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Olga Cadaval: O centro cultural que renasceu das cinzas

Desde que foi remodelado, depois do incêndio em 1985, o cine-teatro de Sintra ostenta o nome da Marquesa Olga Cadaval. Hoje, tem dois "dos melhores" auditórios do país. Um dos segredos está nos bastidores: um sistema de varas "único".

Sara Ribeiro sararibeiro@negocios.pt 22 de Setembro de 2015 às 00:01
Bruno Simão
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A acústica, o ambiente intimista que aproxima os artistas do público e o sistema "único" de varas automático. Estas são as principais características que fazem com que os dois auditórios do Centro Cultural Olga Cadaval sejam "dos melhores do país", segundo Luís Gaspar, director do edifício situado no centro de Sintra.

Apesar de o edifício ter sido construído em 1945, o antigo Cine-Teatro Carlos Manuel hoje conta com um dos mais recentes mecanismos para decoração cenográfica.

O tecto do auditório Jorge Sampaio, a maior sala do centro com uma lotação de 967 lugares, é ‘forrado’ com 72 varas

automatizadas que permitem abrir e fechar cortinas cénicas de forma automática. "Se não é o único no país, o Olga Cadaval é um dos poucos com este sistema", conta Luís Gaspar, detalhando que foi instalado em 2001 e implicou um investimento de 6 milhões de euros.

Ao longo destes anos, o sistema "nunca falhou". Mas, "pelo sim pelo não", o Olga Cadaval continua a ter o sistema normal de cordas "caso seja preciso", aponta.

Esta sala tem ainda 68 lugares amovíveis entre a plateia e o fosso da orquestra. As restantes cadeiras dividem-se entre a plateia, o balcão e em dois níveis de galerias laterais.

Já o auditório Acácio Barreiros , apesar de ser mais pequeno, com 272 lugares, "é mais intimista". "A acústica é igualmente boa", mas "ao ser mais pequeno cria uma maior proximidade entre os artistas e o público", detalha Luís Gastar.

Ambas as salas estão preparadas para receber todo o tipo de espectáculos: música, cinema, teatro, dança e até congressos e conferências.

Por incrível que pareça, apesar de estarmos a atravessar um período difícil, tivemos em 2014 um dos nossos melhores anos com cerca de 36.500 espectadores.
Luís Gaspar
Director do Centro Cultural Olga Cadaval

O edifício, que tem uma ligação directa ao MUSA - Museu das Artes de Sintra –, através de uma ponte coberta, tem ainda um sala de ensaios e um conjunto de camarins que permite acolher mais de 170 artistas em simultâneo.

70 anos de história

O espaço cultural está sob a alçada da Câmara de Sintra. E ao longo dos seus 70 anos de existência tem muitas histórias para contar.

Construído em 1945, e então denominado Cine-Teatro Carlos Manuel, foi durante largos anos o único cinema de Sintra, fazendo por isso parte do quotidiano e da memória dos habitantes do concelho. Em muito devido ao incêndio que destruiu grande parte do edifício em 1985, tendo ficado depois ao abandono durante anos. Acolhia somente eventos culturais esporádicos, nas zonas que não ficaram totalmente destruídas.

Por volta de 2000, quando as obras de remodelação ficaram concluídas e decidiram abrir as portas do centro novamente, o governo local decidiu mudar o nome em homenagem à Marquesa Olga de Cadaval, descendente de uma família aristocrata europeia e fortemente envolvida no mecenato.

Hoje, continua a ser "uma sala de referência no concelho e uma mais-valia para a cultura sintrense", sublinha o director do Centro Cultural Olga Cadaval.

Os esforços para dinamizar o espaço têm em conta "o público muito heterogéneo" que recebe, e que "nos obriga a encontrar programação muito diversificada", desde música erudita, clássica, jazz, teatro ou cinema, exemplifica Luís Gaspar.

Uma estratégia que parece estar a dar resultados: "Por incrível que pareça, apesar de estarmos a atravessar um período difícil, tivemos em 2014 um dos nossos melhores anos. Tivemos cerca de 36.500 espectadores", adianta.