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As moedas digitais dos bancos centrais

As moedas digitais têm de ter quem assegure a liquidez e o pagamento quando ele é exigido e vai ser através dos bancos centrais que que vão ser usadas pela generalidade dos consumidores e dos agentes económicos.

Filipe S. Fernandes 02 de Dezembro de 2021 às 16:30
Nuno Sousa sublinhou a importância da cibersegurança. Duarte Roriz
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Miguel Morais procurou delimitar o campo das criptomoedas que são referidas de uma forma generalizada embora o termo comporte muitas realidades diversas. Referiu que a generalidade das criptomoedas surgiram associadas ao conceito de moeda por causa dos próprios termos usados como o bitcoin, a mineração, os metais preciosos e etc., mas pelas características e os atributos não podem ser considerados moeda. "Primeiro, não têm estabilidade de preços, são voláteis e na prática estão muito mais próximos de ativos ou instrumentos financeiros do que moeda."

Por sua vez, Norberto Rosa considera que "para ser uma moeda tem de ser uma unidade de conta, e a instabilidade não serve para uma unidade de conta, tem de ser um meio de troca de aceitação generalizada, e tem de ser uma reserva de valor, ou seja, garantido por algo, como um banco central". Por isso, Miguel Morais vê nos bancos centrais "o desenvolvimento das verdadeiras moedas digitais e será onde vão surgir de facto as moedas digitais que vão ser usadas pela generalidade dos consumidores e dos agentes económicos".

Norberto Rosa explicou que o sistema bancário já se pronunciou durante a consulta pública sobre a criação do euro digital. Em termos gerais, as associações bancárias nacionais e internacionais pronunciaram-se favoravelmente, ainda que surjam temas como a inclusão digital, o alargamento da inclusão digital a toda a população, a facilidade de pagamentos nomeadamente a nível internacional.

Riscos do euro digital

Os principais riscos estão "na maior preferência que os utilizadores terão pela moeda euro digital relativamente aos depósitos, o que poderá criar dificuldades em termos de liquidez dos bancos com reflexos a nível do financiamento da economia e uma diminuição da qualidade do crédito por desconhecimento da atividade dos agentes económicos".

A entrada da banca nas moedas digitais vem acrescentar credibilidade e profissionalismo. Paulo Costa Martins, Sócio da Cuatrecasas 

A utilização do euro digital poderá ter reflexos nos sistemas de pagamentos, podendo implicar menos inovação, e nos mecanismos de branqueamento de capitais, fraude fiscal, financiamento de terrorismo, em que "os bancos neste momento têm mecanismos de grande robustez para este controlo e com uma moeda do Banco Central ficaria com este controlo".

Para Paulo Costa Martins, entre o risco e a oportunidade surgem estas moedas digitais ou criptoativos que "estão entre dois mundos aparentemente distintos, o sistema financeiro tradicional e por outro lado os ecossistemas das moedas virtuais". Considera que numa primeira fase, o sistema financeiro "demonstrou um ceticismo quase total relativamente a esta realidade e o que se tem vindo a verificar ao longo do tempo é que tem havido um crescente interesse sobre este fenómeno e o sistema financeiro prefere estar dentro da discussão". Na sua opinião, visto agora na perspetiva do ecossistema "esta entrada da banca vem acrescentar credibilidade, profissionalismo, não devemos esquecer que a banca tem anos e anos de compliance muito robusto, políticas, procedimentos, e portanto acho que o próprio ecossistema tem muito a ganhar com a entrada da banca, não numa perspetiva de exclusão mútua, mas de complementaridade e de aproveitamento de sinergias".