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Efacec a dar luz ao mundo inteiro

Com projetos de mais de 100 milhões de euros por ano, os transformadores de potência são ainda um importante produto num negócio que aposta cada vez mais nas novas tecnologias.

Helena C. Peralta | Paulo Duarte - fotografia 16 de Abril de 2019 às 16:05
Paulo Duarte
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Sabia que a Torre Eiffel é iluminada com recurso a transformadores de potência produzidos pela Efacec em Matosinhos? Ou que os táxis elétricos de Londres são energizados pelos carregadores de carga rápida produzidos pela mesma indústria? Até a famosa cidade das luzes, Las Vegas, é alimentada por transformadores de potência da marca portuguesa. Esta companhia pode ser uma pequena empresa à escala mundial mas o seu impacto na vida das populações é gigantesco. A empresa estima que o alcance das suas tecnologias, espalhadas um pouco por todo o mundo, tenha influência na qualidade de vida de perto de mil milhões de pessoas em todos os continentes. "Estamos num setor infra estruturante e é, por isso, incontornável que toque a vida de muitos milhões de pessoas", explica Ângelo Ramalho, CEO do grupo Efacec.

Pode ser um impacto pouco visível, é certo, mas, no que à eletricidade diz respeito, a sua presença só se sente quando falta. E é precisamente isso que os técnicos e engenheiros do grupo nortenho pretendem evitar: falhas de energia. Tanto que, em dezembro de 2014, fizeram tudo o que estava ao seu alcance para garantir um Natal sem apagões em Buenos Aires, na Argentina. Segundo nos revela Miguel Gonçalves, diretor de operações da Efacec Energia, a elétrica argentina lançou na um ambicioso concurso para o fornecimento de três subestações móveis em seis meses. O prazo era reduzido - normalmente demorariam um ano - mas o "empenho" de toda a equipa tornou possível a entrega atempada. Para isso foi necessário carregar os equipamentos num avião Antonov, que aterrou em Buenos Aires com pompa e circunstância. E é esta a forma de funcionar da marca nacional que tem 70 anos de história.


Este grupo consegue aliar a forte tradição de uma indústria de maquinaria pesada com as tecnologias mais modernas. "Hoje um quarto da atividade da Efacec tem por base tecnologias de comunicação e informação. Tanto desenvolvemos equipamento pesado, como fazemos coisas que nem peso têm, como os sistemas que permitem gerir redes de distribuição de energia de países inteiros, como Portugal e Grécia", afirma Ângelo Ramalho. A Efacec Energia representa mais de 50% do negócio total do grupo, e faturou 228 milhões de euros em 2017, dos quais cerca de 180 milhões foram referentes a exportação. O grupo estima que o volume de negócios consolidado de 2019 ultrapasse os 450 milhões de euros.

Rejuvenescer a indústria

A empresa está a fazer a transição para a Indústria 4.0 e a tornar-se apelativa também aos olhos dos mais jovens. Uma das preocupações atuais da gestão é atrair os melhores talentos nestas novas competências. Na nova Unidade Industrial de Automação é possível encontrar uma área fabril moderna, onde são produzidos os IED ("Intelligent Electronic Device" - componentes eletrónicos dos sistemas de controlo, automação e proteção de subestações de transmissão de energia elétrica) de última geração, com recurso a alta tecnologia.


