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Juros da dívida portuguesa disparam após chumbo do Constitucional

“Yield” das obrigações com maturidade a 10 anos avança 20 pontos base e supera os 6,5%, pela primeira vez desde 28 de Fevereiro.

Bruno Simão/Negócios
08 de Abril de 2013 às 07:55

Os juros da dívida pública portuguesa estão a reagir em alta acentuada ao chumbo do Tribunal Constitucional a quatro normas do Orçamento, que vão dificultar a execução orçamental deste ano.

Foram chumbadas quatro normas do Orçamento, que representam um rombo de 1,3 mil milhões de euros no Orçamento deste ano. O primeiro-ministro disse ontem que esta decisão dificulta a vida do Governo e de todos os portugueses, anunciando que o Governo recusa aumentar impostos e vai implementar mais cortes da despesa.

 A Comissão Europeia já reagiu, manifestando confiança na capacidade do Governo português para encontrar "rapidamente" novas medidas que compensem as normas orçamentais chumbadas pelo Tribunal Constitucional.

A reacção dos investidores, tendo em conta o comportamento das obrigações no mercado de dívida secundário, mostra que com o chumbo do Constitucional aumentaram as dúvidas sobre a capacidade de Portugal cumprir as metas do programa de assistência financeira.

Os juros da dívida a 10 anos, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg, avançam 20 pontos base para 6,55%, superando os 6,5% pela primeira vez desde Fevereiro. Esta “yield” já quebrou em baixa a barreira dos 6%, quando o Governo lançou a primeira emissão de obrigações de longo prazo desde que Portugal solicitou ajuda externa.

Nos restantes prazos a tendência também é de forte subida dos juros. Na maturidade a cinco anos a “yield” avança 31 pontos base para 5,3%, sendo que nos prazos acima de 3 anos o agravamento dos juros é sempre superior a 20 pontos base.

Para já Portugal não está a contagiar a dívida dos restantes periféricos, já que as obrigações espanholas a 10 anos negoceiam com uma “yield” de 4,68%, 7 pontos base abaixo do fecho de sexta-feira.

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