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Credores internacionais ameaçam Evergrande com tribunais: reestruturação "opaca"

Um grupo de investidores estrangeiros acusa a gigante imobiliária chinesa de deixá-los de fora do plano de reestruturação e ameaça avançar com ações legais para proteger os seus direitos.

Aly Song/Reuters
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 21 de Janeiro de 2022 às 09:57
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Um grupo de credores estrangeiros da gigante imobiliária Evergrande estão a ameaçar avançar com uma ação legal contra a companhia chinesa, devido ao plano de reestruturação que dizem ser "opaco".

 

Num comunicado emitido esta quinta-feira, citado pela CNN Money, os investidores adiantam que estão "a considerar seriamente ações legais", depois da Evergrande ter falhado em estabelecer o diálogo, sobre as suas operações em curso para reorganizar as suas operações.

 

"A falta de ‘engagement’ e de tomada de decisão opaca da firma até o momento é contrária aos padrões internacionais bem estabelecidos em processos de reestruturação desta magnitude", escreve o grupo de investidores, representado pela empresa de advogados Kirkland & Ellis e pelo banco de investimento Moelis & Co.

 

No leque de acusações contra a forma como a empresa chinesa está a gerir este processo, os investidores acusam a companhia de manchar a visão dos investidores estrangeiros sobre empresas chinesas e a expectativa de esperar um tratamento justo quando realizam estes investimentos.

 

Face a esta ausência de diálogo e respostas da parte da Evergrande, o grupo de investidores adianta que está "preparado para tomar todas as ações necessárias para defender veemente os seus direitos legais e proteger os seus interesses legítimos".

 

Contactada pela CNN Money, a Evergrande não fez qualquer declaração sobre o comunicado, mas em comunicado enviado à bolsa de Hong Kong referiu que vai contratar mais consultores legais e financeiros para dar seguimento às exigências dos credores.

 

A crise da Evergrande estalou há vários meses, quando, em setembro, a empresa alertou para a crise de liquidez que estava a passar, tendo desde então falhado vários pagamentos de juros a credores da companhia.

 

No mês passado, a agência de notação financeira Fitch declarou a Evergrande numa situação de "default", por não pagar os montantes devidos aos seus detentores de obrigações.

 

As autoridades chinesas deverão estar a ajudar a Evergrande no seu processo de reestruturação, contudo a ausência de informações de Pequim está a deixar os investidores estrangeiros sem paciência.

 

Estes credores alegam ter sido deixados no escuro e referem que receberam da parte da empresa "pouco mais do que vagas garantias de intenção, carentes de detalhes e substância".

Os investidores, que se sentem marginalizados por ser estrangeiros, reconhecem, porém, os esforços da empresa para retomar a maioria dos seus projetos de construção e garantem que querem ajudar neste momento difícil e "ser parte da solução".

 

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