Gestora de activos alemã prefere dívida portuguesa à italiana

Uma empresa que gere 8,9 mil milhões de euros está mais confiante na dívida portuguesa do que na italiana. A incerteza em Itália cria dúvidas junto dos investidores.
Reuters
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Tiago Varzim 05 de setembro de 2018 às 09:15

A gestora alemã de activos Warburg Invest está gradualmente a afastar-se das obrigações italianas. O motivo é simples: a incerteza, resume à Bloomberg o gestor Andreas Schubert, adiantando que, neste momento, a dívida espanhola e portuguesa é mais apetecível para a sua carteira de investimento de 8,9 mil milhões de euros. 
As diferenças entre os países são, neste momento, consideráveis. A economia italiana é uma das maiores da Zona Euro enquanto Portugal representa uma pequena parte. Mas a dívida pública italiana é superior à portuguesa, ainda que ambas sejam as mais elevadas do bloco, apenas atrás da Grécia.

No entanto, as diferenças são maiores a nível político. Em Portugal, apesar do braço de ferro inicial, a relação entre o Governo e as instituições europeias não tem vivido contratempos. Já a nova solução política em Itália, assumidamente antieuropeísta, tem dado sinais contraditórios, sugerindo por vezes que poderá colocar em causa o status quo de Bruxelas.
Um dos pontos mais preocupantes é o rumo orçamental: Portugal está perto de chegar ao equilíbrio orçamental enquanto Itália discute se cumpre ou não o limite de 3% do défice. Entre o final deste mês e o dia 15 de Outubro, o Governo italiano deverá apresentar o Orçamento do Estado para 2019 que será essencial para os mercados avaliarem qual vai ser o destino do país. 
Estas diferenças entre os dois Estados-membros da União Europeia reflectem-se no prémio que os investidores pedem para emprestar dinheiro. Os juros italianos a dez anos continuam acima de 3%, muito fruto da incerteza política que o país vive. Já em Portugal, depois de se terem agravado no início da legislatura, os juros a dez anos iniciaram uma rota descendente, tendo estacionado perto dos 1,8%. 

Na opinião do gestor alemão, a União Europeia deverá preparar-se para fazer concessões à Itália de forma a manter o país na Zona Euro, até porque um resgate italiano teria custos muito avultados. Um dos principais riscos temidos pelo gestor é a escalada de desconfiança que levaria os investidores estrangeiros - que são os que detêm a maior parte da dívida - a vender as obrigações italianas. 
 
É isso que já está a fazer a Warburg Invest. "Quem procura por oportunidade no sector das obrigações soberanas da Zona Euro tem de estar mais cauteloso quanto às obrigações soberanas italianas", avisa. Mas há quem contradiga essa teoria, acreditando na estabilidade governativa e recomendando a compra de dívida do país, como é o caso do Commerzbank.
Já Andreas 
Schubert está mais interessado e optimista na dívida espanhola e portuguesa. "A fragilidade de Espanha tem, pelo menos, desaparecido da percepção pública, por causa das reformas estruturais que foram implementadas lá, assim como em Portugal", afirmou à Bloomberg. 

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