uma "postura mais agressiva" do que em reuniões anteriores.
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Ouro interrompe série de quatro sessões consecutivas em alta
Após quatro sessões consecutivas em alta, o ouro está a perder algum do terreno conquistado nos últimos dias, numa altura em que os investidores mostram-se mais atraídos pelo risco e aproveitam para proceder à retirada de mais-valias no mercado dos metais preciosos. Só nas últimas quatro sessões, o ouro valorizou mais de 7%, impulsionado pela incerteza em torno da política comercial dos EUA e ainda uma escalada nas tensões entre Washington e Teerão.
A esta hora, o metal amarelo recua 0,93% para 5.178,95 dólares por onça, tendo chegado a desvalorizar 1,6%. Esta sessão marca o retorno dos investidores chineses, um dos mercados mais importantes para a negociação do ouro, depois de terem estado mais de uma semana fora devido às celebrações do Novo Ano Lunar no país.
"Oscilações até 2% estão dentro da faixa normal da volatilidade do mercado neste momento", explica Song Jiangzhen, investigador da Guangdong Southern Gold Market Academy, à Bloomberg. "O sentimento a longo prazo continua positivo, com a incerteza contínua no Irão e os EUA a correrem o risco de isolamento com as suas políticas tarifárias", explica ainda o investigador.
Apesar de o ouro estar a recuar esta terça-feira, o clima de incerteza não desapareceu dos mercados. Donald Trump, Presidente norte-americana, tinha indicado no fim de semana que ira impor taxas aduaneiras de 15% a todos os produtos que chegassem aos EUA, depois de o Supremo ter decidido "chumbar" as suas tarifas apresentadas em abril do ano passado, mas, para já, o que entrou em vigor foi uma taxa aduaneira global de apenas 10%.
O clima de incerteza está ainda a deixar os parceiros comerciais dos EUA confusos com a possibilidade de coexistência destas tarifas com os acordos comerciais alcançados no ano passado. Assim, o Parlamento Europeu decidiu suspender o processo de ratificação do compromisso alcançado entre o bloco e a maior economia do mundo, com várias figuras a apontarem o dedo à falta de esclarecimentos sobre a situação.
Olhando para o longo prazo, vários bancos, incluindo o BNP Paribas, o Deutsche Bank e o Goldman Sachs, antecipam que os preços do ouro recuperem para o nível em que se encontravam quando atingiram máximos históricos no arranque do ano. Isto porque os catalisadores do metal amarelo, como as ameaças à independência da Reserva Federal (Fed) e aumento dos riscos geopolíticos, continuam intactos.
Petróleo avança com cautela à espera das negociações entre EUA e Irão
O barril de petróleo está a negociar com ganhos ligeiros esta terça-feira, numa altura em que os investidores avaliam um possível acordo nuclear entre os EUA e o Irão. Esta segunda-feira, o Presidente norte-americano afirmou que prefere uma solução diplomática para resolver as tensões entre os dois países, mas advertiu que não terá receios de avançar com uma intervenção militar caso não consigam chegar a acordo.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – ganha 0,41%, para os 66,57 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 0,34% para os 71,73 dólares por barril. Na sessão anterior, os dois crudes de referência atingiram máximos de seis meses, à boleia de uma publicação nas redes sociais por parte de Donald Trump, que rejeitou relatos de que o Pentágano estaria preocupado com a possibilidade de uma campanha militar prolongada se revelar difícil no Irão - mais um sinal de que está pronto a atacar.
As negociações para alcançar um acordo nuclear entre as duas potências vão ser retomadas esta quinta-feira em Geneva. O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros vai encontrar-se com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o cunhado de Trump, Jared Kushner - que já tinha liderado as conversações para alcançar um acordo de cessar-fogo na Palestina. Isto acontece apesar de os norte-americanos estarem a aumentar a sua presença militar em torno do país do Médio Oriente e Teerão continuar a realizar exercícios militares.
"Os mercados petrolíferos estão em compasso de espera, aguardando novidades sobre a situação no Irão, com uma boa dose de ceticismo em relação a qualquer retórica de distensão", explica Saul Kavonic, analista sénior de energia da MST Marquee, à Bloomberg. O reforço militar dos EUA à volta do Irão adicionou um prémio de risco de cerca de 10 dólares por barril aos preços do crude, acrescenta ainda o analista.
Apesar de os investidores estarem a antecipar um grande excedente de oferta no mercado petrolífero, qualquer interrupção no abastecimento de crude a nível mundial tem levado os preços a subirem. Neste ponto, o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo consumido em todo o mundo, ganha especial relevância, uma vez que o Irão já avisou que poderá fechar o pequeno canal caso os EUA avancem com uma intervenção militar.
Tarifas e IA deixam Ásia dividida entre ganhos e perdas. Sul-coreano Kospi atinge novos máximos
As principais praças asiáticas encerraram a segunda sessão da semana divididas entre ganhos e perdas, com o retorno da turbulência em termos de política comercial dos EUA e as preocupações em torno do impacto da inteligência artificial (IA) em modelos de negócio mais tradicionais está a impedir que as ações negoceiem em território positivo. Os receios com a IA já tinham deixado Wall Street no vermelho na sessão de segunda-feira, mas o "sell-off" tecnológico já dá sinais de abrandamento.
Apesar da queda nas ações chinesas, com o Hang Seng a desvalorizar 1,78%, o MSCI Asia Pacific Index - "benchmark" para a negociação asiática - conseguiu terminar em território positivo, com ganhos de 0,2%. Pela Europa, antecipa-se uma abertura em alta, com os futuros do Euro Stoxx 50 a avançarem 0,16%, num dia em que os investidores recuperam algum apetite pelo risco e deixam para trás a segurança de outros ativos, como o ouro e obrigações.
"O medo da IA que assola os mercados dos EUA é uma espécie de 'história de desalojamento', com a IA generativa a fazer reavaliar os modelos de receita de software empresarial, serviços profissionais e plataformas de gestão de património", explica Christopher Forbes, diretor da CMC Markets para o continente asiático, à Bloomberg. "Os índices de ações da Ásia quase não apresentam essa exposição. A dissociação já começou", acrescenta.
Neste contexto, e com os índices asiáticos a superarem em larga escala o desempenho dos seus pares norte-americanos, o sul-coreano Kospi voltou a alcançar novos máximos históricos pela terceira sessão consecutiva. O índice acelerou 2,11%, aproximando-se dos 6 mil pontos, com a fabricante de semicondutores SK Hynix e a Samsung também a tocarem valores recorde, ignorando as preocupações em torno da IA que se fizeram sentir na China e nos EUA.
Pelo Japão, a sessão também foi de ganhos, embora muito mais modestos - o Nikkei 225 valorizou 0,84% -, enquanto em Taiwan foi dia de recordes. O principal índice da ilha tocou num novo máximo histórico, à boleia de um "rally" nas ações da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, que disparou 3,42%. Já o australiano S&P/ASX 200 acabou por terminar em território negativo, apesar de até ter arrancado a sessão no verde.
Os ganhos em algumas das praças asiáticas foram, no entanto, limitados pelo anúncio de Donald Trump, Presidente dos EUA, de que as suas tarifas globais de 10% entraram em vigor nesta terça-feira. O líder norte-americano decidiu impor estas taxas aduaneiras, depois de o Supremo ter declarado as tarifas apresentadas no "dia da libertação" ilegais - o mais duro golpe que a administração de Trump recebeu desde que entrou em funções.
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