Euribor a três meses passa para negativo: -0,001%

Depois das taxas a uma e duas semanas, mas também os juros a um mês, a taxa interbancária a três meses passou esta terça-feira para "terreno" negativo. Passou de 0,001% para -0,001%, o que, mantendo-se a tendência, será repercutido nos créditos dos portugueses.
Paulo Moutinho 21 de Abril de 2015 às 10:09

A Euribor a três meses passou, pela primeira vez, para "terreno" negativo. Tal como nos prazos mais curtos, também esta taxa interbancária utilizada como indexante em muitos contratos de crédito, nomeadamente para a compra de casa, está com um menos antes da taxa: caiu para -0,001%, reflexo da política monetária expansionista adoptada pelo Banco Central Europeu (BCE).

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Na última semana a taxa a três meses tinha registado quedas acentuadas. Começou a semana em 0,011%, mas na última sexta-feira estava já a apenas 0,001%, nível a que se manteve no arranque desta semana. Esta terça-feira, 21 de Abril, contudo, acabou por acentuar o comportamento de descida para cair até -0,001%, um novo mínimo histórico.

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A taxa a três meses segue, assim, o comportamento registado nos últimos meses por estas taxas interbancárias – reflectem os juros cobrados pelos bancos da Zona Euro, entre si, – com prazos mais curtos. A Euribor a um mês está negativa em 0,034%, tendo tido já em Março a primeira média mensal negativa, já a taxa a uma semana fixou-se em -0,091%.

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Estes juros negativos são reflexo da política monetária aplicada no euro. Além de manter a taxa de referência em 0,05%, o BCE avançou no início de Março com um programa de compra de activos de 1,14 biliões de euros que vai vigorar até Setembro de 2016, procurando evitar a deflação ao dar um impulso à economia. Esta medida acaba por aumentar de forma expressiva a liquidez no sistema, pressionando as taxas no mercado.

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Impacto nos créditos

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A passagem da Euribor a três meses tem um impacto mais expressivo do que o teve o facto da taxa a um mês ter baixado de zero. Isto porque esta taxa é a utilizada por muitas famílias como indexante nos contratos de crédito, nomeadamente para a compra de casa. E passando para negativo, como esclareceu o Banco de Portugal, as famílias irão pagar menos pelos empréstimos contraídos junto das instituições financeiras.

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"Não podem ser introduzidos limites à variação do indexante que impeçam a plena produção dos efeitos decorrentes da aplicação desta regra legal", afirmou o regulador a 1 de Abril. Assim, não havendo limites, os bancos ficam obrigados a aplicar taxas negativas que serão depois somadas ao "spread" para definir a taxa global do empréstimo. Esta tem em conta, contudo, a média mensal da Euribor e não apenas uma sessão. Actualmente, apesar da taxa negativa na sessão desta terça-feira, a média mensal da taxa a três meses está em 0,01%.

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(Notícia actualizada às 10h20 com mais informação)

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