A “performance” da banca portuguesa face à europeia

Fernando Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Banca, louvou o esforço da banca portuguesa na sua recuperação financeira.
A “performance” da banca portuguesa face à europeia
Mariline Alves
Filipe S. Fernandes 12 de julho de 2019 às 16:15

"A primeira prioridade da banca na Europa e em Portugal continua a ser a rentabilidade. Há muito tempo que o custo do capital se mantém entre os 8,5% e os 10%, mas a banca europeia está com um ‘return on equity’ (ROE) de 5%, depois de um progresso notável registado nos últimos anos", referiu Fernando Faria de Oliveira, presidente da APB (Associação Portuguesa de Bancos).

Este gestor não deixou de salientar que "a dificuldade de atrair capital para o sistema bancário português é um problema de fundo. A dada altura houve a necessidade de recorrer a capital de fora da Europa porque faltou capacidade de atração de capital de outras origens".


4,6%
Foi o ROE da banca portuguesa em 2018, quando há dois anos o ROE era negativo


A APB fez uma compilação dos principais indicadores da banca portuguesa e da banca da União Europeia e dos principiais países europeus com dados de 2018. "O progresso registado em Portugal é notável", afirma Faria de Oliveira, dando como exemplo o ROE da banca portuguesa que era de 4,6% em finais de 2018, contra 5% na média da União Europeia, quando há dois anos o ROE era negativo.

O rácio de cobertura de liquidez em Portugal de 185% "é o maior de todos", assinala Fernando Faria de Oliveira, pois na maior parte dos outros estados-membros está abaixo de 160%. Os depósitos dos clientes em Portugal mantêm-se em 65,5% do ativo, a média da UE é de 50,8%, mas o "nosso rácio de transformação neste momento é muito baixo, de onde decorre o excesso de liquidez que os bancos enfrentam" explica Fernando Faria de Oliveira.

Positivo e negativo

O capital próprio em percentagem do ativo da banca portuguesa é de 9,5% contra 7,2% da média europeia. O "cost to income" da banca portuguesa é de 56,1%, a média da Europa é de 65,8%. "A dor de cabeça para a rentabilidade do setor bancário, que é a margem financeira, apesar de tudo, é superior à média europeia, com 1,64% do ativo contra 1,25% do ativo. O ‘common equity tier’ 1 está abaixo da média com 13,5% contra 14,7%. A maior dor de cabeça de um número significativo de bancos, o rácio de cobertura dos NPL (’non-performing loans’) é maior do que o da União Europeia com 53,7% contra 48,8% na média europeia", prosseguiu Fernando Faria de Oliveira.

Em termos negativos, a banca portuguesa regista um rácio de NPL de 9,4% contra menos de 4% na média europeia, o capital próprio em percentagem de NPL é de 114% em Portugal e 245% na média europeia. Em relação às taxas de juro, "em Portugal são relativamente superiores à média europeia mas são taxas médias. Para as melhores empresas não financeiras, o que está a ser praticado em termos de taxas de juro para o crédito novo é sensivelmente o mesmo da União Europeia", salientou o presidente da APB.

Em termos médios globais, no crédito novo é de 2,3% em Portugal e de 1,5% na Europa, para o stock é de 2,43% em Portugal e 1,97% na média europeia. Mas no crédito à habitação, a diferença é mínima. O crédito novo em Portugal está com "uma taxa de 1,36%, a média europeia é de 1,77%, e o stock é de 1,13% em Portugal e 2,09% na média europeia", assinalou Faria de Oliveira.

"A comparação destes números demonstra o trabalho que foi feito na recuperação do setor. Mas os aspetos reputacionais ligados a alguns casos escondem todo o esforço que a banca realizou", concluiu.




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