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Um vaivém constante de camiões

Nos últimos três meses foram cerca de 1.200 os camiões que entram e saem diariamente no Porto de Leixões, em parte devido ao novo serviço de transporte de carga que entra a rolar.

Helena C. Peralta | Paulo Duarte - fotografia 16 de Abril de 2019 às 15:30
O Porto de Leixões precisa de investimento em infraestruturas que lhe permita rececionar navios de maior porte. Se não for feito o porto começa a perder competitividade para Vigo, Lisboa, ou Sines. Paulo Duarte
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Quem entra no Porto de Leixões nem se apercebe logo do corrupio constante. Com o espaço em aparente calma - ou não fossem 5 quilómetros de cais e 55 hectares de área - tudo o que envolve esta operação é em grande escala. Diz ser o maior porto nacional de cargas de importação e exportação ("gateway") e por ali passam negócios que envolvem cerca de 145 países em todo o mundo. Os volumes transacionados representam cerca de 6% do PIB nacional e 17% do PIB da região norte.

Nos últimos meses, a média de entradas e saídas naquele espaço foi de mais de 1.200 camiões por dia, sobretudo devido ao novo serviço que disponibiliza, o transporte ro-ro ("roll-on/roll-off"), como assegura Álvaro Sérgio, diretor de operações. A definição é simples: trata-se de carga que embarca e desembarca a rolar, seja em cima das próprias rodas, como contentores de camiões, seja em cima de equipamento concebido para o efeito. Com a oferta deste tipo de transporte, o Porto de Leixões retira das estradas entre 150 e 180 camiões por semana, reduzindo assim as emissões de carbono. Partem deste local três navios semanais, verdadeiros colossos de boca aberta por onde entra, através de rampas, toda a carga a ser transportada.

No ano passado movimentámos 402.509 contentores.

Estamos a investir na digitalização para aumentar a eficiência do Porto de Leixões e sermos mais competitivos. 
Nuno David Silva
Diretor-geral da TCL 

A TCL - Terminal de Contentores de Leixões, ligada desde 2015 ao universo da multinacional turca Yilport Holding, é a empresa que gere as operações das duas infraestruturas: o Terminal de Contentores Norte e o Terminal de Contentores Sul. Este é um negócio que exige rapidez e eficiência, conforme refere Nuno David Silva, diretor-geral da companhia, pois só assim será competitivo. A TCL - Yilport Leixões detém a concessão, em regime de exclusividade da movimentação de contentores neste porto.Receciona mercadorias contentorizadas, carrega e descarrega navios e o seu modelo de negócio está nas tarifas que cobra por cada unidade movimentada. "Os clientes com quem temos contratos são os donos dos navios. Mas na realidade o nosso verdadeiro 'cliente' é o exportador e o recebedor, pois são eles que nos escolhem e é para eles que trabalhamos. O porto tem de ser eficiente, produtivo, credível, para garantir que o importador e o exportador recebem as mercadorias a tempo. Caso contrário deixamos de atrair carga", explica. O Porto de Leixões tem a grande vantagem de trabalhar com várias empresas e de não estar dependente de um único cliente. "Mais de 90% do nosso movimento é importação e exportação, e no ano passado movimentámos 402.509 contentores, representativos de 660 mil TEU (unidade de medida da capacidade de um contentor)", explica Nuno David Silva.

Um dos portos mais eficientes do grupo Yilport

Este terminal é um dos mais eficientes dentro do grupo Yilport, que, apesar de recente - constituído em 2004 -, é já o 12.º maior operador do mundo e o segundo maior a nível europeu. A TLC, fundada em 2000, acabou por ser comprada a 100% pela multinacional turca que, em Portugal já detém o porto de Aveiro, a Liscont e a Sotagus em Lisboa, a Sadopor em Setúbal, e ainda detém outras participações minoritárias. O aumento da eficiência que já se fazia sentir com os anteriores acionistas foi acelerado com os novos donos, uma vez que a multinacional está a investir em digitalização e em programas de software de gestão como o Navis, o melhor sistema operativo aplicado às operações portuárias e que permitirá mover carga mais rapidamente, reduzindo assim os custos e minimizando os riscos.


