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A milenarização do imobiliário

Em Portugal não consegue construir co-livings de raiz legalmente, apenas em reabilitação de edifícios em que as exceções são permitidas, mas “esta não responde em termos de escala”, refere Williams Johnson Mota.

Filipe S. Fernandes 25 de Setembro de 2019 às 14:30
Williams Johnson Mota, CEO da B-Hive Living. David Cabral Santos
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O co-living não é apenas uma nova tendência do negócio imobiliário, "é uma nova forma de viver e que resulta da criação de uma comunidade intencional, do uso dos serviços e das tecnologias para se criar uma experiência de residência diferente da tradicional", disse Williams Johnson Mota, Co-Liv’s Ambassador em Portugal, CEO da B-Hive Living. Na sua perspectiva, os millennials são o maior grupo populacional da história, 1,9 mil milhões no Mundo, e estão a provocar a millenarização da economia com vários modelos de negócio a surgirem para responderam a estas expectativas. "O co-living é uma espécie de millenarização do imobiliário", refere Williams Johnson Mota.

Segundo este promotor imobiliário, a forma de construção actual não corresponde ao modo de vida dos jovens moderno e millenial, que se movem não tanto pela propriedade mas mais pelos serviços. Uma pessoa entre os 18 e os 34 anos vai mudar de emprego, em média, onze vezes ao longo da sua carreira e da sua vida. A experiência do nosso residente mostra que são pessoas que veem no co-living um estilo de vida mais social". Outras das vantagens do co-living estão a possibilidade de ser um "solução temporária" e de poder ser um "antídoto à solidão".

Ideias para Portugal

Williams Johnson Mota refere que no mindset do co-living está a noção de "criar e proporcionar o bem-estar do residente, que é diferente do mindset da construção imobiliária dos últimos anos em que o comprometimento com a obra é muito curto". O promotor da co-living compromete-se a longo prazo, por isso precisa que o espaço seja mantido, tenha qualidade de construção, e para dar qualidade de vida utiliza a animação como eventos sociais, culturais, comunitários.

"Existe uma rede de investidores interessados em investir no co-living em Portugal", referiu Williams Johnson Mota, que está há um ano em Portugal a promover o conceito e tem feito vários estudos de viabilidade económica-financeira de co-living para o país.

Há procura, mas os entraves são "não só a perceção do risco mas a falta de uma licença específica do co-living, as normas urbanísticas que precisam de ser revistas, modernizadas e adaptadas ao estilo de vida". Por isso, não conseguem construir co-livings de raiz sem ir contra a lei mas apenas em reabilitação de edifícios em que as exceções são permitidas, mas "esta não responde em termos de escala".

Taxas de esforço

Um outro óbice é a política de arrendamento que não gera a suficiente segurança no investidor, mas, como diz Williams Johnson Mota, "não existe nenhum país em que as condições para o co-living sejam perfeitas".

Hoje as taxas de esforço em Lisboa são similares às grandes capitais europeias, "o co-living é uma necessidade". A Câmara Municipal de Cascais está a preparar uma regulamentação específica para o co-living e existe abertura no Porto para mudanças mas, como estas demoram tempo, "era importante que o setor público criasse soluções temporárias que nos permitissem experimentar e ousar um pouco mais, pois estamos num ciclo tardio do mercado na Europa, os preços estão muito altos e a capacidade de aquisição do consumidor não tem acompanhado esta subida do imobiliário".

Contudo, este responsável sublinhou que o co-living não é a solução mas uma das soluções que pode dinamizar o sector do arrendamento em Lisboa e Porto.