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Em pleno "sell-off" de dívida, Portugal paga mais para se financiar a um ano

O IGCP realizou esta quarta-feira um leilão de bilhetes do Tesouro, no qual captou 1.537 milhões de euros.

Pedro Cabeços é o presidente do IGCP.
Pedro Cabeços é o presidente do IGCP. João Cortesão / Medialivre
20 de Maio de 2026 às 10:55
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Portugal pagou mais para se financiar a um ano, num momento em que as preocupações sobre a inflação causada pela guerra no Médio Oriente se está a . Este sentimento dos investidores penalizou o país no leilão de bilhetes do Tesouro (BT) realizado esta quarta-feira.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP emitiu 1.537 milhões de euros em BT com prazo até maio de 2027, acima do montante indicativo que ia até 1.500 milhões de euros. O juro pedido pelos investidores fixou-se em 2,613%, acima dos 2,307% pedidos em março, quando o país se financiou pela última vez neste prazo.

Nesse leilão comparativo, o IGCP emitiu 1.420 milhões de euros, com uma procura 1,57 vezes acima da oferta. Na operação desta quarta-feira, o apetite dos investidores até subiu, tendo sido 2,08 vezes superior à oferta.

"A subida da taxa surge num contexto de maior pressão inflacionista, refletida nos dados que têm vindo a ser divulgados", explica Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa. "Este movimento tem sido agravado pela persistência do impasse no estreito de Ormuz, que tem mantido os preços do petróleo em níveis elevados. Por sua vez, o encarecimento da energia tem impacto direto na economia real, nomeadamente através do aumento dos custos de transporte e de outros custos associados às cadeias de produção e distribuição", adverte.

Neste enquadramento, os mercados têm revisto em alta as expetativas quanto à evolução das taxas diretoras dos bancos centrais. "Essa perspetiva traduz-se em taxas de juro mais elevadas, tanto nos prazos curtos como nos prazos médios, criando as condições para que o atual leilão registasse custos de financiamento superiores aos observados anteriormente”, acrescentou.

Lá fora, a tendência é transversal, mas ainda mais notória no longo prazo. Esta terça-feira, a "yield" das Treasuries americanas a . Na semana passada, a “yield” do Japão a 30 anos tocou os 4% pela primeira vez desde 1999, enquanto as Gilts britânicas com o mesmo prazo atingiram máximos de 28 anos.

"Com a dívida a crescer mais rapidamente do que a economia, perfis de inflação a deteriorarem-se e a ausência de vontade política para reformas orçamentais, há poucas razões para apostar na parte longa da curva de dívida", explicou Ajay Rajadhyaksha, analista do banco Barclays, numa nota de "research" consultada pela Bloomberg.

No caso de Portugal, já na semana passada o IGCP tinha realizado um leilão de obrigações do Tesouro no qual pagou uma "yield" de 3,452%, de referência. Esta quarta-feira, esta dívida "benchmark" negoceia em mercado secundário com um juro de 3,526%.

(Notícia atualizada às 11:50)

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