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Portugal volta a financiar-se a juros negativos

O Estado colocou 1,9 milhões de euros em bilhetes do Tesouro a seis e a 12 meses, mais que o montante definido pelo IGCP. Na maturidade mais curta os juros foram negativos.

Pedro Elias
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 20 de Julho de 2016 às 10:41
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Portugal conseguiu financiar-se a juros negativos, com os investidores a aceitarem pagar para comprarem bilhetes do Tesouro a seis meses. A taxa fixou-se em -0,003%. A última vez que o Estado se tinha conseguido financiar com juros abaixo de zero nesta maturidade foi em Janeiro. No entanto, em Abril também tinha obtido financiamento com taxas negativas, mas numa emissão a três meses.

No total, o Estado conseguiu obter financiamento de 1.904 milhões de euros, num duplo leilão de títulos não só a seis, mas também a 12 meses. O valor colocado saiu acima do intervalo máximo definido para a operação. Antes do leilão, a agência que gere o crédito público, o IGCP, tinha apontado para um montante indicativo de entre 1.500 milhões e 1.750 milhões de euros.

Na maturidade a seis meses foram colocados na emissão desta quarta-feira 544 milhões de euros, com uma taxa de –0,003% e com a procura a exceder em 1,85 vezes a oferta. Na última operação com a mesma maturidade, realizada em Maio, a taxa tinha sido fixada em 0,021%.

Já no prazo a um ano, o Estado colocou 1.360 milhões de euros com uma taxa de 0,038%, menos que os 0,043% da última operação que tinha sido realizada neste prazo, também em Maio. Nesta linha a procura foi 1,71 vezes superior à oferta. Em Junho, o Tesouro tinha pago 0,146% para se financiar a 11 meses.

"Nem se esperava outra coisa – as duas emissões de dívida de curto prazo correram bem para o Estado português, com as taxas de juro a descer em ambos os prazos, conseguindo mesmo ir a taxas negativas nos seis meses", considera Filipe Silva, director da gestão de activos do Banco Carregosa, numa nota enviada às redacções. Acrescenta que "não sendo a primeira vez que Portugal emite dívida de curto prazo a taxas negativas – até já as emitiu mais negativas - é o sinal de que este ambiente de baixas taxas de juro, com os países mais prósperos com taxas negativas, faz da dívida portuguesa uma alternativa menos negativa para os investidores".

Filipe Silva explica o facto de os investidores aceitarem taxas negativas por não existirem "alternativas melhores". Além disso, "julgam poder ganhar algum rendimento na subida de preço, que compense o cupão negativo", explica.

O IGCP tem aproveitado o mês de Julho para acelerar o plano de financiamento. Além da operação de financiamento de curto prazo desta quarta-feira, já havia feito uma operação de troca de dívida superior a mil milhões de euros. Na semana passada, colocou 1,16 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro a seis e a dez anos e arrancou com uma nova emissão de obrigações para o retalho.

O Estado planeia regressar ao mercado de dívida de curto prazo a 17 de Agosto, contando colocar entre 750 milhões e 1.000 milhões de euros a três e a 11 meses.


(notícia actualizada às 10:55 com mais informação)
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