Juro da dívida alemã atinge valor mais alto desde 2011

A Alemanha procura arrecadar, ao longo deste ano, 512 mil milhões de euros com a colocação de novas obrigações para financiar o reforço das despesas com infraestruturas e defesa. A subida dos juros está a contagiar toda a Zona Euro.
Anna Szilagyi / AP
Leonor Mateus Ferreira 14:45

Há mais de uma década que os investidores não pediam um prémio tão elevado para emprestar à Alemanha. As elevadas necessidades de financiamento do país para dar resposta ao reforço da despesa com infraestruturas e defesa está a fazer disparar os juros da dívida pública e a penalizar as obrigações de toda a Zona Euro.

A "yield" das Bunds alemãs a 30 anos subiu esta terça-feira em 4 pontos-base, para 3,56%, o valor mais elevado desde 2011. Já no caso das obrigações a 10 anos, o aumento é de 3 pontos-base para 2,9%. “O mercado está a sofrer de uma certa indigestão em relação à oferta superior à prevista que está para vir”, disse Michael Brown, estratega sénior do Pepperstone Group, à Bloomberg.

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A evolução está relacionada com os prémios mais elevados para compensar o endividamento recorde que o mercado terá de absorver já que este ano para financiar um programa de despesas destinado a melhorar as suas infraestruturas e modernizar as forças armadas.

Apesar disso, o apetite dos investidores manteve-se saudável em janeiro, com a venda de uma nova linha de obrigações a 20 anos a atrair uma procura próxima de recordes, enquanto a mais recente colocação de títulos a dois, 10 e 30 anos registou melhorias na procura.

O agravamento dos juros das Bunds na sessão está a contagiar os restantes países, levando os investidores a ignorarem notícias locais. No caso de França, a dívida a 10 anos sofre uma subida da "yield" de 2,9 pontos-base para 3,477%, depois de na segunda-feira, pondo fim a um impasse de meses que tinha aumentado os receios de uma crise da dívida na segunda maior economia da União Europeia.

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O juro espanhol sobe 3,1 pontos-base base para 3,263%, o italiano avança 2,7 pontos-base para 3,506% e o grego 2,5 pontos-base para 3,493%. A "yield" das obrigações portuguesas a 10 anos agravam-se em 3,1 pontos-base para 3,243%, mesmo depois de ter sido conhecido esta segunda-feira que e até da meta do Governo.

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