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Ruben Eiras: “Falta-nos a last mile da tecnologia”

A eólica offshore é uma oportunidade para Portugal mas ainda há quatro desafios que precisam ser ultrapassados, destacou Ruben Eiras, secretário-geral do Fórum Oceano.

Rute Coelho 14 de Dezembro de 2022 às 15:30
Ruben Eiras, secretário-geral do Fórum Oceano Bruno Colaço
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No encerramento do webinar sobre eólicas offshore, Ruben Eiras, secretário-geral do Fórum Oceano, destacou que Portugal tem pela frente um caminho de "oportunidades concretas" nas eólicas offshore. A conferência foi organizada no âmbito da iniciativa Mar Sustentável, pelo Jornal de Negócios e pelo Fórum Oceano, com os patrocínios da EDP e Câmara Municipal de Oeiras, e o apoio institucional do gabinete do secretário do Estado do Mar. Ruben Eiras passou em revista as intervenções: do Aker Group, que quer investir nesta fonte energética em Portugal, destacou a visão de um pioneiro na área como o professor António Sarmento, ou a de uma empresa portuguesa que nasceu da inovação aberta e da cooperação de Portugal com os Estados Unido, a Principle Power. "Tudo o que eram teorias há uns anos são oportunidades concretas agora. Mas há quatro desafios que têm de ser ultrapassados. Primeiro, falta-nos a last mile da tecnologia, é a corrida da reta final da otimização das estruturas e conceitos que já mostraram a sua viabilidade. Segundo, as pessoas. É preciso termos o talento, os engenheiros, os comerciais, que consigam implementar modelos de negócio e tecnologias viáveis no terreno e também cuidar da sua manutenção e operação. Os pescadores como profissionais do mar têm aqui uma oportunidade de diversificar o seu rendimento e de alargar a sua atividade". Será também um teste para ver "até que ponto as nossas indústrias são capazes e têm condições para absorver as oportunidades".

O secretário-geral do Fórum Oceano elegeu "o ordenamento do espaço marítimo" como terceiro desafio."É preciso tratar dos detalhes, ver qual o acesso à rede elétrica a nível costeiro e os procedimentos relacionados com os licenciamentos e que estes sejam transparentes, rigorosos e lestos. Ter uma inventariação dos recursos eólicos é fundamental". Por último, o quarto desafio: a cadeia de valor."Com os incentivos certos e as opções políticas que se poderão fazer será possível um compromisso e um ponto ótimo para fixar em Portugal a cadeia de valor".

Como lembrou, a indústria naval não é só a produção e fabrico de embarcações. "Trata-se de uma oportunidade global de 60 mil milhões de euros de negócio que se poderá concretizar até 2030".

"O mar não é só um desígnio poético, nas suas múltiplas dimensões representa oportunidades concretas. Portugal pode digitalizar, descarbonizar e circularizar o seu sistema energético criando uma indústria com um impacto positivo para as pessoas e o ambiente", concluiu.