Portugal quer captar até 2 mil milhões em dívida de curto prazo com juros em máximos do ano
O IGCP anunciou que o país vai emitir bilhetes do Tesouro na próxima semana, num leilão duplo. Em mercado secundário as "yields" das duas maturidades estão em máximos do ano e de janeiro de 2025.
Pela segunda vez desde que a guerra no Médio Oriente começou - o que tem agravado os juros da dívida soberana por toda a Zona Euro - Portugal vai ao mercado financiar-se entre 1,75 a 2 mil milhões de euros num leilão duplo de bilhetes do Tesouro (BT), de acordo com uma nota da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), publicada esta sexta-feira.
"O IGCP vai realizar no próximo dia 18 de março pelas 10:30 horas dois leilões das linhas de BT com maturidades em setembro de 2026 (BT 18SET2026) e em março de 2027 (BT 19MAR2027), com um montante indicativo global entre 1.750 milhões e 2.000 milhões", pode ler-se.
Na última emissão a um ano, em meados de janeiro, Portugal colocou 1,25 mil milhões de euros. A "yield" fixou-se em 2,026% e a procura foi 2,33 vezes superior à oferta. Já a seis meses ainda não foi realizada nenhuma emissão com esta maturidade este ano.
Os juros da dívida portuguesa em mercado secundário seguem a agravar-se. No vencimento a dez anos sobem 2,4 pontos base para 3,416% - o valor mais alto desde novembro de 2023. A seis meses ronda os 2,023%, um máximo do ano, e a um ano fixa-se nos 2,308%, o valor mais elevado desde janeiro de 2025.
As necessidades de financiamento líquidas deverão situar-se em 13 mil milhões de euros este ano, o que compara com os 10,8 mil milhões de 2025, segundo indica o programa de financiamento do IGCP.
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