Portugal volta a pagar mais para emitir nova dívida. Juro a nove anos supera os 3,34%
Os investidores pediram um juro mais elevado para financiar o país a nove anos, numa altura em que a tensão no Médio Oriente tem introduzido maior instabilidade no mercado de dívida e alterado as perspetivas de inflação no médio prazo.
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O financiamento do país voltou a ser castigado pelo contexto internacional. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP realizou esta quarta-feira um leilão duplo de obrigações do Tesouro (OT) a nove e 19 anos no qual emitiu um total de 1.078 milhões de euros – abaixo do montante indicativo que podia ir até aos 1.250 milhões de euros. Os juros subiram na maturidade mais curta.
"O aumento das taxas registado no leilão de hoje, espelha o atual ambiente geopolítico, marcado pelos avanços e recuos do conflito com o Irão", explica Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa sobre a operação.
No caso da dívida com prazo a 12 de outubro de 2035, o IGCP colocou 636 milhões de euros, com uma taxa de 3,342%. Em março, o país tinha emitido 731 milhões de euros em títulos que vencem no mesmo ano, tendo na altura conseguido um juro de 3,175%.
Já no caso da dívida mais longa, até 15 de fevereiro de 2045, foram emitidos 442 milhões de euros a uma taxa de 3,894%. A última vez que o país se financiou por via de leilão com este prazo foi em maio do ano passado (tendo o juro sido de 3,753%), mas o contexto mudou no último ano, com a guerra no Médio Oriente a relançar as preocupações sobre uma escalada de inflação à qual os bancos centrais tenham de responder com subidas de juros.
No final de maio, Portugal emitiu também três mil milhões de euros numa venda sindicada de dívida a 20 anos – um tipo de operação tipicamente mais cara do que os leilões já que o objetivo é garantir uma fatia de financiamento maior. A procura recorde levou a que o cupão se fixasse em 3,875%, correspondente a uma "yield" de 3,913%.
No leilão desta quarta-feira, a procura manteve-se igualmente robusta. Na dívida a nove anos, superou a oferta em 2,04 vezes (acima das 1,89 vezes do último leilão comparável), enquanto nos títulos a 19 anos foi de 2,33 vezes. O apetite dos investidores por obrigações portuguesas mantém-se, apesar do contexto mais desafiante.
A tensão no Médio Oriente "tem introduzido maior instabilidade no mercado de dívida e alterado as perspetivas de inflação no médio prazo", refere Filipe Silva. "Neste enquadramento, antecipa-se que o Banco Central Europeu avance com uma subida de 25 pontos-base na reunião de junho, embora a materialização de novas pressões inflacionistas possa forçar os bancos centrais a adotar uma postura ainda mais restritiva", acrescenta.
Este encontro liderado por Christine Lagarde já arrancou e termina esta quinta-feira, quando se espera que anuncie um aumento da taxa de referência para 2,25%. Em antecipação, as "yields" na Zona Euro seguem a agravar-se no mercado secundário, com as Bunds alemãs a 10 anos a negociar nos 3,062%. A "yield" das obrigações portuguesas com esta maturidade avançam para 3,444%.
(Notícia atualizada às 11:05 horas)