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Portugal emite dívida a oito anos com taxas negativas pela primeira vez

O IGCP realizou hoje o primeiro leilão desde a apresentação da proposta do Orçamento do Estado e os custos de financiamento baixaram.

Depois de apresentar o suplementar no verão, João Leão deu a conhecer o seu primeiro orçamento para o ano seguin   te como ministro das Finanças.
João Cortesão
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 14 de Outubro de 2020 às 10:42
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O ministros das Finanças disse esta terça-feira que é "absolutamente crucial manter as taxas de juro da dívida muito baixas", de forma a permitir menores custos de financiamento ao país.

O primeiro leilão de dívida de longo prazo realizado depois da apresentação da proposta do Orçamento do Estado mostra que João Leão, para já, não tem motivos para se preocupar com as taxas que os investidores exigem para financiar o país.

O IGCP colocou hoje títulos de dívida a oito anos com uma taxa negativa, o que acontece pela primeira vez nesta maturidade e prova que as obrigações soberanas de Portugal continuam apelativas para os investidores.

Foram colocados 654 milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidade em outubro de 2028 (OT 2,125% 17out2028) com uma "yield" de -0,085%.

Esta foi a primeira vez que Portugal se financiou nesta maturidade com taxas negativas. No leilão similar realizado em agosto tinha colocado os títulos com uma taxa de 0,095%. Já era expectável que Portugal conseguisse um mínimo histórico, dado que os juros no mercado secundário estão em mínimos do ano passado. Os títulos já emitidos desta linha de obrigações com maturidade em 2028 negoceiam esta quarta-feira com uma taxa de -0,06%.

Além disso a procura foi robusta, atingindo 1.546 milhões de euros, o que se situa 2,36 vezes acima da oferta de obrigações a oito anos.

Em títulos com maturidade a 17 anos (OT 4,1% 15abr2037), o IGCP colocou  346 milhões com uma taxa de 0,472%, que compara com a "yield" de 0,555% registada no leilão comparável de fevereiro deste ano. A procura atingiu 793 milhões de euros.

BCE suporta taxas negativas

Nas duas linhas foram colocados mil milhões de euros, numa altura em que o IGCP está a aumentar as emissões para responder ao aumento das necessidades de financiamento do Estado português.

Até hoje, a maturidade mais longa a que o IGCP tinha conseguido emitir dívida com taxas negativas era a seis anos. Em julho emitiu obrigações com maturidade em julho de 2026 com uma "yield" de -0,108%.

Nas emissões de dívida de curto prazo o IGCP tem conseguido taxas negativas há vários anos e na última que realizou, em setembro, as taxas foram as mais baixas de sempre

No último leilão de dívida de longo prazo, realizado no mês passado, o IGCP arrecadou 1.211 milhões de euros, sendo que na emissão a 10 anos a taxa baixou para 0,329%, o que representa o segundo custo de financiamento mais baixo de sempre nesta maturidade.

 

No mercado secundário a taxa dos títulos a 10 anos está em mínimos de 2019 e pouco acima de 0,1%, pelo que poderá estar para breve Portugal conseguir taxas negativas também nesta maturidade de referência.

Para tal será determinante que o Banco Central Europeu reforce o seu pacote de estímulos monetários, algo que o mercado acredita que poderá acontecer ainda este ano.

"A descida do risco nacional acompanhou a tendência de todas as dívidas soberanas europeias, onde outros países também viram as suas taxas de referência de longo prazo atingirem mínimos", diz Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa, assinalando que "o contínuo suporte do Banco Central Europeu associado ao fato de que iremos ter taxas baixas por um período longo de tempo, tem levado os investidores a procurarem investimentos onde ainda seja possível ter um retorno positivo ou menos negativo versus outras alternativas".

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