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“Descarbonização pode passar por produção de hidrogénio verde”, diz presidente da Câmara de Viana do Castelo

Viana do Castelo é, na atualidade, o 16.º concelho mais exportador do país, tendo na última década subido 16 posições no ranking nacional. Representa também 1,5% das exportações portuguesas, refere o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa.

Filipe S. Fernandes 27 de Julho de 2021 às 10:00
Paulo Duarte
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“Esperamos dar um passo mais significativo na descarbonização das nossas zonas industriais e na atividade do porto de mar de Viana do Castelo, eventualmente com algum projeto de produção de hidrogénio verde.” Os objetivos são traçados por José Maria Costa, presidente da Câmara de Viana do Castelo, que está a terminar o último mandato na autarquia, depois de ter sido eleito pela primeira vez em 2009.

Quais os principais desafios de Viana do Castelo para a década?

O município de Viana do Castelo está a concluir a sua Agenda de Inovação, que efetuou uma avaliação dos indicadores socioeconómicos dos últimos dez anos. Este processo tem sido muito participado e tem reunido um amplo consenso nas apostas e eixos estratégicos, dos quais a formação e qualificação dos recursos, a aposta na economia do mar, a coesão territorial e social e a aposta na educação e cultura serão os principais alicerces. Pudemos constatar nos estudos de avaliação realizados no âmbito da preparação da Agenda de Inovação que, na última década, o concelho de Viana do Castelo obteve um crescimento de 2,4 vezes nas exportações, representando, neste momento, mais de 1.000 milhões de euros, e a intensidade exportadora é atualmente de 40%.

Nestes últimos anos, os clusters de maior crescimento em volume de negócios foram a construção/imobiliário, componentes de automóvel, indústria do papel e economia do mar. Os setores com maior intensidade exportadora foram o setor automóvel, o setor eólico, o têxtil, o calçado e o papel.

O setor do turismo teve também um excelente desempenho, com um crescimento, na última década, de 51% do número de dormidas, representando, até 2019, cerca de 264 mil dormidas e 43 % dos proveitos totais do Alto Minho.

Já o cluster das tecnologias de informação teve também, nos últimos anos, um crescimento acentuado com a fixação de novas empresas nacionais e estrangeiras com um volume de negócios de mais de 25 milhões de euros, sendo grande parte para exportação.

A economia do mar teve, desde 2015, um crescimento sustentado assente na construção e reparação naval, crescendo, face a 2009, 1,5 vezes e representando, em 2018, cerca de 136 milhões de euros.

Face aos dados obtidos e às tendências recentes de novos investimentos em novas unidades do setor automóvel, logística, energias renováveis e setor hoteleiro, o maior desafio é o da atração de recursos humanos e a qualificação dos recursos já existentes. Assim, Viana do Castelo quer apostar na formação profissional, na qualificação das escolas superiores do Instituto Politécnico e na atração de novos talentos para a região.

Uma das apostas a implementar será continuar a investir em novas áreas de acolhimento empresarial, na qualificação de infraestruturas de inovação e desenvolvimento, como as incubadoras e aceleradoras, para fixação dos jovens que terminam as formações.

Qual pode ser o impacto dos fundos comunitários em Viana do Castelo?

Os financiamentos comunitários são um excelente acelerador das políticas públicas na melhoria das condições de atração de investimento e no apoio à modernização e inovação das empresas vianenses.

Esperamos continuar a apostar na inovação e qualificação das empresas como fizemos no atual quadro do Portugal e Norte 2020. Os fundos direcionados para o Alto Minho e para Viana do Castelo foram aplicados 45% nas empresas, ou seja, mais de 300 milhões foram destinados à economia vianense, permitindo a criação de mais de 3.800 postos de trabalho, grande parte deles qualificados.

Entendemos que o Plano de Recuperação e Resiliência e o Portugal 2030 podem dar um contributo importante na qualidade de vida dos vianenses e no aumento da competitividade do concelho e da região do Alto Minho.

Esperamos que a aposta na reabilitação urbana e na habitação seja também um dos eixos principais dos novos programas, melhorando as condições de vida das nossas populações e aumentando a atratividade das cidades, elementos fundamentais na dinamização da economia.

A cidade e a região estão a preparar-se para a transformação digital e verde?

A transformação digital e verde é uma aposta do território, estando a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho e o município a desenvolver projetos e ações que vão desde a inovação da governança municipal à inovação dos sistemas de monitorização da cidade e concelho. A descarbonização também está em curso, com a aposta na região de vários atores nas energias renováveis, em especial as oceânicas, com um forte desenvolvimento de novos projetos da energia eólica offshore e energia das ondas.

Estamos também a trabalhar nas adaptações climáticas, na eficiência hídrica - em parceria com as Águas do Alto Minho -, na prevenção e transformação florestal e nos sistemas de autogeração de energia nos equipamentos públicos. E esperamos dar um passo mais significativo na descarbonização das nossas zonas industriais e na atividade do porto de mar de Viana do Castelo, eventualmente com algum projeto de produção de hidrogénio verde.

 

Os protagonistas do Glocal Viana do Castelo O Glocal Viana do Castelo | Pensar Global Agir Local realiza-se esta quarta-feira, 28 de julho, pelas 15h00 no Hotel Flor de Sal e será transmitido em direto no site e no Facebook do Jornal de Negócios.

Em debate estará o peso e a importância socioeconómica que o cluster automóvel tem na região de Viana do Castelo. Abrem a conferência Manuel Cunha Júnior, presidente da Associação Empresarial de Viana do Castelo, um representante da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, e João Neves, secretário de Estado Adjunto e da Economia.

No primeiro painel, “Crescimento do Cluster Automóvel em Viana do Castelo”, são convidados a participar Luís Nobre, vereador com o pelouro do Desenvolvimento Económico, José Diogo Silva, autor do estudo sobre a Evolução das Exportações em Viana do Castelo, e José Couto, presidente da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel. A moderação cabe a António Larguesa, jornalista do Jornal de Negócios.

No segundo painel sobre “Novos Projetos em Desenvolvimento”, participam representantes da ALUDEC, Bontaz–Serratec, Borg-warner e Viana Plásticos moderados por António Larguesa.

O encerramento institucional cabe a José Maria Costa, presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, António M. Cunha, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, e Eurico Brilhante Dias, secretário de Estado da Internacionalização (a confirmar).

 



 

Setores de maior intensidade exportadora foram o automóvel, o eólico, têxtil, calçado e papel. José Maria Costa
Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo