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Divergência monetária vai favorecer o dólar

O rumo da política monetária mundial deverá ser determinante para a evolução do mercado cambial. Com a Fed pronta para subir juros, a nota verde deverá ganhar face às principais divisas.

Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 29 de Setembro de 2016 às 12:27
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As decisões dos bancos centrais mundiais têm-se reflectido na evolução das respectivas moedas. Com a Reserva Federal (Fed) preparada para voltar a subir juros até ao final do ano, o dólar posiciona-se como a divisa que oferece melhores oportunidades no mercado cambial, face às principais moedas mundiais. Já a libra deverá continuar sob pressão e divisas como o dólar canadiano e neozelandês poderão acusar a possível descida das taxas de juro nos seus países.

Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal dos EUA, decidiu adiar em Junho ma subida de juros, devido aos riscos do Brexit. Depois voltou a fazê-lo este mês, mas indicou Dezembro como o potencial mês para mexer nas taxas de juro, exactamente um ano depois de ter subido juros pela primeira vez em quase uma década. E é precisamente por isso que John Hardy, responsável pela estratégia cambial do Saxo Bank, considera que a "nota verde", além de ser considerado um activo de refúgio, deverá ser ainda beneficiada pela divergência na política monetária global e pela procura por "yield" por parte dos investidores.

Ao contrário dos EUA, que tentam encontrar a melhor altura para acelerar o ciclo de normalização da sua taxa de juro, noutras regiões do Globo o foco é flexibilizar e implementar mais estímulos. É o caso da Europa e do Reino Unido. John Hardy acredita que "a libra está fraca, mas pode baixar ainda mais".

E não é só na Europa que as autoridades monetárias mantêm uma política expansionista. Em países onde a taxa directora ainda se mantém em níveis mais elevados, a discussão é se há espaço ou não para a descida de juros. O estratego lembra que na Austrália, a taxa de juro está em 1,5%, sendo que a "economia está a crescer, mas com base no crédito e não na economia real, porque os preços das matérias-primas caíram". Hardy refere, assim, que a grande questão é se estes países não irão aumentar o "quantitive easing". E a discussão é semelhante no caso do dólar canadiana, neozelandês ou da coroa sueca.

No Japão, o iene, uma das moedas que tem beneficiado com a procura por activos mais seguros, ainda tem espaço para subir, mas pouco. A inversão na política monetária por parte do Banco do Japão deverá dar suporte à divisa. Mas, na opinião de Hardy, a força da moeda nipónica deverá estar prestes a inverter, ainda que não antecipe uma queda rápida. Em caso de dúvida "para perceber se um 'trade' está a perder força é olhar para a evolução do mercado de derivados", aconselha Hardy.


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