Juro da dívida alemã atinge valor mais alto desde 2011
Há mais de uma década que os investidores não pediam um prémio tão elevado para emprestar à Alemanha. As elevadas necessidades de financiamento do país para dar resposta ao reforço da despesa com infraestruturas e defesa está a fazer disparar os juros da dívida pública e a penalizar as obrigações de toda a Zona Euro.
A "yield" das Bunds alemãs a 30 anos subiu esta terça-feira em 4 pontos-base, para 3,56%, o valor mais elevado desde 2011. Já no caso das obrigações a 10 anos, o aumento é de 3 pontos-base para 2,9%. “O mercado está a sofrer de uma certa indigestão em relação à oferta superior à prevista que está para vir”, disse Michael Brown, estratega sénior do Pepperstone Group, à Bloomberg.
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A evolução está relacionada com os prémios mais elevados para compensar o endividamento recorde que o mercado terá de absorver já que a Alemanha procura arrecadar 512 mil milhões de euros com a venda de obrigações este ano para financiar um programa de despesas destinado a melhorar as suas infraestruturas e modernizar as forças armadas.
Apesar disso, o apetite dos investidores manteve-se saudável em janeiro, com a venda de uma nova linha de obrigações a 20 anos a atrair uma procura próxima de recordes, enquanto a mais recente colocação de títulos a dois, 10 e 30 anos registou melhorias na procura.
O agravamento dos juros das Bunds na sessão está a contagiar os restantes países, levando os investidores a ignorarem notícias locais. No caso de França, a dívida a 10 anos sofre uma subida da "yield" de 2,9 pontos-base para 3,477%, depois de o Orçamento do Estado para 2026 ter sido oficialmente aprovado pelo Parlamento na segunda-feira, pondo fim a um impasse de meses que tinha aumentado os receios de uma crise da dívida na segunda maior economia da União Europeia.
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O juro espanhol sobe 3,1 pontos-base base para 3,263%, o italiano avança 2,7 pontos-base para 3,506% e o grego 2,5 pontos-base para 3,493%. A "yield" das obrigações portuguesas a 10 anos agravam-se em 3,1 pontos-base para 3,243%, mesmo depois de ter sido conhecido esta segunda-feira que o peso da dívida pública no produto interno bruto (PIB) fechou o ano passado abaixo dos 90% e até da meta do Governo.
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