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Portugal emite 4 mil milhões em dívida sindicada a 10 anos com juro de 0,3%

O prémio de risco exigido pelos investidores para comprar dívida portuguesa a 10 anos arrancou nos 29 pontos base e fechou nos 28 pontos base. O IGCP emitiu 4 mil milhões de euros, numa operação com forte procura.

Cristina Casalinho
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 07 de Abril de 2021 às 09:01
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Portugal efetuou esta quarta-feira uma emissão sindicada de dívida a 10 anos, tendo colocado 4 mil milhões de euros em títulos com maturidade em 17 de outubro de 2031, que pagam uma taxa de juro em redor de 0,3%.

De acordo com a Bloomberg, o "guidance" iniciou nos 29 pontos base acima da taxa "mid swap" do euro e fechou nos 28 pontos base, o que aponta para uma yield de 0,309%.

Portugal volta assim a financiar-se com taxas de juro acima de 0% no prazo a 10 anos, depois de em janeiro ter emitido pela primeira vez com taxas negativas através de leilão.

Com os termos finais da operação já fechados, o Tesouro português optou por colocar 4 mil milhões de euros, tirando partido da forte procura por parte dos investidores, que fechou nos 30 mil milhões de euros. A Bloomberg avançou a meio da manhã que a procura já estava acima dos 35 mil milhões de euros, mas reviu em baixa o valor quando noticiou os termos finais da operação.

Apesar de  procura ter ficado 7,5 vezes acima da oferta, ficou abaixo da marca histórica de 40 mil milhões de euros em ordens que foram dadas na emissão sindicada de fevereiro.

A taxa de juro das obrigações a 10 anos está esta quarta-feira no mercado secundário em 0,21%, já algo distante dos mínimos históricos do início do ano, mas ainda em níveis historicamente muito baixos. As expectativas de subida da inflação e aceleração do crescimento económico (reflação) provocaram nos últimos meses um agravamento das taxas das obrigações a nível global.

Esta é a segunda emissão de dívida sindicada realizada pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) em 2021, numa operação liderada por um conjunto de instituições financeiras: BBVA, BNP, CaixaBI, Citi e Credit Agricole CIB.

É pouco habitual o IGCP realizar logo em abril a segunda emissão sindicada do ano, mas Cristina Casalinho já tinha avisado que esta era a altura de aproveitar para emitir dívida pois os mínimos das taxas de juro já teriam ficado para trás.

Contudo, a realização desta emissão sindicada acaba por ser esperada, uma vez que o IGCP todos os anos abre novas linhas nesta maturidade a 10 anos e a primeira de 2021 foi de obrigações a 30 anos. 

Os emissores soberanos recorrem a um sindicato bancário para emitir dívida (em detrimento dos habituais leilões) quando são lançadas novas linhas, sendo que neste tipo de operações (que decorrem ao longo do dia) são levantados montantes mais elevados. 

O IGCP já realizou este ano dois leilões de dívida de longo prazo (janeiro e março) e em fevereiro realizou uma emissão sindicada. Emitiu 3 mil milhões de euros em títulos com maturidade a 30 anos, aceitando pagar um juro de 1,02%. 

Numa entrevista ao Público já depois desta emissão sindicada, Cristina Casalinho, presidente do IGCP, explicou que "dificilmente as taxas de juro ficarão mais baixas no futuro e que todos os países estão a aproveitar para se financiar enquanto a janela do apoio extraordinário do BCE não se fecha". 

Ao angariar 4 mil milhões de euros na emissão de hoje, o IGCP eleva para 9.500 milhões de euros o valor encaixado este ano só com dívida de longo prazo.

Em comunicado, o IGCP indica que 35,5% da emissão foi colocada junto de bancos privados e 9,8% foi comprada por seguradoras e fundos de pensões.

Em termos geográficos, os investidores de França, Itália e Espanha absorveram 31,3% da emissão, enquanto 18% são do Reino Unido e 16% de Portugal. Alemanha, Áustria e Suíça compraram 14,4% dos títulos de dívida emitidos.

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