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A caminho dos criptoneobancos

Diogo Mónica referiu que a Anchorage Digital existe porque a “segurança dos criptoativos é difícil e exige uma tecnologia diferente”, há “riscos de liquidez” e sublinhou que estão sujeitos a regras de compliance.

Filipe S. Fernandes 02 de Dezembro de 2021 às 17:00
Diogo Mónica, Cofundador e presidente da Anchorage Digital Duarte Roriz
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A Anchorage Digital é uma plataforma digital regulada desde janeiro de 2021 pelo Office of the Comptroller of the Currency, o que permite a qualquer empresa criar produtos em cripoativos através de serviço de custódia, compra e venda, empréstimos e aspetos também mais nativos das criptomoedas. Um dos fundadores em 2017 foi Diogo Mónica, que durante o doutoramento foi para os Estados Unidos, tendo passado pela Square e a Docker.

Refere que a plataforma é institucional, não tem retalho. "Os nossos clientes são entidades federais, bancos tradicionais, fintechs, corporate, temos clientes como a VISA, temos os maiores capitais de risco do mundo e fundos capitais de risco do mundo, são esses os nossos clientes, são as grandes instituições, os grandes alocadores de capitais, as grandes fintechs corporation e bancos. Dezenas de milhares de milhões de dólares em ativos em custódia hoje e com centenas de criptoativos suportados pela plataforma", disse Diogo Mónica.

A regulação é necessária e útil para o sucesso dos criptoativos. Diogo Mónica, Cofundador e presidente da Anchorage Digital 

Na sua comunicação falou dos criptoneobancos, que são bancos que "permitem aos participantes beneficiarem dos efeitos de rede que estão a ser criados", o que contrasta, segundo Diogo Mónica, com as redes do género do Facebook, Google, YouTube e Twitter. Têm efeitos de rede feito muito fortes "mas o aumento do valor da rede, por exemplo, com entrada novos utilizadores não traz diretamente valor monetário para os utilizadores mas apenas para a empresa ou para a plataforma que realmente controla a rede".

Como funciona

Salientou que embora os criptoneobancos não tenham contas de Fiat, permitem aos seus clientes ter acesso a contas à ordem, ter acesso a uma stablecoin (DAI, USDC) que permitem acesso a contas-poupança, acesso diretamente à preservação de valor com bitcoin ou ETH, a contas a prazo com geração de retorno de 5, 9 ou 10% anualmente. Os pagamentos são nativos diretamente na blockchain ou com empresas como Visa que fazem credenciais e fazem emissão de credenciais que podem ser utilizadas e podem ser settle diretamente com stablecoins. Stocks: há muitas empresas que fazem equities e permitem numa aplicação ter acesso a serviços de criptomoedas e diretamente stocks e finalmente temos a movimentação de conta através de criptoATM. Há uma substituição completa do menu de serviço bancário tradicional sem nunca tocar neste tipo de Fiat, em contas euros ou em dólares.

Diogo Mónica referiu ainda que a Anchorage Digital existe porque "segurança dos criptoativos é difícil e exige uma tecnologia diferente", há "riscos de liquidez" e sublinhou que estão sujeitos as regras de compliance dos bancos como o branqueamento de capitais. Considerou que "a regulação é necessária e é útil para o sucesso dos critpoativos e das criptomoedas, mas haverá sempre elementos que vão estar fora da regulação". Salientou que "os criptoativos são 15 coisas diferentes, há muitos verticais dentro dos criptoativos e todos eles têm momentos de regulação diferentes e não há uma solução única para todos estes serviços".