450
Faturação
O volume de negócios do grupo ronda atualmente os 450 milhões de euros.

20
Investimento
A empresa deverá investir 20 milhões de euros este ano na área digital.

180
Exportação
A Efacec Energia exportou cerca de 180 milhões de euros em 2017.


Já na fábrica de transformadores de potência a dimensão dos equipamentos é completamente diferente: um transformador pode pesar 600 toneladas e custar vários milhões de euros. Esta área de negócio ocupa 600 dos 2.700 colaboradores do grupo dos quais um terço são engenheiros. Nesta unidade produtiva, que funciona a dois turnos, boa parte do trabalho é ainda manual, apesar de incorporar muita tecnologia. Uma subestação, por exemplo, é isolada toda a papel e esse isolamento tem de ser feito de forma manual, para que não haja qualquer tipo de falha. Falamos de equipamentos que têm uma durabilidade de 40 anos, mas que, com uma boa utilização, poderão mesmo chegar aos 50 anos de vida útil. "Manter uma unidade deste tipo em Portugal e em crescimento implica uma gestão rigorosa de todos os recursos. Estamos a conseguir projetos de transformadores de potência na ordem dos 100 milhões ao ano, mas queremos crescer mais", explica Ângelo Ramalho.
O grupo centra a sua atividade em três setores principais: Produtos de Energia, Sistemas e Mobilidade. Nas unidades fabris tanto se fabricam transformadores de 470 toneladas, como IED, fundamentais para sistemas  de automação de subestações.
O grupo centra a sua atividade em três setores principais: Produtos de Energia, Sistemas e Mobilidade. Nas unidades fabris tanto se fabricam transformadores de 470 toneladas, como IED, fundamentais para sistemas de automação de subestações. Paulo Duarte
Para continuar na linha da frente da inovação, o grupo investe cerca de 3% das suas receitas em I&D (investigação e desenvolvimento), função que ocupa cerca de 300 colaboradores. A mobilidade elétrica é uma das áreas que mais cresce e já representa uma boa fatia do negócio, estimando-se receitas de cerca de 60 milhões de euros já em 2019. O projeto Eletrify America, para o qual está a fornecer 2 mil equipamentos de carregamento ultrarrápido, a instalar em 484 locais nos EUA, dá uma ajuda para este incremento.


Perguntas a Ângelo Ramalho
CEO do grupo Efacec

Investir 20 milhões na área digital

Os investimentos do futuro serão menos visíveis, garante Ângelo Ramalho, CEO da Efacec, pois terão menos edificado e serão cada vez mais centrados em novas tecnologias.

Esta sempre foi uma empresa tradicional que soube adaptar-se aos desafios do futuro. Como foi conseguida essa transição?
Os novos negócios de hoje são os tradicionais de amanhã. Temos feito sempre um esforço para estar na linha da frente do desenvolvimento em tecnologias, e neste momento o digital está a mudar as sociedades. Não seriamos líderes na mobilidade elétrica, nos segmentos de carga rápida e ultrarrápida se não tivéssemos competências no digital. Não seríamos uma empresa importante no tema das cidades inteligentes se não tivéssemos tecnologias em que o digital se integra em todas as outras tecnologias.

O investimento de cinco milhões de euros realizado na nova fábrica de automação mostra essa aposta nas novas tecnologias?
Temos feito sempre um esforço para estar na linha da frente do desenvolvimento em tecnologias, pois neste momento o digital está a mudar as sociedades. Nos últimos três anos os investimentos mais visíveis da Efacec foram os de caráter edificado.
O ano passado inauguramos a unidade para a mobilidade elétrica e este ano será a inauguração da nossa unidade de sistemas de energia, embora parte desta unidade já esteja a laborar há algum tempo.

Na mobilidade elétrica, já exportamos para mais de 40 países. Ângelo Ramalho
CEO do grupo Efacec

Que outros investimentos têm planeados para este e para os próximos anos?
O ano passado investimos mais de 20 milhões de euros e este ano vamos investir na mesma ordem de grandeza. Será investimento canalizado sobretudo para a área do digital, das novas tecnologias. Este até é um valor bastante elevado para um grupo cujas receitas rondam os 450 milhões de euros.

Em termos de exportações, quais são os vossos principais mercados?
A Efacec Energia exporta cerca de 80% daquilo que produz. Tem mais de 90 referências de produtos e exporta para mais de 60 países. Os nossos principais mercados centram-se na Europa e na América do Norte. Na Europa são sobretudo o Reino Unido e a Irlanda. Mas temos um grande crescimento nos países do centro e norte da Europa, como a Dinamarca. Os nossos mercados de eleição são os mercados sofisticados. Na área da mobilidade elétrica já exportamos para mais de 40 países e somos líderes nos segmentos de carga rápida e ultrarrápida.
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