54,2
Faturação
A TCL registou em 2017 um volume de negócios de 54,2 milhões de euros.

35,8
Exportações
A empresa realizou 35,8 milhões de euros de receitas provindas do estrangeiro.

43,4
Investimento
O investimento no terminal Sul vai atingir os 43,4 milhões de euros.

660
Contentores
Em 2018 a TCL carregou cerca de 660 mil TEU (unidade de contentores).


O investimento anunciado de 43,4 milhões de euros no Terminal de Contentores Sul já está em curso e as obras destinadas a aumentar a capacidade de armazenagem deverão estar concluídas até abril de 2021. A empresa foi a sétima maior exportadora do concelho de Matosinhos em 2017, com um total de exportações de 35,8 milhões de euros, num volume de negócios que ascendeu a 54,2 milhões de euros.

Para Nuno David Silva, o maior problema do Porto de Leixões é conseguir acompanhar a evolução da atividade, que exige navios cada vez maiores. O porto não tem cais para receber estes grandes navios e, por isso, torna-se essencial um forte investimento em infraestruturas. "Se este investimento não for feito começamos a perder competitividade para portos como o de Vigo, de Lisboa, de Sines", afirma.


Perguntas a Nuno David Silva
Diretor-geral da TCL

Mais de 43 milhões para aumentar capacidade

Nesta atividade o cais é o local onde se produz e a TCL tinha falta de capacidade de armazenagem. Com os investimentos que estão a ser realizados a empresa vai agora equiparar a capacidade de armazenagem com a capacidade na linha de cais, melhorando assim a sua eficiência.

O Porto de Leixões é um dos mais eficientes do grupo. Como o conseguiram?
Há poucos portos que façam os tempos e a produtividade que nós temos. Foi uma das grandes evoluções do Porto de Leixões nos últimos 15 anos. Os portos são geralmente considerados 'bottleneck' [congestionamentos], ou seja, a zona onde a transferência de carga estrangula e nisso o Porto de Leixões ganhou muita eficiência. Conseguimos este ganho porque o processo aduaneiro, de ligação com a comunidade e autoridade portuária, está totalmente digitalizado, e por isso o processo é mais rápido e eficiente.

O que mudou na estratégia da TCL com a entrada dos novos acionistas em 2015?
O facto de estarmos inseridos num grupo que é o 12.º maior operador mundial de portos - apesar de ser uma empresa relativamente nova, que começou em 2004 -, mas que tem crescido exponencialmente através da aquisição de portos. Esta empresa tem os seus próprios padrões e métodos que implementa em todos os terminais. Utiliza o sistema conhecido por Terminal Breaking System, o Navis, que é o melhor sistema operativo a nível mundial e que vai implementar aqui em Leixões. E ainda tem um método de trabalho diferente para gerir os seus terminais: se antes trabalhávamos quase de forma independente, hoje trabalhamos de forma colaborativa, ao partilhar as melhores práticas, procedimentos e ideias. Ou seja, trabalhamos em equipa. Claro que não há uma receita que se aplique a todos os terminais, mas há um guia de orientação.

Esperamos um crescimento de 2% já para o final de 2019. Nuno David Silva
Diretor-geral da TCL 

Em que fase estão os investimentos no Terminal Sul?
Finalmente em 2017 fechou-se o projeto de reconversão do Terminal de Contentores Sul, um investimento de 43,4 milhões de euros. Este investimento é fundamental porque o Porto de Leixões está a trabalhar há alguns anos acima da sua capacidade de movimentação de contentores. Por isso estamos a fazer as obras para ter mais espaço de armazenagem de contentores.

E vai representar um crescimento de quanto?
Isto vai permitir um crescimento de capacidade até às 850 mil TEU. O nosso crescimento do negócio vai depender muito da evolução económica, mas a nossa estimativa é que seja um crescimento de 2% já para o final de 2019.
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