Portugal coloca 1,41 mil milhões de euros. Paga mais para emitir dívida a 9 anos
A agência que gere a dívida pública não conseguiu angariar o valor máximo que pretendia, apesar de a procura até ter superado a oferta em quase o dobro nas duas linhas.
Portugal emitiu esta quarta-feira 1.410 milhões de euros num leilão duplo de obrigações do Tesouro (OT), que vencem a sete e a nove anos, de acordo com o resultado da operação que está a ser avançado pela Bloomberg. O montante fica assim dentro do intervalo indicativo que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP pretendia angariar, mas abaixo do máximo definido. O juro pago na emissão a nove anos ficou acima da última emissão comparável.
No caso da linha que vence a 15 de junho de 2035, a agência que gere a dívida pública colocou 731 milhões de euros, com um juro de 3,175%. Na última emissão a nove anos, no final de janeiro, a agência que gere a dívida pública tinha colocado 900 milhões de euros, com um juro de 3,058%.
Em obrigações que vencem em 14 de outubro de 2033 foram angariados 679 milhões de euros, com uma "yield" de 3,009%, sendo esta a primeira vez que Portugal emite dívida a sete anos desde maio do ano passado. Na altura, a taxa fixou-se em 2,716%.
"O agravamento das taxas observado no leilão de hoje reflete o atual contexto geopolítico, marcado pelo conflito com o Irão, que veio alterar as expectativas dos investidores quanto à trajetória futura da inflação. Este cenário poderá obrigar os bancos centrais a reagirem, caso essas pressões inflacionistas se venham efetivamente a materializar", explica Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa, num comentário enviado ao Negócios.
A escalada dos preços da energia, após o estalar do conflito no Médio Oriente, está a deixar os investidores receosos com uma subida na inflação e, consequentemente, de uma posição mais "hawkish" por parte da autoridade monetária. Esta quarta-feira, Peter Kazimir, membro do conselho de governadores do BCE, veio alimentar os receios dos mercados, ao afirmar que a entidade que define a política monetária da Zona Euro está "mais perto do que muitas pessoas pensam" de voltar a subir as taxas de juro, após um ciclo de alívio.
Portugal foi assim apanhado por esta expectativa, apesar do forte apetite dos investidores. Na linha com prazo mais curto, a procura ficou 1,92 vezes acima da oferta, contra 1,97 vezes no ano passado. Já no que diz respeito à linha mais longa, a procura ficou 1,89 vezes acima da oferta, quando tinha sido 1,82 vezes no último leilão comparável.
O mesmo acontece nos movimentos no mercado secundário da dívida, com os juros da dívida portuguesa a dez anos, a maturidade de referência, a dispararem 6,1 pontos base para 3,284% - máximos de quase um ano. Já a "yield" das obrigações a nove anos sobe 6,3 pontos para 3,172%, enquanto a de a sete anos cresce 6,1 pontos para 2,998%.
"Nas últimas semanas, as taxas de juro têm apresentado maior volatilidade, conduzindo a um reajustamento das yields em vários segmentos do mercado obrigacionista. Ainda assim, Christine Lagarde referiu que a Zona Euro se encontra atualmente mais bem preparada para absorver um choque energético relacionado com o Irão do que estava aquando da Guerra da Ucrânia", completa Filipe Silva.
(Notícia atualizada às 11:53 horas)
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